A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
CRÍTICA
Divulgação/Disney

Os protagonistas do filme O Mandaloriano e Grogu, primeiro filme de Star Wars em sete anos
Sem marcar presença nos cinemas há sete anos, a saga Star Wars volta às telonas nesta quinta-feira (21) com O Mandaloriano e Grogu, filme que tem várias pretensões, mas não consegue cumprir nenhuma por completo. Se queria continuar a série The Mandalorian, do Disney+, ele tropeça por não estabelecer nenhuma conexão com a narrativa anterior. Se a ideia era servir de porta de entrada para uma nova geração de fãs, seria melhor ter mantido essa porta muito bem fechada.
Durante três temporadas, The Mandalorian conseguiu construir um universo próprio, comendo pelas bordas da saga Star Wars, com personagens interessantes como Bo-Katan Kryze (Katee Sackhoff), Greef Karga (Carl Weathers), a Armeira (Emily Swallow), Koska Reeves (Mercedes Varnado) e Peli Motto (Amy Sedaris). Nenhum deles dá as caras no filme.
Em vez de continuar a história da série, o diretor Jon Favreau --que assina o roteiro com Dave Filoni e Noah Kloor-- optou por uma trama independente, para atrair o público que não acompanhou as aventuras anteriores de Din Djarin (Pedro Pascal) e Grogu pela galáxia. Embora seja difícil imaginar que alguém que nunca viu a série vá se interessar por um filme com personagens que não têm nenhuma relação direta com o clã Skywalker.
Para entender o filme, basta saber que, no fim da terceira temporada, após derrotar Moff Gideon (Giancarlo Esposito), o mandaloriano passou a caçar senhores de guerra do Império como um prestador de serviços para a Nova República. Basicamente, ele atua como freelancer para os mocinhos em busca dos vilões. Quem não tem essa informação previamente será atualizado pelos créditos iniciais do filme, que deixa tudo bem desenhado para os novatos.
O longa já começa no meio de uma tarefa, com Djarin na cola de um malvadão vivido por Hemky Madera (de A Rainha do Sul e Euphoria). Ele consegue sua caça --com métodos e resultados questionáveis-- e é convocado para uma missão aparentemente impossível: capturar um chefão que usa um codinome misterioso e cujo rosto é desconhecido.
Como acontecia na série, o mandaloriano precisa seguir uma trajetória de RPG para alcançar seu objetivo: viajar a um planeta para conversar com alguém que tem uma informação para ajudá-lo a chegar até outra pessoa, que pedirá algum favor em troca de outra dica, e assim sucessivamente. É um videogame sobre o qual o jogador (no caso, o público) não tem nenhum controle.
O Mandaloriano e Grogu é como um episódio independente e mais longo da série, com um orçamento maior --o que explica as presenças de Sigourney Weaver (de Alien e Avatar) como uma coronel da Nova República que serve como contato de Din Djarin em suas missões e de Jeremy Allen White (de O Urso) como o hutt Rotta, filho de Jabba. Até o premiado diretor Martin Scorsese aparece (ou melhor, é ouvido) como um alien cozinheiro neurótico.
A verba extra também é percebida nos cenários --mais grandiosos que as construções virtuais de The Mandalorian-- e nas cenas de ação, que acontecem em intervalos regulares para manter o espectador acordado. Já alguns efeitos especiais são, no mínimo, questionáveis; parecem ter sido pensados para a TV e não funcionam tão bem em uma tela gigante.
Para preencher os 132 minutos de duração, a história é arrastada. Há um longo bloco em que Grogu assume o protagonismo e conduz a narrativa sozinho --e, por mais fofo que o "bebê Yoda" seja, um personagem que não fala e se movimenta de maneira estranha não é exatamente um foco narrativo atraente para algo mais longo do que uma rápida pílula.
Esse é outro problema de O Mandaloriano e Grogu: um de seus protagonistas não mostra o rosto, não tem expressões faciais claras e ainda usa uma voz distorcida, o outro não consegue falar. Favreau até tenta resolver isso tirando o capacete de Din Djarin em alguns momentos --desfazendo assim todo o arco narrativo da terceira temporada da série--, mas não é o suficiente.
Se o novo longa era a esperança da Disney para atrair uma nova geração de fãs para a saga Star Wars, o tiro pode sair pela culatra: quem já seguia a franquia sairá frustrado do cinema, e quem nunca viu os outros filmes (e por algum motivo se sentir tentado a assistir a esse) desistirá de acompanhar qualquer outra produção da franquia.
No fim das contas, era melhor Favreau, Filoni e a Disney terem investido na quarta temporada de The Mandalorian mesmo --que estava totalmente escrita e foi engavetada para a produção do longa.
O Mandaloriano e Grogu chega nesta quinta (21) aos cinemas. Veja o trailer:
© 2026 Notícias da TV | Proibida a reprodução
Mais lidas
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.