GABI AMERTH
REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Gabi Amerth no Los Angeles Latino International Film Festival; ela está em Brownsville Bred
Não é só Wagner Moura, à frente de O Agente Secreto, que pode representar o Brasil no Oscar 2026. Afinal, a atriz Gabi Amerth também está elegível pelo seu papel em Brownsville Bred. Ela se lembra com nitidez do momento em que soube que poderia se candidatar a melhor atriz coadjuvante. "Não vou mentir, me veio o palco à cabeça. Não que a possibilidade seja alta, mas imediatamente me imaginei no ambiente", conta.
O reconhecimento chega no mesmo momento em que o cinema brasileiro volta a se movimentar nos bastidores da Academia --agora com ela e outros nomes, como Fernanda Torres, atraindo atenção internacional.
A atriz admite que a campanha é tão exaustiva quanto artística. "É realmente bem intenso. Mais pelo fato de estarmos arregaçando as mangas e fazendo trabalho de formigas, sem um grande incentivo financeiro pra organizar eventos, fazer grandes promoções", diz ela em entrevista ao Notícias da TV.
Gabi pondera que gostaria que as disputas fossem mais democráticas, mas mantém a postura pragmática:
Estamos lidando com a realidade da forma mais otimista-realista possível. Sabemos que as chances são menores do que filmes que têm respaldo de distribuidoras milionárias, mas sinto que todo esse movimento vai gerar uma corrente boa de atenção para o nosso longa.
Em Brownsville Bred, Gabi interpreta Elizabeth, personagem que vem recebendo elogios constantes da crítica. "Honestamente, muito alívio. Não pela atenção do público, mas por sentir que honrei a pessoa real, que ainda vive", afirma ela, sobre a produção ser baseada em fatos.
A intérprete se emociona especialmente com a resposta de pessoas neurodivergentes ou familiares. "Tenho me sentido abraçada, e isso acalma um medo grande que eu tinha de não fazer um trabalho sensível o suficiente e acabasse machucando emocionalmente algumas pessoas", comemora.
A preparação exigiu escuta, pesquisa e cuidado. "Como toda neurodivergência por lesão cerebral é única e afeta cada um de maneira singular, não quis usar nenhuma referência visual. Analisei as circunstâncias da Titi como faria com qualquer outro personagem", pontua.
A atriz optou por reduzir ritmo e tônus da personagem, já que Elizabeth passa longos períodos sentada, e também observou a cadência das crianças com quem convivia, imaginando como isso poderia ter sido absorvido pela personagem.
Na segunda fase das filmagens, ela chegou a ver vídeos da Elizabeth real. “Fiquei feliz de os meus instintos terem me levado pro lugar certo. Usei um movimento de dedão que vi ela repetir nos vídeos pra incorporar uma característica tangível da pessoa por trás do personagem", rememora.
A jornada que levou Gabi ao set começou em 2021 e atravessou transformações profundas. "Acho que eu entrei no set com inocência, cautela e talvez um pouco de receio de fazer alguma coisa errada, quase que pedindo desculpa por estar ali, e saí com plena certeza de que esse é o meu lugar."
Entre uma parte e outra das gravações, ela passou 20 dias no set de Succession (2018-2023). A experiência na série mudou tudo:
Quando retomamos as filmagens de Brownsville Bred, eu estava inteiramente confortável pra brincar e experimentar. Foi embora a pressão de me perguntar se eu era a escolha certa. A semana da segunda parte das gravações foi uma das semanas mais felizes da minha vida até agora.
A trajetória até ali, no entanto, não foi linear. Do Engenho de Dentro, na zona norte do Rio, Gabi deixou o Brasil aos 20 e poucos anos e teve uma sequência de trabalhos que passaram por restaurantes, venda e cuidados infantis. A fase mais dura veio em 2018, quando cuidava de um menino de um ano e meio diagnosticado com leucemia.
"A junção dessas duas coisas me quebrou", relembra, falando da interrupção no teatro --que fazia desde os 11 anos-- e da carga emocional. Ela chegou a procurar linha de apoio emocional nos Estados Unidos: "Não porque queria atentar contra minha saúde física, mas porque sentia uma solidão absoluta"
Por um momento, pensou em voltar ao Brasil, mas algo a manteve ali. "Acho que o que me fez e segue me fazendo ficar é a certeza de que essa busca faz parte do que sustenta meu propósito... Cuidar dessa criança também me deu propósito. Fico muito grata por estar tudo bem hoje em dia", considera.
Depois de tantos "nãos", foi justamente Brownsville Bred que mudou tudo. "Definitivamente esse", ela responde na lata quando questionada sobre o "sim" mais transformador da carreira. "Eu estou elegível ao Oscar com o meu primeiro 'sim', lá em 2021. O quão significativo é isso?", finaliza.
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