ONDE EU COMEÇO?

Mayana Neiva desbrava as próprias origens em estreia como diretora: 'É sobre raiz'

REGINALDO TEIXEIRA/TV GLOBO

Mayana Neiva sorridente na estreia da série Fim, do Globoplay, posando com cabelos soltos

Mayana Neiva na estreia da série Fim, do Globoplay; atriz lança documentário como diretora

GIULIANNA MUNERATTO

giulianna@noticiasdatv.com

Publicado em 31/8/2026 - 14h00

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Mayana Neiva transformou uma história familiar em ponto de partida para uma descoberta pessoal e uma nova fase profissional. Depois de anos dedicados à atuação, a artista estreia na direção com o documentário Onde Eu Começo?, filme que rendeu a ela um mergulho profundo nas próprias raízes e um prêmio no Festival de Cinema de Beverly Hills, em Los Angeles.

  • Entenda a notícia:
  • Estreia premiada: Mayana Neiva estreou na direção com o documentário Onde Eu Começo?, obra independente que venceu o Festival de Beverly Hills.
  • Resgate de raízes: O filme explora a história do avô da atriz no sertão da Paraíba para refletir sobre ancestralidade, memória e valores pessoais.
  • Exibições pelo país: A produção independente passa por exibições em festivais de São Paulo, Paraíba e Minas Gerais.

A produção é uma obra autobiográfica que desbrava a história do avô da atriz e, a partir dela, aborda temas como identidade, memória e afetos. Sob uma ótica acolhedora, Mayana retornou ao sertão da Paraíba em busca de uma reconexão com suas origens, depois de sete anos morando em Nova York, nos Estados Unidos. 

Ao voltar para o Brasil durante a pandemia de Covid-19, a atriz passou três meses no estado nordestino para revisitar locais ligados aos parentes.

"Eu percebi que eu começava pela minha ancestralidade feminina e minha ancestralidade masculina, que eram os meus avós. E eu percebi que eles é que pautavam os maiores valores da minha vida", ressalta em entrevista ao Notícias da TV, fazendo referência ao próprio título do documentário.

O filme nasceu justamente desse processo de resgate. Na visão da diretora estreante, aquilo que procurava longe de casa estava mais perto do que imaginava. "Tudo que eu estava indo buscar lá fora, já estava vivo ali dentro", enfatiza. A experiência também a levou a questionar o que realmente considera essencial depois de colecionar bagagem pessoal e papéis na TV.

"Eu amava estar dentro das personagens e conhecer outras verdades, mas eu me perguntei: Onde é que eu começo? Onde é que eu me perco e me encontro no mundo? Se eu tirar tudo o que é excesso, o que que é essencial?", reflete. A resposta passa pela memória do avô e pelos valores fundamentais da sua formação.

Ao escavar o passado, a artista entendeu que o legado familiar supera qualquer sucesso profissional. Ela relembrou os almoços de domingo na casa dos avós e a sensação de pertencimento que encontra naquele ambiente. "Eu não preciso ser alguém com rótulos e conquistas lá fora para ser amada. Eu só aceito do jeito que eu sou", emociona-se.

A história do avô também carrega uma forte ligação com a arte. O patriarca enfrentou privações no sertão e encontrou na expressão artística uma oportunidade de transformação.

"Meu avô teve uma grande história de superação e de crescimento através da arte, num lugar que não oferecia oportunidades para ele", pontua. Para ela, assumir a direção foi a forma encontrada para honrar esse caminho.

A emoção de ser premiada

O reconhecimento no Festival de Cinema de Beverly Hills surpreendeu Mayana de um jeito totalmente inesperado. Gravado de forma independente com ajuda da família, o longa rodado no sertão paraibano aposta em uma linguagem experimental, o que a fez ficar emocionada ao saber que havia sido reconhecida pelo trabalho.

"Um filme que eu fiz com recurso próprio, eu e meu pai", destaca. "Eu praticamente surtei na hora que chamaram meu nome e falei: 'Meu Deus!'. Até hoje eu acho que eu não acredito."

O projeto por trás das câmeras despertou na atriz o desejo de seguir na direção. Mayana se define agora como uma "atriz criadora" e enxerga a função de diretora como um canal direto para comunicar o que acredita. "Eu acho que a gente como artista tem que ser coerente com a mensagem que a gente quer passar no mundo", avalia.

Essa busca por pertencimento guia outros trabalhos dela, como um espetáculo focado em mulheres nordestinas, forró e cordel, além da palestra A Felicidade Não Está Lá Fora. "Hoje eu falo nesse filme sobre onde eu começo, sobre a origem, sobre raiz, sobre valores. É através do cinema, dirigindo, mas é um discurso que é coerente com o artista que eu sou", pondera.

No encerramento desse ciclo, Mayana enxerga que Onde Eu Começo? vai além da homenagem familiar e se consolida como uma cura pessoal. "Enquanto eu fazia esse filme, eu achava que eu queria fazer um filme para honrar e homenagear a história do meu avô, mas fazendo ele, eu percebi que quem mais precisa desse filme sou eu", dispara.

"Eu precisava reafirmar esses valores na minha própria vida. Eu precisava me definir, me redefinir a partir desses valores depois de me espalhar pelo mundo e com tantas outras personagens", complementa ela.

Para Mayana, escavar as próprias origens serviu como âncora após anos vivendo múltiplas identidades nos palcos e na tela. "Eu precisava da âncora, que foi a reconexão, que foi ficar três meses no sertão, que foi ver onde o meu avô nasceu, foi ver onde ele passou tanta dificuldade", conclui.

Onde Eu Começo? terá diferentes exibições até setembro. Nesta quinta (27), às 18h, o filme passa no 37º Kinoforum no Musei da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. No dia seguinte, estará em Campina Grande, na Paraíba, para o 51º Festival de Inverno da cidade.

Posteriormente, o longa-metragem passa por Patos (PB) e Fama (MG), em 29 de agosto, e Cajazeiras (PB), em 4 e 5 de setembro.

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