CRÍTICA

Moana: Live-action não supera animação e prova que nem tudo precisa ser refeito

DIVULGAÇÃO/DISNEY

Moana (Catherine Laga‘aia) no live-action

Moana (Catherine Laga‘aia) no live-action; novo filme da Disney não prova sua razão de existir

GIOVANNA RIBEIRO

giovanna@noticiasdatv.com

Publicado em 8/7/2026 - 18h00

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Não é exagero dizer que o live-action de Moana já era visto com certa desconfiança pelos entusiastas da animação de 2016 --e da sequência de 2024-- antes mesmo de chegar aos cinemas. Ao finalmente estrear nesta semana, o filme confirma a previsão mais pessimista: trata-se de mais um remake da Disney sem razão para existir.

O filme, que o Notícias da TV já viu, é estrelado por Catherine Lagaʻaia no papel da aventureira Moana e por Dwayne Johnson, que retorna no papel do astuto semideus Maui. A trama já chega com uma desvantagem objetiva, para tentar superar seu primeiro desafio óbvio: como comparar um live-action (e suas limitações relativas ao mundo "de carne e osso") com uma animação?

Esta muralha se torna ainda mais alta considerando que a animação tem apenas uma década de existência. Mesmo aqueles que só a viram na época de lançamento ainda têm uma imagem muito viva e até detalhada. Logo, é difícil não se frustrar. Todos os intérpretes, caracterizados como os personagens da animação, parecem uma espécie de paródia --ou aqueles profissionais especializados em animar festas infantis temáticas.

A exemplo dos remakes mais recentes da Disney, boa parte do brilho e da vivacidade da história desapareceu, transformando-se em uma produção opaca. Vale dizer: não é das piores decisões do estúdio, o que definitivamente não serve como elogio, já que ser "melhor do que A Pequena Sereia (2023)" é um patamar muito baixo.

O grande apelo do filme, sem dúvidas, é se apoiar na figura de Dwayne Johnson. O ator, que já havia feito a voz de Maui, agora encarna o personagem "de corpo inteiro". Mas, mesmo com todo o mérito (e o carisma) de The Rock, é preciso fazer justiça: vale a pena fazer um remake apenas para vê-lo sem camisa performando You're Welcome?

Talvez as bilheterias deem a resposta --que pode, inclusive, contradizer qualquer opinião centrada na obra, utilizando o argumento irrefutável do lucro. É o que, afinal, mobiliza as escolhas da empresa detentora de Moana.

Tudo aquilo que ainda funciona no live-action é o que foi devidamente "copiado" com o máximo de precisão possível --como a interpretação das canções. Mas, entre uma cópia eficiente e o original extremamente recente, a segunda opção ainda é a mais recomendada.

De passagem pelo Rio de Janeiro para divulgar Moana, The Rock chegou a defender a importância de colocar atores de ascendência polinésia nas telas, reforçando ainda mais o papel importante de representatividade que a história trouxe --apesar de um olhar mais atento conseguir observar que a população de Motunui de repente ganhou alguns figurantes brancos. Até na representatividade, a animação consegue ser mais certeira.

Contudo, The Rock reconheceu as preocupações dos fãs e afirmou que tal hesitação se fez presente durante as filmagens. Ele, que também atua como produtor executivo, confessou que uma pergunta era feita exaustivamente entre uma cena e outra: "Podemos fazer melhor?". Após assistir ao filme, a conclusão é clara: se era possível fazer melhor, o fato é que não fizeram.

Além de Catherine Lagaʻaia e Johnson, o elenco de Moana também conta com John Tui como o chefe Tui, pai de Moana; Frankie Adams, que interpreta Sina, mãe de Moana; e Rena Owen como Tala, avó da protagonista. A adaptação em live-action da Disney é dirigida por Thomas Kail e reapresenta as canções originais de Lin-Manuel Miranda, Opetaia Foaʻi e Mark Mancina.

A história acompanha Moana, corajosa herdeira de Motunui, que, ao aceitar uma missão confiada pelo próprio oceano, embarca em uma perigosa jornada ao lado de Maui para quebrar uma antiga maldição. 

O filme chega exclusivamente aos cinemas brasileiros a partir desta quinta-feira (9). Veja o trailer:


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