A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
ANITA BARBOSA
ENY MIRANDA/DIVULGAÇÃO

O ator Tony Ramos com a diretora Anita Barbosa durante as filmagens de Se Eu Fosse Você 3
A diretora Anita Barbosa promove uma virada no tom de Se Eu Fosse Você 3 ao deslocar o elemento central da franquia, a troca de corpos, para segundo plano. O novo filme, que chega aos cinemas em setembro, mantém o DNA de comédia, mas aposta em uma abordagem mais voltada às relações e à experiência emocional dos personagens.
"O filme continua sendo para a família. É um filme confortável, muito agradável de se assistir, e a gente tentou seguir essa linha", explica a cineasta ao Notícias da TV. A diferença está no foco, que deixa de girar prioritariamente em torno da troca física para explorar o que ela representa.
"Esse filme trata muito mais do aspecto do ser humano em si do que da questão física da troca de corpos. A gente fala mais sobre o lugar que você ocupa do outro. Não apenas o corpo", adianta Anita. A proposta é aprofundar a ideia de empatia, ampliando o alcance da comédia.
A diretora resume a nova fase da franquia em um conceito central: parceria. "A comédia romântica saiu um pouco da busca do par perfeito e passou a olhar mais para o encontro consigo mesmo", diz.
O longa volta às vidas de Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Gloria Pires) duas décadas depois, agora em outra etapa, diante de um novo desafio que testará a dinâmica familiar deles. O primeiro filme da franquia foi lançado em 2006, e o segundo três anos depois.


A diretora Anita Barbosa (Arquivo Pessoal)
A mudança de abordagem acompanha também a evolução do público e do gênero. Para Anita, Se Eu Fosse Você 3 dialoga com um momento em que as comédias românticas passam a discutir temas contemporâneos, inclusive os complexos, sem abrir mão do entretenimento.
Ela assume a direção após ter participado da base da franquia. "Eu fui assistente do Daniel Filho nos dois outros filmes. Agora, estou dirigindo o terceiro e, para mim, é uma honra, um desafio", afirma.
A cineasta conta que tem todo o apoio do criador da saga e a presença de profissionais remanescentes como fatores que asseguram continuidade ao projeto. O filme passa atualmente por um longo processo de pós-produção.
A gente terminou de filmar em 30 de agosto do ano passado e não parou em nenhum momento de lá para cá. São muitas equipes envolvidas na finalização. As pessoas falam: 'Filmaram em quatro semanas, só isso? E depois um ano para finalizar?'. É isso mesmo.
Além da estreia, Anita já se prepara novos trabalhos e busca diversificar sua atuação. "Eu gostaria de ter convites para contar histórias diversas, ter liberdade de dirigir diferentes gêneros", comenta. Entre os próximos projetos está o thriller Sombras, uma guinada na carreira marcada por comédias.
Ao final da entrevista, a cineasta também faz uma reflexão sobre sua trajetória e o momento atual do audiovisual. Para ela, a experiência acumulada ao longo dos anos segue sendo seu principal ativo dentro da indústria. "O maior bem que eu possuo é a minha experiência."
A diretora defende a importância de os jovens profissionais não pularem etapas e valorizarem o aprendizado prático. Ao mesmo tempo, Anita reconhece as transformações do mercado, com novas tecnologias e mudanças de linguagem. "A gente tem que se adaptar", fala, ao ser questionada sobre a chegada de ferramentas como a inteligência artificial.
Ainda assim, Anita ressalta que o olhar humano continua sendo insubstituível no processo criativo. "A gente lida com sentimentos", completa.
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