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DE OLHO

Após O Agente Secreto, quais filmes podem representar o Brasil no Oscar 2027?

REPRODUÇÃO/VITRINE FILMES

Wagner Moura em O Agente Secreto

Wagner Moura em O Agente Secreto; assim como Fernanda Torres, ator voltou para casa sem Oscar

GIOVANNA RIBEIRO

giovanna@noticiasdatv.com

Publicado em 22/3/2026 - 12h00

Com a dobradinha de indicações ao Oscar de Ainda Estou Aqui (2025) e O Agente Secreto (2026), o Brasil já está de olho na próxima chance de se destacar na maior premiação do cinema mundial. Contudo, conquistar um tri em 2027 --ou mesmo um "bicampeonato", considerando que somente o longa de Walter Salles conseguiu a estatueta de melhor filme internacional-- não será uma tarefa fácil, mesmo que algumas estreias já despontem como possíveis indicações.

É o caso de 100 Dias, filme que retrata a travessia do explorador e escritor Amyr Klink. O longa dirigido por Carlos Saldanha --duas vezes indicado ao Oscar pelo curta A Aventura Perdida de Scrat (2003) e pela animação O Touro Ferdinando (2017)-- pode ser o destaque brasileiro do próximo ano. A trama é protagonizada por Filipe Bragança (o João Raul de Coração Acelerado).

Contudo, além de Carlos Saldanha, outra cineasta de peso lançará um filme em breve: Anna Muylaert, que também já teve um trabalho escolhido para representar o Brasil no Oscar com Que Horas Ela Volta? (2015). A cineasta agora dirige Geni e o Zepelim, adaptação da canção de Chico Buarque.

A trama acompanha Geni (Ayla Gabriela), prostituta de uma cidade ribeirinha no coração da floresta amazônica. Odiada pela sociedade local, ela vê a chance de redenção com a chegada de um tirano comandante de um zepelim (Seu Jorge, outro velho conhecido pelos votandes de Hollywood).

Quem também retorna às telas em 2026 é Cao Hamburger, com Escola Sem Muros, filme inspirado na trajetória da Escola Campos Salles, referência em inovação pedagógica e integração comunitária. Julio Andrade interpreta o diretor que chega à escola e transforma sua realidade ao lado de lideranças locais (vividas por Flavio Bauraqui e Larissa Bocchino).

Já Gabriel Martins, diretor de Marte Um --escolhido como o representante do Brasil no Oscar em 2023--, chega com Vicentina Pede Desculpas. Com Rejane Faria no papel principal, o filme acompanha a história de uma mulher que, aos 75 anos, tem de encarar a morte de seu filho, motorista de um ônibus que cai de um viaduto e gera uma imensa tragédia. Assim, ela decide procurar as famílias das vítimas para pedir desculpas pessoalmente.

Como é feita a escolha do representante do Brasil no Oscar?

A escolha do representante nacional para o Oscar de melhor filme internacional é feita pela Academia Brasileira de Cinema. A decisão é tomada por uma comissão de seleção formada por profissionais do audiovisual brasileiro. Tanto na pré-lista quanto entre os finalistas, destacam-se aqueles que conseguem, bem antes do Oscar, seu espaço nos festivais internacionais --que acabam servindo também de termômetro da premiação em Los Angeles.

O Agente Secreto já despontava entre os favoritos da Academia justamente por ter tido uma recepção calorosa (e premiada) no Festival de Cannes. O longa rendeu uma Palma de Ouro de melhor ator para Wagner Moura, além de melhor diretor para Kleber Mendonça Filho e o prêmio da crítica, concedido pela Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica, instituição que reúne jornalistas do mundo todo.

Já O Último Azul, com Rodrigo Santoro, que também disputava a indicação brasileira, conquistou o Urso de Prata do Festival de Berlim 2025. Baby, por sua vez, fez sua estreia na mostra competitiva da 63ª Semana da Crítica de Cannes. Na ocasião, o ator Ricardo Teodoro também foi premiado.

Em entrevista à Veja São Paulo, Rodrigo Teixeira, produtor indicado ao Oscar por Ainda Estou Aqui, declarou que a presença (ou ausência) no Brasil nos festivais deste ano pode definir se o país terá sucesso, ou pelo menos indicações, em 2027.

"O Brasil vai ter dificuldade de chegar ao Oscar nos próximos dois anos. Mas, antes de pensar no Oscar, precisamos pensar em colocar filmes nas competições principais dos festivais de Cannes, Veneza ou Berlim. Sem isso, fica difícil. Eles são um filtro importante para o mercado e os distribuidores internacionais", explicou ele.

Ainda Estou Aqui quebrou um jejum de mais de 20 anos. Antes de o filme protagonizado por Fernanda Torres chegar ao Oscar, o último longa brasileiro a pelo menos figurar na shorlist de filmes internacionais havia sido O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006), de Cao Hamburger. O drama foi um dos nove finalistas pré-selecionados, mas não ficou entre os cinco indicados finais.

Antes de Ainda Estou Aqui, a última indicação do Brasil ao Oscar na categoria de melhor filme internacional tinha ocorrido com Central do Brasil, também de Walter Salles, em 1999.

Já O Agente Secreto se igualou ao recorde de Cidade de Deus (2002) com o maior número de nomeações, quatro: melhor filme, melhor filme internacional, melhor ator (Wagner Moura) e melhor direção de elenco (Gabriel Domingues). 


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