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A animação Guerreiras do K-Pop se tornou o filme mais assistido de toda a história da Netflix
O sucesso da animação Guerreiras do K-Pop, que se tornou o filme mais assistido de toda a história da Netflix, não era óbvio. Nem mesmo entre os próprios fãs do gênero musical sul-coreano, que enxergavam de maneira cética a produção norte-americana da gigante do streaming e da Sony. Afinal, não é de hoje que o ocidente tenta compreender (e aproveitar) o fenômeno. Agora, a Netflix parece ter mirado e acertado muito bem.
Segundo dados divulgados pela própria plataforma, a animação já soma 236 milhões de visualizações desde seu lançamento. Só na semana de 18 a 24 de agosto, foram 25,4 milhões --um número impressionante se levado em conta o fato de que ela já está disponível no catálogo desde junho. E Guerreiras do K-Pop não dá sinal de que esteja perdendo fôlego.
Além do sucesso na Netflix, a animação também tem bombado nas plataformas musicais. Quatro faixas da trilha sonora do filme alcançaram o Top 5 da Billboard Hot 100. De olho no sucesso, o streaming ainda lançou uma versão sing-along (cante junto, em tradução livre) da animação nos cinemas. Em apenas dois dias, a produção assumiu a liderança nas bilheterias.
A proximidade com o universo dos idols --como são chamados os artistas do k-pop--, a fidelidade à indústria e uma trilha sonora original são apenas alguns dos fatores que explicam o sucesso impressionante de Guerreiras do K-Pop. E, sobretudo, algo que o enredo do filme ressalta muito bem: o protagonismo dos fãs. Que, dentro e fora das telas, fez a diferença nessa história.
Para Samara Barboza e Nathalia Jesus, jornalistas, fãs de k-pop e produtoras de conteúdo sobre cultura coreana, o filme chama a atenção por se conectar de forma honesta com os fãs do gênero e, sobretudo, por não encarar o tema com olhos de "paródia".
Guerreiras do K-Pop resgata elementos que fazem parte da rotina dos idols, como fansigns, lightsticks e até o Idol Awards, uma referência às grandes premiações de fim de ano, além dos famosos music shows, que exigem meses de preparação para coreografias. Essa atenção aos detalhes fez com que os fãs se sentissem representados e curiosos com a animação.
O boca a boca nas redes foi fundamental, principalmente entre aqueles inicialmente céticos com a ideia de um filme falado em inglês sobre a indústria sul-coreana. A repercussão começou ainda antes do lançamento, quando internautas notaram referências a grupos de k-pop nos personagens.
Eventualmente confirmadas pelos diretores, essas inspirações geraram discussões acaloradas entre os fãs, que queriam ver seus artistas favoritos retratados na animação, mesmo que apenas como um "easter egg".
"Todo mundo queria que seu artista favorito tivesse servido de inspiração para a animação da Netflix. Eu acho que isso foi uma das coisas que podem ter ajudado a impulsionar, a se falar mais sobre Guerreiras do K-Pop nas redes sociais", explica Samara Barboza.
Idols de grandes grupos, como Stray Kids e BTS, também assistiram à animação e compartilharam suas impressões, reforçando a conexão entre fãs, artistas e o filme. E o sucesso da trilha se refletiu fora dele. Desafios de dança e covers de faixas como Golden viralizaram no TikTok. Essa interação reforçou ainda mais o engajamento e a popularidade da produção.
"Outra coisa que eu acho que foi muito importante para a popularização do filme também foram as vozes por trás. Eles trouxeram o Twice, que é gigante, e alguns nomes bem famosos também em k-dramas; por exemplo, o personagem Jinu é dublado pelo Ahn Hyo-seop, que é o protagonista de Pretendente Surpresa [2022]", explica Nathalia Jesus.
A trilha sonora do filme é quase toda original, com exceção de duas músicas do Exo e do Twice, e apresenta composições que se aproximam do som típico do k-pop, com melodias cativantes e notas altas que remetem a grupos como IVE e Blackpink --ou seja, algo que os fãs de fato querem ouvir no dia a dia.
Para os admiradores do gênero, essas referências tornam a experiência ainda mais divertida e imersiva. "Eu acho que eles fizeram uma pesquisa bem boa, depois as pessoas olharam e viram: 'Cara, esse não é um filme paródia', sabe? Não é tipo a novela Volta por Cima [2024], que tratou o k-pop como uma coisa meio constrangedora, meio ridícula", compara Nathalia.
Na mesma semana em que Guerreiras do K-Pop fez história na Netflix, o Apple TV+ também decidiu pegar carona e lançou na última sexta (29) uma série de batalhas musicais de oito episódios chamada KPopped - Sem Fronteiras.
Estrelada por Psy, do fenômeno mundial Gangnam Style, e por Megan Thee Stalion, o programa reúne alguns nomes da música ocidental e os principais ídolos do k-pop para reimaginações de canções conhecidas do público.
Em cada episódio, ícones ocidentais reimaginam uma de suas maiores canções, colaborando com ídolos do k-pop para entregar performances colaborativas nos palcos, com apenas um curto período de tempo para ensaiar. Tudo para uma plateia ao vivo em Seul, capital da Coreia do Sul, que escolhe a vencedora entre as novas músicas.
A Netflix, por sua vez, também tem feito de tudo para não perder o fenômeno de vista. Não é por acaso que já circulam boatos de que a plataforma deseja fazer da animação sua nova franquia, com a encomenda de continuações e de um remake live-action (com atores de carne e osso). Mas a plataforma e a Sony Pictures Animation ainda não confirmam que novos filmes vêm aí.
De olho na boa aceitação do público, o streaming já inscreveu a produção no Oscar 2026 e tem boas chances de levar uma estatueta para casa. Além de uma indicação a melhor animação --na qual já venceu em 2022, com Pinóquio por Guillermo Del Toro--, o longa também pode emplacar uma (ou mais) de suas músicas na categoria melhor canção original.
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