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Lorena Comparato em Elize: Sombras de Uma Mulher; atriz falou sobre viver a criminosa em filme
Interpretar Elize Matsunaga exigiu mais do que uma preparação convencional para Lorena Comparato. Escalada para viver a protagonista de Elize: Sombras de Uma Mulher, filme que estreou na última quarta (22) na Netflix, a atriz contou que recorreu à terapia para construir a personagem e entender sua trajetória antes do assassinato de Marcos Matsunaga (1970-2012). Ela também criticou a existência de pessoas que transformaram a criminosa em um fenômeno nas redes sociais.
Lorena explicou que, quando conquistou o papel, manteve um processo de acompanhamento psicológico voltado para si e outro dedicado exclusivamente à construção da personagem.
"Durante todos esses anos de carreira, separei muito os personagens de mim. Ao mesmo tempo, empresto muito de mim para as minhas personagens e aprendo com elas. Mas a separação para mim é muito saudável. Fiz um processo de terapia para mim, com acompanhamento da psiquiatra Cecília Gross, e outro para a Elize", afirmou em entrevista à revista Quem.
Segundo a atriz, a principal preocupação era compreender quem era Elize antes do crime que chocou o país. Por isso, ela buscou entender o contexto da personagem e suas diferentes fases de vida, em vez de se limitar aos acontecimentos que ganharam repercussão nacional.
"A construção era baseada em 'quem é essa mulher?' nessas várias fases da história. Era muito importante para mim mostrar de onde ela veio, sua família, essas relações com essas pessoas", ponderou.
Para alcançar esse resultado, Lorena mergulhou em uma extensa pesquisa sobre o caso. A artista consultou laudos do processo, materiais públicos e também o documentário da própria Netflix sobre Elize Matsunaga. Apesar disso, ressaltou que sua interpretação retrata uma fase anterior àquela já conhecida pelo público.
"Existia uma preocupação em como a gente conseguiria se aproximar das fotos e dos vídeos que existem, distanciando-se também, já que é uma história baseada em fatos reais, mas com um recorte inédito do ponto de vista desta mulher que tem muitas sombras", disse.
Ao falar sobre o filme, a atriz defendeu que a produção não busca justificar o assassinato, mas contextualizar a trajetória de Elize antes do crime. Para ela, compreender esse percurso pode estimular reflexões sobre violência, relações abusivas e desigualdade de gênero, sem deixar de reconhecer a gravidade do caso. "É um crime bárbaro. Eu prefiro contar essa história e deixar que o público decida o que acha", declarou.
Lorena também comentou a repercussão que o caso ganhou nas redes sociais ao longo dos anos, especialmente entre pessoas que fazem memes ou demonstram admiração por Elize Matsunaga.
A artista foi categórica ao dizer que esse comportamento a preocupa. "Eu acho muito perigoso as pessoas serem fãs de uma assassina. É muito complexo", criticou.
Por fim, a atriz reforçou que, na sua visão, a violência nunca pode ser encarada como solução para relacionamentos abusivos ou conflitos. "A arma que a gente tem contra o machismo, que é tão estrutural, é a educação, o diálogo e a conversa", destacou.
"Acredito que esses debates possam ser feitos muito por meio da arte. Espero que esse filme gere essa oportunidade e, se houver qualquer identificação com a Elize nesse lugar, principalmente nas dinâmicas de relação, que essas pessoas procurem ajuda e saiam dessa relação, porque o final é muito horroroso", finalizou ela.
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