A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
GUSTAVO BONAFÉ
DIVULGAÇÃO/BUENA VISTA INTERNATIONAL

Giovanna Antonelli e Alice Wegmann em Rio de Sangue; filme de ação jogou atrizes na lama
Rio de Sangue, filme nacional de ação que chega aos cinemas nesta quinta-feira (16), foi um teste de resistência física e emocional em meio à natureza para o elenco. Segundo o próprio diretor, Gustavo Bonafé, as protagonistas Giovanna Antonelli e Alice Wegmann precisaram abandonar toda e qualquer vaidade e embarcar em uma imersão no Norte do país, marcada pelo contato direto com a lama e as adversidades da floresta amazônica.
Em entrevista ao Notícias da TV, o diretor defende que a escalação do elenco partiu do desejo de, justamente, "quebrar" as expectativas do público. "A Giovanna topou de cara. O que mais a empolgou foi quando eu disse: 'Quero te tirar de tudo o que você já fez'. Ela até está acostumada a fazer delegadas e policiais, mas essa personagem é o oposto. Ela não tem traquejo social, não sabe lidar bem com os outros e nem com a própria filha", afirma o diretor.
Bonafé reforça que a entrega das protagonistas foi total, mesmo que para isso, tenha sido necessário abrir mão da imagem já consolidada na televisão. "A Giovanna é supercomunicativa, e as personagens dela geralmente são amadas logo de cara. A Patrícia Trindade, não. Ela é uma pessoa difícil, cheia de dilemas éticos, que comete erros... Além disso, eu avisei: 'Vou te jogar na lama'. Ela aparece sem maquiagem, sem vaidade, nua e crua. Ela mergulhou de cabeça nesse desafio", diz ele.
Na trama, Giovanna interpreta Patrícia Trindade, policial afastada após uma operação fracassada e jurada de morte pelo alto escalão do narcotráfico. Ao lado de Giovanna, Alice Wegmann também lidera a história no papel de Luiza.
A filha de Patrícia é médica e integrante de uma ONG que atua junto a populações indígenas no Alto Tapajós. Na trama, a personagem vai para mais uma expedição humanitária. Contudo, o que parecia ser uma ação rotineira transforma-se em uma emboscada, e Luiza acaba raptada por garimpeiros.
Segundo o diretor, Alice Wegmann encontrou no set, instalado em Santarém, no Pará, o estímulo necessário para sua atuação. "A Alice também se animou assim que soube que filmaríamos no Pará. Como ela é 'superatleta' e forte, adorou a parte física e as aventuras da personagem. No fim das contas, bons atores gostam de desafios e odeiam se repetir. Foi mais fácil convencer as duas do que parece", conta Bonafé.
Ao saber do rapto, com o relógio correndo e a vida de Luiza em jogo, Patrícia precisa usar toda a sua coragem e experiência para resgatá-la. Mas de acordo com o diretor, a distância física entre as duas personagens foi um dos maiores desafios para "amarrar" a trama, que, apesar de ser focada na ação, também precisa defender o vínculo entre mãe e filha.
"Eu conversei muito com a Giovanna e com a Alice sobre como construir a relação das duas. O desafio era grande porque elas têm poucas cenas juntas no filme. O roteiro é focado na jornada da mãe indo atrás da filha e demora muito para elas se reencontrarem. E, quando finalmente ficam juntas, quase não há tempo para conversar, porque o filme vira uma montanha-russa de fuga e perseguição", explica Gustavo Bonafé.
Mesmo com o pouco tempo de tela compartilhado entre as duas, o diretor destaca a potência dos embates entre as personagens. "A gente achou um tom legal. Engraçado que, até quando elas discutem feio, você sente que ali tem intimidade, tem dor e uma história bem estabelecida. Eu acredito que, quando as pessoas param de brigar e ficam no silêncio, é porque a relação morreu. Elas discutem justamente porque ainda existe amor", ressalta.
Além de Giovanna Antonelli e Alice Wegmann, Rio de Sangue conta ainda com Felipe Simas, Antonio Calloni, Sérgio Menezes e Ravel Andrade no elenco. O diretor elogia o trabalho de composição e a entrega dos vilões da história.
"Os vilões, tanto o Polaco [Calloni] quanto o Baleado [Simas], já estavam muito bem escritos e interessantes no roteiro. O Polaco tinha um texto excelente, e o Baleado, embora falasse menos, tinha uma presença e atitudes bem sinistras. Foi muito divertido montar o visual deles com os atores e com a minha equipe de caracterização", adianta ele.
"O look do Baleado surgiu de uma troca muito legal. O Felipe trouxe referências de um cabelo raspado e sugeriu as cicatrizes na cabeça, já que o personagem é 'todo ferrado', e a gente abraçou na hora. O Felipe queria mesmo mudar o visual, fugir do comum, e combinou perfeitamente. Já o Calloni trouxe a ideia do dente de ouro, e colocamos", conta.
O cineasta destaca ainda o potencial dos antagonistas e refletiu sobre a "humanidade" dos criminosos --o que, segundo ele, também serve para gerar conexão com o público.
"Acho que os vilões ficaram muito reais, especialmente no discurso. Eles trazem aquela mentalidade que a gente sabe que existe na exploração sem limites: a ideia de que 'se Deus colocou o ouro na terra, é para tirar'. Retratamos essa violência nua e crua, mas também trouxemos um pouco de humor entre os garimpeiros. Afinal, até criminoso tem senso de humor, e isso traz camadas para o filme", conclui o diretor.
Rio de Sangue estreou nesta quinta-feira (16) nos cinemas. Veja o trailer:
© 2026 Notícias da TV | Proibida a reprodução
Mais lidas
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.