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Selton Mello e Fernanda Torres em Ainda Estou Aqui, que levou o Oscar de melhor filme internacional
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, organização responsável pelo Oscar, anunciou nesta sexta-feira (1º) duas mudanças importantes no regulamento da premiação. Elas já serão aplicadas a partir da próxima edição, e uma delas afetará diretamente as chances do cinema brasileiro na festa.
A primeira alteração, na categoria melhor filme internacional, diz respeito à maneira como os longas são inscritos. Até o Oscar deste ano, comissões de cada país precisavam escolher uma única produção por ano para disputar uma vaga na premiação mais importante da sétima arte.
No Brasil, por exemplo, a Academia Brasileira de Cinema formava uma Comissão de Seleção todos os anos para escolher qual dos filmes lançados no período de elegibilidade avançaria para a avaliação do júri internacional. Foi assim que O Agente Secreto e Ainda Estou Aqui foram parar na premiação.
Com a nova regra, as comissões continuarão selecionando os indicados do país, mas haverá uma segunda maneira de um longa entrar na categoria: vencer o prêmio máximo em um festival internacional de destaque.
Para 2027, por exemplo, serão considerados os filmes que levarem o Urso de Ouro de Berlim, a Palma de Ouro de Cannes, o Leão de Ouro em Veneza, o prêmio do júri em Sundance, o Platform Award em Toronto ou o prêmio de melhor filme em Busan. A lista pode mudar a cada ano, mas a tendência é que esses seis se mantenham por sua relevância mundial.
A alteração deve ampliar o número de indicados ao prêmio, mas também pode colocar mais produções brasileiras no radar dos votantes. Em 2008, por exemplo, Tropa de Elite foi preterido pela Comissão de Seleção, que escolheu O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias. O longa de José Padilha, no entanto, havia vencido o Urso de Ouro e seria considerado mesmo assim.
Mais recentemente, o francês Anatomia de uma Queda (2023) ficou de fora do Oscar de melhor filme internacional porque a comissão do país europeu preferiu nomear O Sabor da Vida. Mesmo assim, a Academia indicou o longa nas categorias melhor filme, diretor e atriz, e ele ainda venceu roteiro original.
A segunda mudança no regulamento envolve as categorias de atuação. A partir de agora, um mesmo ator pode ser indicado mais de uma vez à mesma categoria caso receba votos suficientes para ficar entre os cinco mais populares. Até o Oscar 2026, caso isso ocorresse, apenas a interpretação mais votada era indicada, e a segunda acabava descartada, abrindo uma vaga para o sexto mais querido pelos votantes.
Isso não deve afetar tanto o cinema brasileiro, já que é muito difícil uma atuação em outros idiomas chamar a atenção dos votantes, mas fará diferença em nomes muito queridos pela Academia, como Meryl Streep, Leonardo DiCaprio e Amy Adams.
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