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DARK HORSE
Divulgação/GoUp e Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ator Jim Caviezel vive Jair Bolsonaro no filme Dark Horse; celebração em dia da prisão
Envolto em controvérsias por causa do suposto investimento milionário de Daniel Vorcaro em sua produção, o longa Dark Horse foi marcado por um momento surreal durante as filmagens. No dia em que Jair Bolsonaro foi preso, a equipe fez uma grande festa nos bastidores, com direito a brindes acompanhados por champanhe.
Segundo reportagem do jornal O Globo, a celebração foi uma coincidência. É uma tradição no cinema que todos brindem quando os trabalhos chegam no centésimo rolo de filme --na era do digital, o rolo foi substituído pelo cartão de memória de número 100.
Conforme os cartões iam sendo usados, as lideranças do projeto começaram a planejar a festa para o centésimo. Mas o evento ocorreu em 22 de novembro do ano passado, justamente o dia em que o ex-presidente foi preso.
De acordo com o jornal, a equipe progressista fez questão de manter o brinde e a celebração, sob a desculpe de que estavam comemorando o chamado "rolo 100". O roteirista Mario Frias e outras lideranças bolsonaristas, porém, ficaram apenas se lamentando pelos cantos.
O racha entre a equipe era evidente desde o primeiro dia. Tradicionalmente, pessoas que trabalham com arte pendem para a esquerda no espectro político, enquanto os cabeças de Dark Horse são obviamente de direita e discípulos de Jair Bolsonaro.
Para evitar conflitos, a direção determinou que ninguém da equipe poderia usar roupas vermelhas --associadas ao PT-- ou bonés e camisetas com símbolos de grupos como o MST. Por outro lado, os bolsonaristas trajavam peças com a bandeira dos Estados Unidos adornadas por fuzis, o que gerou reclamações dos trabalhadores progressistas.
A reportagem também contou que alguns profissionais que participaram de Dark Horse chegaram a perder outros trabalhos por conta de seu envolvimento no filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. Muitos também resistiram em sequer aceitar o projeto, só topando porque os cachês estavam muito acima da média oferecida pelo mercado audiovisual.
A produção também apostou na megalomania. As filmagens duraram cerca de dez semanas, um tempo longo para um projeto do gênero, boa parte das cenas contava com entre 250 e 300 figurantes e com até cinco equipes de câmeras diferentes --o usual no cinema é trabalhar com duas.
Isso ajuda a explicar o custo elevado da produção. O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões para Vorcaro, valor que supera o orçamento de muitos longas vencedores do Oscar. A produtora do longa, a GoUp Entertainment, negou ter recebido "um centavo" sequer do banqueiro.
"A GoUp Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do senhor Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário", disse a produtora em nota enviada à imprensa após a divulgação do áudio do senador.
Vale destacar que foi o próprio senador quem afirmou haver um acordo com Vorcaro para financiar o filme. "Sim, tinha um contrato que, ao ele não pagar essas parcelas, tinha uma grande chance de o filme sequer ser veiculado, sequer ser concluído", declarou o filho de Bolsonaro em um vídeo divulgado na noite da última quarta-feira (13).
Dark Horse ainda não tem data de estreia prevista. Anteriormente, a produção tinha lançamento marcado para setembro, mas o site Deadline informou que os produtores ainda tentam vender a obra, para depois anunciar a estreia.
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