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O INIMIGO AGORA É OUTRO

De vilã a vítima: Como O Diabo Veste Prada 2 transforma o ícone Miranda Priestly

DIVULGAÇÃO/DISNEY

A atriz Meryl Streep com expressão séria, de óculos de grau, em cena de O Diabo Veste Prada 2

Miranda Priestly (Meryl Streep) em O Diabo Veste Prada 2; personagem passa por transformações

FERNANDA LOPES

fernanda@noticiasdatv.com

Publicado em 29/4/2026 - 16h00

Miranda Priestly (Meryl Streep) se tornou um ícone do cinema e da cultura pop com a estreia de O Diabo Veste Prada em 2006. O jeito arrogante, exigente e implacável dela, somado a looks impecáveis e a um toque de humor, tornou-a uma das vilãs mais queridas do público. Em O Diabo Veste Prada 2, que estreia nesta quinta (30), a editora ressurge com a mesma essência, mas agora é vítima de inimigos maiores e mostra sua vulnerabilidade.

[Atenção: este texto pode conter spoilers]

Vinte anos depois da estreia do filme original, a sequência consegue um feito: evolui e atualiza a história sem piorá-la. Entrega nostalgia e belas cenas de desfiles de moda, mas também aprofunda a trama e traz referências que provocam risadas --muitas vezes de nervoso.

Na nova história, Andy (Anne Hathaway) volta a trabalhar na revista Runway, desta vez como editora de reportagens. Ela é chamada para fazer matérias que possam dar mais credibilidade e conteúdo sério à publicação.

Ao retornar, a ex-assistente se surpreende com Miranda: a poderosa chefona agora precisa seguir algumas normas politicamente corretas para não ter problemas com o RH.

Miranda guarda os próprios casacos, em vez de jogá-los na mesa da assistente, e sabe que não pode falar absurdos sobre certos temas, como o peso das pessoas. A essência dela como uma mulher difícil de lidar e cheia de vontades, no entanto, continua.

Andy sofre de início, mas logo fica claro que as duas terão de unir forças contra um inimigo maior: a crise do jornalismo e da mídia como um todo. A Runway não tem o mesmo prestígio nem a mesma relevância que já teve no passado, muito menos a mesma verba.

Após um incidente divisor de águas na história, Andy tenta salvar os empregos de todos e evitar que a Runway caia nas mãos de pessoas piores do que Miranda: homens no estilo "tech-bros", que nada entendem de moda, só pensam em dinheiro e acham que trocar todo o trabalho artístico da revista por inteligência artificial pode ser uma boa ideia.

A própria Miranda ganha novas camadas com os desdobramentos da trama. Ela aparece mais vulnerável, sem saber o que fazer, questionando sua permanência neste mercado e suas atitudes.

Essa suposta humanização da personagem pode desagradar a parte do público, por mostrar uma Miranda diferente, mais "enfraquecida", diferente da personagem que se tornou um ícone justamente por ser durona.

Ainda assim, o filme segue a evolução que o mundo teve de 20 anos para cá. Miranda continua difícil, mas agora tem uma mínima noção do que é tolerável ou não no ambiente de trabalho. E os dragões com quem ela luta desta vez são muito piores do que os looks terríveis de Andy no primeiro filme.


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