A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
GABRIEL GENTIL
Divulgação/TV Globo e Reprodução/Instagram

Gabriel Gentil contracena com Leandro Hassum em filme e com a mãe de Paulo Gustavo em musical
O ator e dublador Gabriel Gentil, de apenas 12 anos, tem no currículo uma feliz coincidência: foi escalado para retratar a infância de três lendas da comédia em obras recentes. Depois de interpretar Renato Aragão e Paulo Gustavo (1978-2021) em musicais no Rio de Janeiro, o artista dá vida à versão mirim de Leonardo, vivido por Leandro Hassum no filme Voltei na Foto, que estreia neste sábado (8), às 22h, no Telecine Premium.
Gentil relata que o filme tem inspiração em situações da infância de Hassum, que, assim como o personagem, sofreu bullying por ser diferente dos outros meninos da época. "A gente teve muitas conversas, porque o filme é inspirado na vida dele. Ele é a representação do Leozinho. Fui aprendendo muitas coisas com ele", recorda o ator mirim ao Notícias da TV.
A trama retrata um homem que chega aos 50 anos frustrado com a vida pessoal e profissional. Depois de um incêndio, seu pai, Álvaro (Tony Ramos), passa a morar com ele, e a relação conturbada resulta em uma série de conflitos. Chateado após uma discussão, Leonardo se depara com uma foto de 1986, que o teletransporta no tempo. Ele, então, passa a conviver com sua versão de 12 anos e com os pais, sem revelar que veio do futuro.
Leonardo tem a oportunidade de reescrever o passado e diminuir o impacto das vivências ruins da infância. Para Gentil, o filme é uma excelente oportunidade para que as novas gerações reflitam sobre o bullying.
"É uma experiência que acho que pode ajudar quem sofreu bullying e pode conscientizar quem faz bullying de que é errado, que pode ocasionar traumas. A maior parte dos traumas de Leonardo no filme vêm de situações do passado. É uma geração com outra abordagem", pontua.
Embora só estreie depois dos musicais que deram destaque a Gentil, o filme foi gravado no ano passado, como o primeiro trabalho da carreira do jovem artista. "Eu entrei leigo. Nunca tinha feito nada parecido na vida, nunca tinha feito série ou novela. Inclusive, estou disponível (risos)", avisa.
No set, Gentil teve a mentoria luxuosa do elenco, que, além de Hassum, também conta com Regiane Alves e Augusto Madeira. "Eles me deram conselhos para a vida pessoal e para o set mesmo. Por exemplo, eu não sabia que tem cena à noite que nem sempre é gravada à noite. É tudo por causa da luz. Aprendi demais com eles!", relembra, encantado.
Gentil se interessou por teatro por volta dos três anos, graças à peça Os Saltimbancos. Foi na pandemia que essa paixão se voltou ainda mais aos musicais, depois que foi apresentado pela mãe, a jornalista Anna Carolina Vilela, a uma montagem de O Rei Leão na Broadway.
No primeiro semestre deste ano, Gentil praticamente emendou os musicais sobre as trajetórias de Renato Aragão (O Adorável Trapalhão) e Paulo Gustavo (Meu Filho É um Musical). Ele confessa que foi um grande desafio suprir a falta de materiais para compor a infância destas personalidades.
"É uma grande responsabilidade dar vida a esses gênios da comédia brasileira. É um trabalho muito grande, porque não existem registros deles crianças; tem fotos, no máximo. A gente tem que pegar a essência deles e transformar na criança. É quase uma criação", aponta.
Além de consumir as obras de Paulo Gustavo, Gentil escutou atentamente as histórias de vida do comediante nos bastidores. O espetáculo conta com pessoas que trabalharam e conviveram com o artista --das camareiras aos diretores, Ju Amaral e João Fonseca, respectivamente, irmã do humorista e responsável por Minha Mãe É Uma Peça.
"Eram dessas histórias que a gente ia puxando as nossas nuances. Falavam, por exemplo, que o Paulo Gustavo tinha um lado tímido", expõe o ator. "Alguns dias, eu até brincava de falar igual a ele com a minha mãe, imitando a dona Hermínia. 'Ieza [irmã da protagonista na trilogia Minha Mãe É Uma Peça], eu vou pegar esse pudim e vou esfregar na cara dela' (risos)."
Embora confesse ter pouca familiaridade com a obra de Aragão, Gentil conseguiu a oportunidade de conviver com o intérprete de Didi, que prestigiou todas as sessões do espetáculo durante a temporada no Rio.
"Com todo respeito, ele não tem 91 anos! Ele tem muita energia, é uma pessoa muito agitada, muito feliz. Isso é uma coisa que eu gosto muito nele. Mesmo com 91 anos, ele continua ativo, do jeitinho que ele era mesmo", detalha.
O musical sobre Paulo Gustavo estreia em São Paulo no próximo dia 20, mas Gentil não retorna ao elenco, já que reside no Rio de Janeiro. Ele, no entanto, brinca que o novo filme vai suprir essa falta.
"Agora, vou ter outro trabalho que vai preencher esse vazio do musical, que é o filme. Estou muito feliz. Alguns amigos meus gostam de dizer que eu sou inimigo do desemprego (risos)", encerra.
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