CRÍTICA
DIVULGAÇÃO/WARNER BROS.

David Corenswet assume o traje do Superman no novo reboot do herói mais famoso do mundo
Esqueça o tom sombrio e depressivo que Zack Snyder imbuiu nos heróis da DC Comics na década passada. O novo Superman, que chega aos cinemas brasileiros na quinta-feira (10), leva ao Homem de Aço a esperança e a inocência que o acompanham nos quadrinhos desde sua origem, em 1938. Sob a direção e o roteiro de James Gunn, novo chefe do braço audiovisual da editora, o filme tem uma narrativa que --para o bem ou para o mal-- se assemelha a Guardiões da Galáxia, trilogia que o cineasta fez para a Marvel.
Estão lá as cores vivas, as músicas pop inseridas em momentos-chave da história e os animais fofos que roubam a cena (Krypto, ao contrário do Rocket Racoon, não consegue falar, mas nem por isso é menos expressivo). Mas também as piadas disparadas durante boa parte do filme e que dissipam qualquer tensão das sequências mais dramáticas.
Para colocar a pedra fundamental do novo Universo da DC (a animação Comando das Criaturas, lançada no fim do ano passado, é mais um prólogo do que um início de fato), Gunn bolou um arremedo de roteiro que está mais preocupado em preparar a próxima cena de ação impressionante do que em construir uma história de fato.
Superman (David Corenswet) já é um herói estabelecido no início do filme, poupando o público de ver mais uma vez a história de origem do bebê que foi enviado de Krypton para a Terra por seus pais antes da destruição do planeta --embora esses momentos ainda sejam essenciais para a trama. Seu alter ego, Clark Kent, também já é um jornalista empregado pelo Planeta Diário e que vive entre tapas e beijos com Lois Lane (Rachel Brosnahan).
O herói, porém, começa a ter uma crise de imagem pública depois de intervir em uma possível guerra e, no processo, causar uma crise diplomática entre os Estados Unidos e a fictícia Borávia. Lex Luthor (Nicholas Hoult) se aproveita disso para convencer o governo norte-americano de que Superman é uma ameaça que precisa ser contida.
A partir daí, começa uma história que envolve viagens interdimensionais, um monstro gigante que parece saído de um filme do Godzilla ou de um episódio dos Power Rangers e a aparição de heróis menos conhecidos da DC, reunidos na Gangue da Justiça --que é financiada por um empresário de moral questionável, no melhor estilo da Vought International, de The Boys.
Com um orçamento de centenas de milhões, Superman não deixa a desejar nas cenas de ação de tirar o fôlego --com efeitos especiais que impressionam. O elenco também está muito bem, com destaque para Rachel Brosnahan, Edi Gathegi (que faz o Senhor Incrível) e a dupla Pruitt Taylor Vince e Neva Howell, que vivem os pais adotivos de Clark, Jonathan e Martha Kent.
David Corenswet tem uma missão difícil e começou a enfrentar críticas dos fãs de Henry Cavill assim que foi escalado para o papel. Mas o ator, mesmo com poucos papéis de destaque no currículo, se sai bem tanto como Clark Kent quanto como Superman --até mesmo nos momentos em que o herói solta discursos motivacionais em tom imponente e pouco natural.
Já Nicholas Hoult destoa um pouco dos outros atores pelo tom quase infantil que dá a Lex Luthor, como se o bilionário fosse uma criança mimada que quer ter um brinquedo melhor do que o coleguinha --o fato de ter uma namorada influencer e fútil não ajuda muito. Mas a opção passa a fazer mais sentido quando se considera que o megavilão foi livremente inspirado em Elon Musk.
De maneira geral, Superman é um início promissor para o novo Universo da DC Comics, e quem for ao cinema esperando entretenimento leve não vai se decepcionar. Fica a expectativa, porém, de que Gunn consiga colocar alguma ordem na casa e estruturar os próximos lançamentos antes de se perder na bagunça que já assolou a editora no passado e agora também aflige a Marvel. E que ele permita que os personagens vivam momentos intensos sem a necessidade de uma piadinha para quebrar o gelo o tempo todo.
Confira o trailer de Superman, principal estreia da semana nos cinemas:
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