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SEXO E VIOLÊNCIA

Diretora 'fênix' do cinema nacional, Carla Camurati critica produção atual: 'Encaretou'

DIVULGAÇÃO/AGÊNCIA BRASIL

Atriz e diretora Carla Camurati

Carla Camurati, 30 anos após dirigir Carlota Joaquina, Princesa do Brazil

GIOVANNA RIBEIRO

giovanna@noticiasdatv.com

Publicado em 5/8/2025 - 17h20

Trinta anos após o lançamento de Carlota Joaquina, Princesa do Brazil (1995), a diretora Carla Camurati revisita este que é o principal marco da Retomada do Cinema Brasileiro. Agora, em uma versão remasterizada, que estreia nos cinemas em 14 de agosto. Ela, no entanto, não acredita que o filme --o primeiro de sua carreira como cineasta-- se limita a uma celebração do passado. Carlota ainda é capaz de provocar o circuito atual, que, segundo a diretora, está cada vez mais "careta". 

Carla Camurati esteve presente em coletiva de imprensa realizada na terça-feira (5) para divulgar o retorno de Carlota Joaquina aos cinemas, ao lado dos protagonistas Marieta Severo (Carlota), Marco Nanini (Dom João) e Marcos Palmeira (Dom Pedro 1º).

Durante o evento, a atriz e diretora declarou que o moralismo tem dominado as produções nacionais atuais e sufocado temas como desejo e a liberdade sexual. "O cinema foi invadido por uma camada moralista em que com a violência ninguém se importa. Agora, se eu sair dando um beijo na boca de cada um, vai ser um escândalo", disse.

Carlota Joaquina vai na contramão daquilo que Carla Camurati considera careta. Na sua estreia, em 1995, o longa desafiou o tradicional ao tratar da história do Brasil com humor e ousadia.

Nossos filmes entraram em um processo moral. Tudo está impregnado de violência. Mas Carlota é um filme que tem liberdade para, inclusive, falar de sexo. O nosso cinema hoje, em grande parte, 'encaretou' muito e no meu ponto de vista, ele trocou o sexo pela violência.

Carlota Joaquina, Princesa do Brazil tentava alcançar um país recém-saído da paralisação da produção cinematográfica nacional durante o governo do presidente Fernando Collor, no início dos anos 1990.

Collor extinguiu a Embrafilme como parte de um Plano Nacional de Desestatização. A medida causou uma grande crise no cinema brasileiro, visto que a estatal era a principal responsável pela produção, financiamento e distribuição de filmes nacionais.

Carlota Joaquina conseguiu o feito de botar o pé na porta da Retomada e fazer filas nas salas de cinema. O filme foi considerado um sucesso. Algo que, ainda nos dias de hoje, dá muito orgulho para seus realizadores --que, mesmo com todas as limitações de produção, conseguiram equilibrar o autoral com o popular.

A trama, que funciona como uma espécie de fábula, acompanha a jovem princesa espanhola enviada a Portugal para se casar com o introvertido João e avança até a chegada da corte portuguesa ao Brasil. A nova exibição de Carlota Joaquina acontecerá em dez capitais brasileiras, em cópias restauradas e com recursos de acessibilidade.


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