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RUAS DA GLÓRIA

Alejandro Claveaux visitou saunas para viver garoto de programa em filme

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

um homem branco, barbado, usa uma regata, em um cenário urbano, com prédios ao fundo

Alejandro Cleveaux; o ator conta como foi interpretar um garoto de programa em Ruas da Glória

TIAGO MINERVINO

tiago@noticiasdatv.com

Publicado em 23/5/2026 - 18h00

Alejandro Claveaux precisou fazer um mergulho profundo no dia a dia de profissionais do sexo para dar vida ao garoto de programa Adriano no filme Ruas da Glória. Para compreender melhor a realidade de quem se sustenta por meio de serviços sexuais, o ator de 43 anos visitou desde saunas a "cinemões" adultos para estudar a profissão e colher depoimentos que o ajudassem a criar o personagem.

Em entrevista ao Notícias da TV, Claveaux destaca que o trabalho para viver Adriano foi árduo, a começar pelo teste de elenco para a seleção de atores. Ele passou por muitas etapas até ser selecionado e, uma vez com o papel assegurado, deu início a essa imersão para compreender de perto como é a vida de um profissional do sexo.

"Eu fiz muitos testes para esse personagem. Eu queria muito fazê-lo, por tratar de um tema sensível e pouco explorado. Conversei com muitos profissionais do sexo, visitei cinemas, saunas, clubes onde esse serviço é oferecido e coletei muitos depoimentos que são difíceis de reproduzir", conta.

Em Ruas da Glória, Adriano é um imigrante uruguaio que se sustenta por meio da prostituição nas ruas do Rio de Janeiro. De trama complexa, o personagem perde o controle da própria vida devido ao uso de drogas e cria um vínculo passional ao se envolver com Gabriel (Caio Macedo).

Antes mesmo de chegar aos cinemas, o filme foi exibido em festivais e rapidamente viralizou nas redes por conta de uma cena de nudez frontal de Claveaux. Para o artista, essas sequências de caráter íntimo foram importantes e necessárias para a construção do personagem. Ele ressaltou não ter problema em gravar nudez, desde que ela esteja inserida em um contexto que acrescente no desenvolvimento da história contada.

"A nudez não é, e não deve ser, um problema se estiver num contexto de ajudar a contar a história. A direção me deixou muito confortável, e isso também foi um fator importante nesse processo. Por muitos anos, a TV e o cinema mostraram os corpos de mulheres nuas com pouco pudor. Nesse sentido, acho que temos que normalizar a nudez masculina também", afirma.

Representatividade

Nos últimos anos, Alejandro Claveaux tem interpretado mais personagens ligados à comunidade LGBTQIA+, como o Deivid, de Rensga Hits! (2022-2025). Na trama, ele era um cantor sertanejo que esconde a homossexualidade do público, mas que aos poucos cria coragem para se assumir.

Em consonância com a ficção, Cleveaux também se assumiu como um homem bissexual na época do lançamento da série do Globoplay. O ator afirma que a resposta dos telespectadores foi bastante positiva.

Eu recebi muitas mensagens de pessoas que se inspiraram na coragem do personagem. E isso é realmente significativo, pois a arte também assume essa função de trazer luz e diálogo aos debates.

Claveaux também ponderou que hoje está mais fácil para um artista expor abertamente uma orientação sexual diferente da heterossexualidade. E ele celebra essa mudança no comportamento das empresas e do público, mas cobra uma maior representatividade das múltiplas facetas que envolvem essa comunidade, sem necessariamente cair em estereótipos.

"Eu acho que o cenário está em processo de mudança, e isso é muito bom, mas ainda sinto que poderíamos ter mais temáticas nesse sentido e mais casais homoafetivos, inclusive na TV aberta", falou.

"Hoje temos muitas definições estabelecidas das siglas de diversidade e também um maior conhecimento sobre pautas que antes não eram faladas. Temos que estar atentos e abertos para que essas pessoas sejam reconhecidas em suas identidades e vivências, de modo que tenham espaço legítimo para contar as próprias histórias. Isso é importante no processo de ampliação de representação. Não se trata de limitar a atuação, e sim de corrigir distorções históricas", completou.


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