THIAGO VOLTOLINI

Ator revela bastidor de cena difícil com Marjorie e Nero em filme sobre crime

LAURA CAMPANELLA

Foto mostra o ator Thiago Voltolini junto de Marjorie Estiano e Alexandre Nero

Thiago Voltolini interpreta filho de Marjorie Estiano e Alexandre Nero no filme Precisamos Falar

GABRIELA RODRIGUES

gaby@noticiasdatv.com

Publicado em 28/9/2026 - 14h00

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Thiago Voltolini estreia nos cinemas como Michel no filme Precisamos Falar. Na produção, o jovem interpreta o filho de um casal de classe média alta, vivido por Marjorie Estiano e Alexandre Nero, e se envolve no assassinato de uma mulher em situação de rua. Segundo o artista, a cena mais difícil de gravar foi justamente aquela em que revela aos pais a sua participação no crime. 

Em entrevista ao Notícias da TV, Voltolini compartilha bastidores do projeto e fala sobre a experiência de trabalhar ao lado de dois nomes consagrados da dramaturgia. Precisamos Falar foi o primeiro longa filmado pelo artista --ele foi rodado em 2024, mas só estreou nos cinemas na última quinta (24). 

"Fiquei muito feliz quando recebi esse desafio e também animado com a responsabilidade quando vi que o personagem tinha ganhado muito mais destaque na adaptação do que no livro original [O Jantar, de Herman Koch]. Como ator, é difícil encontrar um personagem com esse peso e essa relevância na nossa idade", avalia. 

Voltolini explica que, diante da temática pesada do filme, o mais difícil durante a construção do personagem não foi se desprender dele após as filmagens, mas enxergá-lo a partir de um olhar sem julgamentos:

Desde o início, eu não quis interpretar um vilão. Meu objetivo era construir um menino que existe, que poderia estar por aí. Procurei encontrar a humanidade dele, entender de onde ele vinha e como o ambiente em que cresceu influenciou na formação daquele ser humano. No meu processo, eu consigo me separar muito bem. O que acontece no set fica no set. 

"A maior dificuldade foi justamente não cair no julgamento. Procurei o máximo de humanidade nele. Gosto muito desse contraste, porque esse personagem não é só uma coisa. Ele pode ser frio e doce ao mesmo tempo", aponta.

"No começo, minha primeira impressão era de que o Michel fosse um psicopata, mas, quanto mais eu mergulhava na história, mais percebia que esse seria o caminho mais fácil. Seria muito simples explicar tudo dizendo que ele não sente nada ou que existe apenas uma questão biológica por trás."

Encontro com veteranos 

Em Precisamos Falar, Voltolini divide cenas com Marjorie e Nero, que interpretam Sandra e Paulo, pais do adolescente. O ator destaca a experiência e os aprendizados de contracenar com os dois.

Fui muito abençoado. No meu primeiro filme, já ter a oportunidade de interpretar o filho da Marjorie e do Nero foi muito especial. Eu me senti uma esponja durante todo o processo. Queria absorver o máximo que eu pudesse daquela experiência. Ficava observando como estudavam, como construíam os personagens, o que anotavam e como chegavam em uma cena. 
Marjorie Estiano e Thiago Voltolini em cena

Marjorie e Thiago em cena / Foto: Rachel Tanugi

"Também foi muito importante construir essa relação familiar com eles, principalmente porque existiam muitas camadas nessa família. Uma das cenas mais difíceis de gravar foi justamente quando o Michel conta individualmente para cada um dos pais o que aconteceu. Eu queria passar para o público essa dúvida: se ele estava falando a verdade ou se estava construindo uma versão para que os pais acreditassem", conta.

"Acho que qualquer ator gostaria de ter a oportunidade de passar horas com dois artistas como eles, podendo brincar, fazer exercícios, improvisar e trocar ideias, como eu pude fazer durante as preparações. Uma coisa que aprendi foi a perceber que não existe uma única forma de se preparar para uma cena. Cada um tem seu processo, sua maneira de estudar e de chegar no personagem", continua. 

Debate nas telas 

Para Voltolini, o filme traz uma discussão sobre o quanto a sociedade influencia na formação dos jovens, mas também chama a atenção para a responsabilidade da própria juventude na construção da sociedade. 

"O filme não coloca a situação em um lugar de certo ou errado, de um lado ou outro. Ele trabalha muito mais no cinza, nessa zona em que a moral e a ética começam a ser questionadas", reflete. 

No fim, existe uma questão muito humana ali. A condição social influencia, mas principalmente a criação, os valores, a proteção excessiva e a dificuldade de enxergar quem aquele filho realmente é. Acho que o filme traz essa provocação: o quanto a nossa moral e a nossa ética mudam quando a situação tem a cara do nosso próprio filho.

"Acho que esse é um dos grandes dilemas do filme, porque a proteção vai muito além de proteger o filho. Acho muito interessante como o filme vai apresentando o Michel conforme os pais vão sendo apresentados e como o público vai descobrindo essas camadas junto com eles."

Além do cinema 

Conhecido por papéis em novelas como Além da Ilusão (2022) e Garota do Momento (2024), Voltolini também fala sobre as diferenças entre atuar na TV e no cinema:

Acho que a novela é um grande treino para o cinema. Ela te prepara muito porque é um desafio de atenção e de rotina: fazemos muitas cenas por dia, com pouco tempo de preparação e precisamos estar muito presentes para cada momento.

"No cinema existe uma possibilidade maior de aprofundar. Como a história já está fechada, você consegue estudar mais, testar, mergulhar no personagem e construir cada cena com mais calma. É um processo mais artesanal, com mais tempo para olhar para os detalhes. Depois desse filme, inclusive, eu tive a oportunidade de fazer outros dois longas, e isso só aumentou a minha vontade de continuar contando histórias, seja no cinema ou na televisão."

Foto de Fabio Porchat e Thiago

Fabio Porchat e Thiago Voltolini / Foto: Divulgação

Fora das telas, o ator também vive um momento especial. Ele está no elenco do espetáculo Meu Filho É Um Musical, interpretando Fabio Porchat na produção que aborda a vida e a obra do comediante Paulo Gustavo (1978-2021).

"Acho que quanto mais o artista consegue se pluralizar, mais interessante fica. Me encanta tanto fazer uma plateia rir quanto levar uma discussão mais densa para o cinema. Espero continuar trabalhando com bons textos, boas direções e pessoas que amam fazer arte. Acho que, quando a história, o elenco e a direção se encontram, é muito fácil ser feliz no processo", finaliza. 


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