CARLA MADEIRA

Autora de Tudo É Rio revela exigência que fez para transformar livro em filme

REPRODUÇÃO/TV CULTURA

Carla Madeira usa uma blusa marrom e está com expressão séria

Carla Madeira no Entrelinhas, da TV Cultura: autora falou de adaptações de Véspera e Tudo É Rio

REDAÇÃO

redacao@noticiasdatv.com

Publicado em 31/8/2026 - 8h48

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Autora mineira best-seller, Carla Madeira tem dois de seus livros mais conhecidos sendo adaptados para o audiovisual: Tudo É Rio (2014) e Véspera (2021). A escritora revelou que exigiu uma diretora mulher para topar a produção de um filme baseado no seu romance de estreia --e teve o pedido atendido, com Julia Rezende no comando da produção.

"Compreendi que tinha que ser uma mulher. Minhas interlocuções com a Julia têm sido muito importantes. Em Véspera não tinha sido uma exigência ser mulher, em Tudo É Rio, sim", afirmou no videocast Conversa Vai, Conversa Vem, do jornal O Globo.

Véspera, outro romance da autora, também ganhará uma adaptação --pela HBO Max e em formato de série, com Bruna Marquezine e Gabriel Leone como os protagonistas.

Carla valorizou a escalação de Joana Jabace, que é mãe de gêmeos, para a direção de Véspera, que gira em torno da relação conturbada entre os gêmeos Caim e Abel (ambos vividos por Gabriel Leone).

"A escolha foi muito bacana, não podia ser outra pessoa. Joana é mãe de gêmeos, teve um episódio de violência na vida, é uma diretora incrível. Foi uma escolha acertada", comentou a escritora.

Na entrevista, Carla ainda falou sobre as críticas que recebeu por Tudo É Rio supostamente romantizar a violência doméstica.

"Fiquei muito triste. Me interessa que o livro se tornou uma ocasião de conversar sobre isso. Perdão não é sinônimo de impunidade. Ver que uma pessoa compreende dessa maneira é uma espécie de fracasso da minha intenção, do autor", lamentou ela.

"A pessoa não viu o que foi dito sobre o perdão no livro. Que o perdão não muda o passado e não é esquecer. Está lá no último parágrafo 'o próximo passo é a possibilidade do abismo'. Ou seja... Não é lugar de certeza. O que vai acontecer depois? Coloco isso lá e, para mim, está claro. Para muitas pessoas não estava", completou.

"Mas também é legal pensar nesse fracasso... [O pintor Marcel] Duchamp fala que o coeficiente artístico está exatamente nesse espaço que existe entre a intenção do artista e a aquilo que é percebido pelo público. Quanto maior esse buraco, mais artística é a obra. Porque é o espaço da subjetividade. É nesse espaço que entra a gente", refletiu.

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