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ELIS & EU
REPRODUÇÃO/UNIVERSAL+

Lílian Menezes e Antônio Menqui representam Elis Regina e João Marcello Bôscoli em documentário
Elis Regina (1945-1982) é o tema de um novo documentário, que estreia na próxima terça-feira (25), no Universal+. Baseada na obra de João Marcello Bôscoli, filho da lenda da MPB, a produção une depoimentos, imagens de arquivo e dramatização da vida da cantora. O projeto nasceu de um trauma na infância do primogênito da artista.
Ao Notícias da TV, Bôscoli relembra o exercício de memória que fez no livro Elis e Eu: 11 Anos, 6 Meses e 19 Dias com Minha Mãe (2019) e como mantém viva a imagem de uma das maiores vozes que o Brasil já escutou.
Segundo o produtor musical, a obra só existe por conta de um forte trauma na infância. "Perguntei para neurologistas, amigos e médicos, de maneira bem tranquila, que me dizem que eu só consegui reunir e manter tudo isso por causa da morte dela. Se ela não tivesse morrido, eu não teria enxergado tanta importância, de maneira até inconsciente, em guardar tudo aquilo", diz.
Na infância, a memória costuma ganhar força por volta dos sete anos. Para um pré-adolescente de 11 anos, forçar mais o cérebro virou um ato de amor para preservar a mãe no coração.
"Foi como um ato de sobrevivência de uma criança. Então, sem a morte dela, não teria o livro. Talvez as minhas memórias fossem outras do mesmo período. Se ela estivesse viva no dia seguinte ao que ela morreu, teriam novas memórias. Mas, mesmo tratando do que vivemos, dali para trás, talvez eu não lembrasse tanto", analisa.
Com as lembranças eternizadas no livro, veio o pedido para transformar as páginas em audiovisual. Após relutar inicialmente, Bôscoli acabou cedendo:
"Eu fiquei inicialmente encabulado, um pouco constrangido. Fiquei com aquele temor de o cara estar se envolvendo em alguma coisa que não não ia dar certo, ele ter um prejuízo", brincou.
O artista não se envolveu com a produção diretamente. Segundo ele, a sua contribuição já estava no livro. "Eu dei o depoimento quando eu fui convocado e estou aqui agora [na divulgação]. Assisti ao documentário pronto. Assim como assisti o filme do Hugo Prata, Elis [2016], só pronto no cinema".
Para Bôscoli, essa postura de não intervir em produções audiovisuais sobre a mãe é uma mensagem clara: quem quiser produzir conteúdo sobre Elis Regina terá total liberdade.
"Eu acho que a mensagem é muito ruim quando uma família manda ficar tutelando as iniciativas. Acho que uma das principais razões de haver tantas iniciativas ligadas a Elis é porque a gente não se mete, a gente deixa as pessoas trabalhando", defende.
Por não ter herdeiros enchendo o saco, João Marcello Bôscoli acredita que o legado de Elis Regina está preservado. Para ele, mesmo quem deseja se aventurar na história dela sem amarras opta por uma abordagem respeitosa.
O fato de eu ser filho da Elis me dá algum tipo de conhecimento de roteiro? Qualquer pessoa que me ligar e quiser fazer algo sobre a Elis, eu respondo. Agora, ser filho não me dá o direito de interferir. Tem outros artistas do Brasil e do mundo que ninguém quer mexer porque dá problema. Eu nunca senti desrespeito ou uma ausência de preocupação [com a imagem dela]. É sempre nessa: 'Deixa eu fazer com muito carinho, com muito cuidado'.
O documentário Elis & Eu mergulha fundo em aspectos mais pessoais e emocionais da cantora. Com a carreira já devidamente retratada e de conhecimento geral, o foco agora é mostrar como uma das maiores lendas da música nacional era, também, uma pessoa legal.
"Eu acho que é uma figura que conseguiu criar uma harmonia muito legal entre a vida pessoal e a vida profissional. Ela se alimentou muito da vida pessoal. Nunca se deu essa importância toda", diz o filho.
"Acho que é possível imaginarmos uma grande artista que seja também uma pessoa amorosa, solidária e interessante. Nem toda estrela precisa ser no campo pessoal uma figura infantil, egoísta e bêbada de si", complementa.
João Marcello Bôscoli cita uma passagem da vida da mãe que o marcou, apesar de só ter tomado conhecimento dela por meio de um depoimento depois da morte da cantora.
"Por que uma pessoa que tem a situação financeira da Elis resolveu levar as roupas do Falso Brilhante para casa para lavar a roupa do elenco, e ela costurar? Para fazer média para botar uma notinha e falarem que ela é bacana? Não, né! Ninguém nem soube disso, só soubemos por depoimento. Porque ela era essa figura", relata.
Para o produtor musical, a mensagem é justamente essa: apesar do vozeirão nos palcos, ela adotava um tom afável na intimidade. "Uma pessoa grande, que convive com seus defeitos. Que sempre acreditou no amor e no trabalho e foi um instrumento da música. Mas, acima de tudo, uma pessoa muito legal, uma pessoa que vale a pena ir almoçar na casa dela e bater papo", arremata.
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