FALTA INVESTIMENTO
Divulgação/Paris Filmes

Giulia Benite em cena de Turma da Mônica: Laços, que entrou no Top 10 mundial da Netflix
O Brasil é um dos maiores mercados da Netflix no mundo todo --especula-se que ficamos atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido em número de assinantes--, mas os investimentos da plataforma na produção nacional ainda fica muito aquém da força do país. E isso fica evidente quando se considera a lista de filmes mais vistos do streaming na última semana.
Nesta terça (8), a empresa revelou --como de costume-- o Top 10 mundial de longas de língua não inglesa que tiveram mais público entre 30 de junho e 6 de julho. Três deles são brasileiros --mas nenhum é uma produção da Netflix.
Em sétimo lugar, ficou o infantil Turma da Mônica: Laços (2019), que aparece no ranking pela segunda semana consecutiva. Ao todo, a produção baseada nos quadrinhos de Mauricio de Sousa acumula 2 milhões de visualizações completas, critério usado pela plataforma para divulgar suas audiências.
Em nono, veio a cinebiografia Mamonas Assassinas: O Filme (2023), que conta a história da banda subversiva que mudou a história da música brasileira nos anos 1990. E, fechando o Top 10, Paulo Gustavo (1978-2021) apareceu com a comédia Minha Mãe É Uma Peça 2 (2016).
O feito da trinca fica ainda mais impressionante quando se considera que os filmes não estão disponíveis em todos os países e territórios da Netflix --pelo contrário, muitos filmes nacionais adquiridos pela plataforma são oferecidos apenas para o público brasileiro. E, de fato, os três longas aparecem apenas no Top 10 do Brasil, segundo a própria empresa.
Não é a primeira vez que longas tupiniquins fazem sucesso na gigante do streaming --nas duas semanas anteriores, por exemplo, Homem com H (2025) representou o Brasil no ranking e, entre abril e maio, o drama Inexplicável (2024) também fez bonito no Top 10 mundial.
Ciente do fato de que o público brasileiro consome vorazmente produções nacionais, a Netflix deveria investir mais em produções originais --afinal, ela tem muito mais dados sobre os hábitos de seus assinantes do que aqueles que compartilha publicamente.
Mas é mais confortável (para não dizer econômico) adquirir os direitos de exibição de longas já prontos, deixar todo o trabalho de marketing para suas produtoras e distribuidoras, e depois apenas ceifar os louros alheios e obter bons números de audiência no seu catálogo.
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