A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
DARK HORSE
REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Jair Bolsonaro; filme sobre a vida do ex-presidente teria recebido dinheiro de Daniel Vorcaro
O valor de R$ 134 milhões pedido pelo senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), supera os orçamentos de diversas produções recentes que foram aclamadas pela crítica especializada e se tornaram vencedoras do Oscar ou, no mínimo, indicadas a mais importante premiação do cinema mundial.
A título de comparação, a cinebiografia de Bolsonaro, intitulada Dark Horse (gíria para Azarão em inglês), é mais cara do que Ainda Estou Aqui (2024) e O Agente Secreto (2025), os dois maiores sucessos do audiovisual brasileiro nesta década, juntos.
Vencedor do Oscar de melhor filme internacional em 2025, Ainda Estou Aqui custou R$ 45 milhões, até então a produção mais cara do cinema nacional. O longa estrelado por Fernanda Torres não captou recursos de entidades públicas e foi financiado por iniciativas privadas.
O Agente Secreto, que foi indicado a quatro Oscars em 2026 e venceu o Globo de Ouro, custou ainda menos: R$ 28 milhões no total. Esse valor também foi bancado por financiadores internacionais.
Orçamento de Dark Horse também supera o de outros clássicos do cinema brasileiro: os três filmes somados da franquia Minha Mãe É Uma Peça custaram cerca de R$ 22 milhões; O Auto da Compadecida 2 custou R$ 30 milhões; Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora É Outro, precisou de R$ 12,5 milhões; e Cidade de Deus teve orçamento de R$ 8 milhões.
Há ainda filmes internacionais que venceram a principal categoria do Oscar e que custaram mais barato que Dark Horse. Confira alguns casos recentes:
Flávio Bolsonaro entrou em contato com Daniel Vorcaro para solicitar ajuda no financiamento sobre o filme do pai. O longa é estrelado pelo norte-americano Jim Caviezel, conhecido por ter vivido Jesus em A Paixão de Cristo (2004).
Vorcaro teria prometido R$ 134 milhões para custear o filme. Desse total, o banqueiro teria repassado R$ 61 milhões entre fevereiro e março de 2025, segundo o The Intercept Brasil.
Após cessar os pagamentos, Flávio Bolsonaro passou a cobrá-lo pelo resto da quantia em conversas reveladas agora. O senador, que até marcou um jantar para apresentar Caviezel a Vorcaro, admitiu ter pedido dinheiro ao banqueiro, mas negou que tenha qualquer ato ilícito nisso.
O caso é investigado pela Polícia Federal para apurar possíveis irregularidades nos repasses que, supostamente, foram usados para custear a cinebiografia.
Apesar de Flávio Bolsonaro ter confirmado o pedido de dinheiro feito por ele mesmo a Vorcaro para custear o filme, a produtora do longa, a GoUp Entertainment, negou ter recebido "um centavo" sequer do banqueiro.
"A GoUp Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do senhor Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário", disse a produtora em nota enviada à imprensa após a divulgação do áudio do senador.
Vale destacar que foi o próprio senador quem afirmou haver um acordo com Vorcaro para financiar o filme. "Sim, tinha um contrato que, ao ele não pagar essas parcelas, tinha uma grande chance de o filme sequer ser veiculado, sequer ser concluído", declarou o filho de Bolsonaro em um vídeo divulgado na noite da quarta-feira (13).
Dark Horse ainda não tem data de estreia prevista. Anteriormente, a produção tinha lançamento marcado para setembro, mas o site Deadline informou que os produtores ainda tentam vender a obra, para depois anunciar a estreia.
© 2026 Notícias da TV | Proibida a reprodução
TUDO SOBRE
Ainda Estou Aqui
Cidade de Deus
Cinema
Flávio Bolsonaro
Jair Bolsonaro
Minha Mãe É Uma Peça
O Agente Secreto
O Auto da Compadecida
Oscar
Tropa de Elite
Mais lidas
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.