FILIPE BRAGANÇA

Amyr Klink só aprovou ator de 100 Dias após ver filme sobre Sidney Magal

DIVULGAÇÃO/DISNEY

Amyr Klink e Filipe Bragança nos bastidores de 100 Dias

Amyr Klink e Filipe Bragança; explorador brasileiro foi "convencido" pela atuação de João Raul

GIOVANNA RIBEIRO, do Rio de Janeiro

giovanna@noticiasdatv.com

Publicado em 9/6/2026 - 6h10

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Um artista como Sidney Magal e o explorador Amyr Klink podem ter mais em comum do que se pensa à primeira vista. Afinal, ambos foram interpretados por Filipe Bragança --o João Raul de Coração Acelerado-- em suas respectivas cinebiografias. Contudo, durante o processo de escalação para o filme 100 Dias, o navegador da vida real chegou a ter dúvidas se essa escolha do diretor Carlos Saldanha realmente daria "match".

"Não quis interferir. Primeiro porque eu admiro a obra do Carlos [Saldanha]. Mas aí a Marina, minha mulher, me obrigou a assistir ao filme que o Filipe fez do Sidney Magal. [Antes de assistir] eu falei: 'Meu Deus, não vai dar certo isso'", confessou Klink, durante participação no evento Rio2C, no fim de maio.

Filipe Bragança incorporou o cantor Sidney Magal na cinebiografia Meu Sangue Ferve por Você. O filme, lançado nos cinemas em 2024, retrata a história de amor à primeira vista do artista com Magali West, focando no início de sua trajetória de sucesso nos anos 1970 e 1980 --o que exigiu muito rebolado do ator.

Apesar do susto inicial, a interpretação de Magal foi o que acabou ajudando Amyr Klink a, justamente, se enxergar em Bragança. "Mas deu super certo. [Depois de assistir] eu falei: 'Tá louco, o cara é bom. O cara é muito bom, porque é um personagem dificílimo'", disse ele.

"É, parecido, né? Sidney Magal e Amyr Klink", brincou Filipe Bragança, também durante o painel no evento de inovação, que aconteceu no Rio de Janeiro. "Se a gente teve o aval do homem aqui, é porque tá tudo certo, né, Carlos?", disse o ator, aliviado, se dirigindo ao diretor da trama.

O filme 100 Dias retrata a jornada do explorador e escritor Amyr Klink. O longa dirigido por Carlos Saldanha  --duas vezes indicado ao Oscar pelo curta A Aventura Perdida de Scrat (2003) e pela animação O Touro Ferdinando (2017)-- e escrito por Elena Soarez e Thais Tavares lança um olhar sobre a histórica travessia do brasileiro pelo Oceano Atlântico.

"Nossa, foi uma experiência profundamente transformadora e particularmente desafiadora também. Desde os desafios práticos mesmo, as aulas de remo, minha preparação física, perda de peso, enfim, a pesquisa para poder compreender e construir esse personagem tão complexo que é o senhor Amyr Klink", valorizou Bragança.

Para o protagonista, incorporar na ficção um personagem da vida real que se desafiou fisicamente de forma tão intensa, foi tão desafiador quanto dançar como Magal nos cinemas ou cantar como João Raul na atual novela das sete da Globo. Para tanto, Bragança chegou a fazer aulas para aprender a remar tão bem quanto Amyr Klink.

"Eu fiz várias aulas de remo na Raia da USP (Universidade de São Paulo) ali em São Paulo, inclusive na réplica  --que é a réplica que a gente usou nas filmagens--, praticamente idêntica ao barco original em que ele fez a travessia", contou ele.

"E claro que eu me 'aproveitei' muito da presença do Amyr Klink, inclusive. É uma coragem que eu tive que ter, porque o cara ainda está aqui (risos), é uma homenagem em vida! Então, meu Deus, eu precisava da aprovação, do aval dele", confessou o ator.

Troca de experiências

Segundo Filipe Bragança, o explorador participou ativamente da produção do longa que conta sua história, o que ele considera como um trunfo para a trama.

"Ele estava presente em muitos momentos, foi visitar o set e ficou muito impressionado e orgulhoso com o trabalho que estávamos realizando. Qualquer oportunidade que eu tinha, falava com ele e também com o Carlos, que dominava muito a história", explicou.

Travessia do Atlântico

Amyr Klink foi a primeira pessoa a cruzar o Atlântico Sul sozinho em um barco a remo, ainda em 1984, e escreveu seu nome em definitivo na história da navegação mundial. O explorador publicou um livro relatando sua travessia ainda em 1985 --o best-seller Cem Dias Entre Céu e Mar vendeu cerca de 150 mil exemplares logo em sua edição original.

"Os livros do Amyr Klink também foram muito importantes. O próprio Cem Dias entre Céu e Mar --livro no qual o filme é baseado-- foi um grande companheiro ao longo de todo o processo de preparação. Além disso, há muitos registros do Amyr. Eu assisti a muitas entrevistas da época e a muitas palestras, sobretudo para entender como ele gesticulava, como se comunicava e como se comportava, o que é sempre um desafio muito prazeroso para mim", contou Filipe Bragança.

O ator também valorizou a parceria do trio, formado por ele, o diretor Carlos Saldanha e o ícone da navegação. Ele destacou a afinidade construída entre os três, que, assim como Magal, parecem não ter tanto em comum à primeira vista, mas se encontraram em um lugar de intensa identificação.

"Acho que nós três somos pessoas particularmente curiosas, o que considero uma qualidade importante para qualquer ator. Eu sou muito curioso, sou meio 'nerd' assim; gosto de estudar e de descobrir as coisas. Então, esse cuidado e esse rigor que tive em aprender as coisas é uma característica importante para a atuação", resumiu ele.

Além de Filipe Bragança como Amyr Klink, o elenco reúne a atriz francesa Philippine Leroy-Beaulieu (a Sylvie de Emily em Paris) no papel de Asa Klink, mãe do explorador brasileiro. Também foram escalados Felipe Camargo como Jamil Klink e João Vitor Silva como Tymur Klink, pai e irmão do navegador, respectivamente.

Durante o painel do Rio2C, Filipe Bragança anunciou oficialmente que o longa --que tem chances de ser uma possível indicação brasileira ao Oscar 2027-- estreia em 29 de outubro nos cinemas. Já o filme Meu Sangue Ferve Por Você será exibido nesta terça-feira (09), às 15h25, na Sessão da Tarde, na Globo.


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