VIRA-LATA
DIVULGAÇÃO/NETFLIX

Pedro (Rafael Vitti) conta com a ajuda de seu vira-lata caramelo em filme da Netflix
Era tarefa fácil apostar no sucesso de Caramelo, filme protagonizado por Rafael Vitti, que tem dominado a Netflix global desde sua estreia na plataforma, no último dia 8. Mesmo aqueles contrários a qualquer tipo de previsão devem reconhecer que a trama é um daqueles casos raros em que não há nada para dar errado.
Depois de registrar a melhor semana de lançamento de um filme brasileiro na história da Netflix, o longa Caramelo ainda conseguiu um novo feito inédito no streaming: entrou no Top 10 de 90 países e territórios diferentes, tornando-se o título nacional de maior alcance na plataforma.
A "receita do chef" explica os números impressionantes. O termo "vira-lata caramelo" se tornou popular como uma forma de chamar os cães sem raça definida no Brasil. Facilmente encontrado pelas ruas das cidades brasileiras, o animal virou um "símbolo" não oficial do país e caiu nas graças do público nos últimos anos, especialmente na internet.
A produção pegou um gênero já comprovado no cinema norte-americano, os sempre melodramáticos "filmes de cachorro" --como Marley & Eu (2008) a Sempre ao Seu Lado (2009) -- e abrasileirou da maneira mais simples possível. Em um feijão com arroz bem bolado, a trama consegue juntar coxinhas, cachorro caramelo, praia, e como se já não fosse o suficiente, um protagonista carismático com câncer. Para temperar, referências a duplas sertanejas e até uma participação de Paola Carosella.
Produzido pela Migdal Filmes, Caramelo conta a história do chef Pedro (Rafael Vitti), que está prestes a realizar seu sonho de liderar um restaurante quando um diagnóstico inesperado vira tudo de cabeça para baixo. Com a ajuda de seu vira-lata Caramelo (interpretado pelo cão Amendoim), ele embarca em uma jornada de valorização das coisas "realmente importantes da vida".
A sensação de quem assiste a Caramelo com os olhos mais atentos é a de estar diante de um grande brainstorm, em que a missão era juntar o máximo de elementos supostamente brasileiros possíveis dentro de 1h30, com a mesma alma de um banco de imagens gratuito. Extremamente simples. E seguindo muito bem a receita, o filme consegue deixar qualquer um saciado. É só não ser muito exigente.
Vale dizer que o melodrama canino tem todo o mérito, mas não aparece isolado entre as produções nacionais da Netflix que também conseguiram fazer barulho recentemente. Só em 2025, produções como Pssica, DNA do Crime, Vini Jr. e Congonhas: Tragédia Anunciada figuraram entre os mais assistidos em dezenas de países.
Mas o que faz Caramelo ser ainda mais palatável, mesmo "perdido" na trama de raspar os cabelos de Rafael Vitti, é explorar a efemeridade da vida de um cachorro com leveza, justamente ao comparar à de qualquer ser humano.
Viver o agora, valorizar o que importa, amar as pessoas certas... Tudo soa como uma mensagem universal (e motivacional) capaz de se conectar com facilidade. É o cinema feito para streaming, assumindo ser um produto para streaming. E disputar esse espaço com produções norte-americanas de "igual para igual" é sempre um feito a ser celebrado.
Além de Rafael Vitti e Amendoim, também compõem o elenco de Caramelo os atores Arianne Botelho, Carolina Ferraz, Noemia Oliveira, Ademara, Kelzy Ecard, Bruno Vinicius, entre outros. O original Netflix tem roteiro de Diego Freitas (ideia original), Rod Azevedo e Vitor Brandt.
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