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OLHO NO PRÊMIO

Por que O Agente Secreto é o favorito para a indicação do Brasil ao Oscar 2026?

DIVULGAÇÃO/VITRINE FILMES

Wagner Moura em cena do filme O Agente Secreto

Wagner Moura é o protagonista de O Agente Secreto; filme saiu premiado de Cannes

GIOVANNA RIBEIRO

giovanna@noticiasdatv.com

Publicado em 9/9/2025 - 19h17

Após a comemoração em clima de Carnaval que o Brasil viveu com o Oscar conquistado por Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, além da indicação de Fernanda Torres, a expectativa para a próxima edição da premiação está mais alta do que nunca. E, mesmo que seis filmes ainda estejam no páreo para conquistar a indicação oficial da Academia Brasileira de Cinema, há quem já crave um favorito incontestável: O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, protagonizado por Wagner Moura

A aposta se dá, sobretudo, após a recepção calorosa (e premiada) em Cannes. O longa ambientado no Brasil de 1977 rendeu uma Palma de Ouro de melhor ator para Wagner Moura, além de melhor diretor para Kleber Mendonça Filho e o prêmio da crítica, concedido pela Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica, instituição que reúne jornalistas do mundo todo.

Para o crítico e professor de Cinema e Audiovisual da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), Márcio Rodrigo, a trajetória internacional do longa pesa (e muito) na hora da escolha do representante do país. "É um filme que já chega laureado em Cannes, um festival importantíssimo, tanto para o diretor, Kleber Mendonça Filho, quanto para Wagner Moura, premiado como melhor ator", explica.

Para além da aclamação da crítica, O Agente Secreto reúne características que historicamente favorecem longas na corrida pelo grande prêmio do cinema. "Na escolha do filme que será oficialmente indicado ao Oscar, pesam tanto a qualidade artística quanto o reconhecimento em festivais internacionais. Prêmios como os que O Agente Secreto conquistou em Cannes costumam chamar a atenção da comissão brasileira", afirma Cyntia Calhado, também crítica e professora do curso de Cinema e Audiovisual da ESPM.

O prestígio de O Agente Secreto também já se reflete na imprensa internacional. A revista Variety, por exemplo, aposta que o filme pode superar as três indicações conquistadas por Ainda Estou Aqui no último ciclo e chegar a Hollywood com mais força.

No entanto, para além do filme de Kleber Mendonça Filho, a shortlist da Academia Brasileira de Cinema também revela toda a pluralidade da produção nacional. Junto com O Agente Secreto, foram pré-selecionados O Último Azul, que aborda o etarismo em um Brasil distópico; Baby, centrado em personagens LGBTQIA+; Manas; Oeste Outra Vez e Kasa Branca.

"Os seis filmes indicados são muito plurais, tanto por temática, quanto por gênero, quanto pela própria linguagem utilizada para se contar essas histórias. O que mostra a fase tão propícia e tão positiva que o cinema brasileiro está vivendo nesse momento da sua história", avalia Márcio.

Embora títulos como O Último Azul, estrelado por Rodrigo Santoro, e Baby, com Ricardo Teodoro (de Vale Tudo) também tenham conquistado elogios da crítica e prêmios internacionais, o professor Márcio Rodrigo considera improvável que outro longa desbanque O Agente Secreto.

"Eu não acredito que haja uma questão de um azarão. Acho que seria muita falta de visão do jogo do cinema. Especialmente em Hollywood, indicar um azarão no momento em que a gente tem um filme que acaba de ganhar direção e ator em Cannes... [Não tem como] A gente indicar algum outro filme que não seja O Agente Secreto", reforça Rodrigo.

Mas uma zebra não seria novidade. Em 2008, Tropa de Elite, de José Padilha, surpreendeu ao não ser o escolhido como o representante brasileiro ao Oscar naquele ano. A indicação ficou com O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (2006), de Cao Hamburger, que acabou não chegando à disputa final.

Vale dizer que reconhecimento internacional não faltou. O longa --inclusive, também protagonizado por Wagner Moura --havia conquistado o Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim. Além de ter se tornado um fenômeno de público e crítica no Brasil.

Para os professores, o Brasil ainda esbarra em obstáculos como a concorrência com países de maior tradição cinematográfica, a falta de campanhas robustas de divulgação e a descontinuidade de políticas públicas para o setor. Mas, mesmo assim, o atual momento é de otimismo.

"Eu acho que a gente está bem posicionado hoje, não só em relação ao Oscar, mas ao cinema como um todo. Eu acho que os Estados Unidos agora estão descobrindo de alguma maneira o cinema brasileiro e inclusive, Ainda Estou Aqui fez sucesso, teve um grande lançamento na China. Então, a gente chega bem posicionado para disputar o Oscar do ano que vem", conclui o professor.


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