QUERIDO MUNDO
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Edu Moscovis, Marcello Novaes, Malu Galli e Miguel Falabella nos bastidores de Querido Mundo
Miguel Falabella está prestes a lançar um novo filme que considera um dos mais inusitados de sua carreira --um risco que está disposto a correr mesmo depois de muitos anos. Em painel da O2 Filmes na CCXP25, evento de cultura pop realizado em São Paulo, ele apresentou Querido Mundo, um longa-metragem que nasceu do desejo do diretor de fazer um cinema mais pessoal, inesperado e livre de pressões comerciais. "Eu fiz o filme que eu queria, do jeito que eu queria", afirmou.
O projeto, previsto para ser lançado em 2026, é uma adaptação de uma peça que o artista escreveu nos anos 1990 e que, segundo ele, segue atual por tratar de amor, dor e renascimento.
A trama acompanha uma mulher abusada --interpretada por Malu Galli-- cujo marido, vivido por Marcello Novaes, literalmente explode na noite de Ano-Novo. Ela fica presa no apartamento com o corpo do homem e, a partir dessa situação extrema, passa a se revelar para si mesma.
Isolada e em choque, a personagem encontra um vizinho, interpretado por Eduardo Moscovis, e os dois iniciam uma história de amor improvável. Falabella destaca que o encontro entre eles surge de ruínas, emocionais e físicas, e funciona como motor para que ambos revisitem traumas, abandonem padrões tóxicos e encontrem novas possibilidades de afeto.
Falabella contou que optou por filmar Querido Mundo em preto e branco, indo "na contramão do esperado". Para ele, a falta de cor traduz a vida da protagonista, que já não enxerga brilho ou futuro.
"Ela mesma diz: 'Meu mundo não é colorido'", lembrou. O longa só ganha cor no final, numa marca visual que simboliza transformação, entrega e renascimento. "A vida daquelas pessoas não tem cor. Elas vão descobrir a cor através do amor", destacou.
O diretor ressaltou a liberdade artística que teve durante o processo, agradecendo à produção por não impor padrões ou preocupações com algoritmos e tendências.
Ele lembrou que sempre buscou originalidade, desde obras populares como Toma Lá Dá Cá (2007-2009). "Nada é tão bom quanto a originalidade do olhar pessoal e particular. Se você fizer o que todo mundo faz, você vai ser só mais um", apontou.
Já exibido na Rússia e na França, o longa acumula uma trajetória internacional bem-sucedida antes mesmo da estreia no Brasil. Falabella enfatizou que Querido Mundo é "delicado, inesperado e claustrofóbico", refletindo paradoxos do mundo virtual e da sensação de estar preso em si mesmo.
Ainda assim, segundo ele, a narrativa é permeada por humor e esperança. "Apesar de o mundo ser duro, ele não deixa de ser querido", levantou.
Falabella encerrou o painel com uma defesa enfática do cinema nacional. Disse que o público precisa consumir produções brasileiras para que artistas possam ousar mais.
"Em arte, a gente precisa arriscar. A gente precisa de alguém que diga: 'Eu quero fazer um filme de uma mulher que o marido explode e ela fica presa'. E alguém que banque", disparou.
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