WAGNER DE ASSIS

Diretor de Nosso Lar rejeita rótulo cristão e reclama de preconceito contra filmes de fé

REPRODUÇÃO/STAR

Renato Prieto, Fábio Lago e Edson Celulari em Nosso Lar 2

Renato Prieto, Fábio Lago e Edson Celulari em Nosso Lar 2; franquia ainda vai aumentar

GIOVANNA RIBEIRO, do Rio de Janeiro

giovanna@noticiasdatv.com

Publicado em 5/6/2026 - 9h00

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O diretor Wagner de Assis, nome por trás da franquia Nosso Lar, que já levou milhões de espectadores aos cinemas brasileiros, rejeitou o rótulo de "filme espírita" que suas obras --inspiradas em livros psicografados por Chico Xavier (1910-2002) e outros nomes fortes do espiritismo-- ganharam no mercado nacional. Para ele, limitar as histórias a uma caixa tão estreita não deixa de ser uma forma de preconceito.

O cineasta falou sobre o assunto durante o painel A Fé Move Montanhas e Engaja Audiências, no evento Rio2C. "Primeiro que o espiritismo não é gênero de cinema, não é gênero narrativo. O espiritismo é uma coisa, o cinema é outra coisa", ressaltou ele.

"O espiritismo ajuda o gênero dramático, por assim dizer. Eu particularmente acho interessantíssima a espiritualidade em um contexto geral. E aí eu me coloquei à disposição para fazer isso", resumiu o diretor.

O primeiro longa da franquia Nosso Lar levou mais de 4 milhões de pessoas aos cinemas em 2010. O segundo filme, Nosso Lar 2: Os Mensageiros, lançado em 2024, também "fez bonito" e conseguiu atingir a marca de 1 milhão de espectadores logo nos primeiros 10 dias em cartaz.

Para Assis, os números e a repercussão das obras indicam que não só espíritas ou estudiosos da obra de Chico Xavier se interessam pelas histórias.

"Todos os filmes que a gente fez e faz, a gente pensa que todas as pessoas de qualquer lugar do mundo podem ver esse filme. Se a resposta for 'sim', a gente encontrou o caminho. Então, talvez a gente esteja construindo um grande escopo de mercado que conecta o público a partir de um tema universal."

No painel, ao lado de Ygor Siqueira (produtor executivo e um dos principais estrategistas do cinema cristão no Brasil) e Carolina Minardi (roteirista e consultora de longas-metragens de fé), o diretor ainda confessou sentir um desconforto sempre que é questionado sobre sua religião --e disse acreditar que isso não é capaz de interferir em seu trabalho.

"Mas isso não tem que impactar o set, ser agnóstico, ou qualquer tipo de religião... E acho inclusive que eu não deveria nem pensar o tipo de religião da pessoa que vai ver o filme, porque ela tem que assistir ao que ela quer. Isso foi e é um desafio para os projetos", disse ele.

"Infelizmente, sempre aparece essa pergunta [para mim]: 'Qual é a sua religião?'. Para dizer que, se não for espírita, não pode fazer filmes baseados no espiritismo. É horrível isso. Se eu perguntar para alguém qual é a religião dessa pessoa que quer trabalhar comigo, ela me processa", apontou.

Para Assis, apesar de o mercado composto por pessoas interessadas em filmes de fé estar em constante expansão no Brasil, o preconceito contra obras inspiradas em temas religiosos ainda é algo a ser combatido.

"A história de Jesus é uma história mitológica. Ou seja, o preconceito é o que impede as pessoas de irem ao cinema ver o filme. E essa é uma briga importante, uma guerra importante de ser travada porque, ao derrubar o preconceito, a gente ajuda o próprio entendimento do outro. Ou seja, é quando alguém de determinada religião, de uma crença, consegue ver um filme que fala sobre outra crença com respeito. Ninguém quer mudar a ideia de ninguém. Não é assim que funciona", refletiu.

"Então, também não faz sentido você colocar um projeto na tela e dizer assim: 'Porque você acredita nisso, você tem que ver'. Óbvio que a gente faz o Nosso Lar para o espírita. Mas foram mais de 4 milhões [de espectadores]. A gente que está realizando precisa sempre dizer: arte é para todos. Eu particularmente gosto de pensar que estamos construindo histórias para todas as pessoas", disse ele.

Nosso Lar 3: Vida Eterna, terceiro filme da franquia, já é aguardado para chegar aos cinemas no início de 2027. Segundo o diretor, a estrada de possibilidades da história ainda é longa --e ele até a comparou com a franquia Velozes e Furiosos.

"O Nosso Lar é uma franquia já estabelecida, e vem aí o Nosso Lar 3, 4, 5, 6... sete não, né? Porque aí vira Velozes e Furiosos (risos). Mas enfim, a gente tem temas muito interessantes para transformar em histórias. Então, eu coloco óculos espirituais forjados nessa ideia de que as pessoas, as que acreditam nisso ou não, podem ver [os filmes]", resumiu.

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