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CRIARÁ BANDAS

Vai dar certo? Ex-participantes do Estrela da Casa avaliam nova mudança no formato

REPRODUÇÃO

Mulher branca com o cabelo azul veste prateado e posa para foto; divide a tela com homem negro com tranças e jaqueta jeans

Unna X e Gael Vicci participaram do primeiro Estrela da Casa, ainda com foco em artistas solo

EDUARDO REIS

eduardo@noticiasdatv.com

Publicado em 3/5/2026 - 8h10

O Estrela da Casa, reality musical da Globo apresentado por Ana Clara, passará por uma mudança radical para a próxima temporada: em vez de premiar um artista solo, o programa (que agora se chama Estrelas da Casa) vai formar uma banda de cantores. O Notícias da TV chamou ex-participantes da atração para comentarem o novo formato e palpitarem: será que vai dar certo?

"Eu acho inteligente. O mercado mudou muito, o público quer ver dinâmica, conexão, química... Acredito que grupo entrega isso de um jeito muito potente", opinou Unna X, terceira colocada da primeira temporada.

É importante pontuar que, a cada temporada, a Globo adotou uma mudança no formato do reality. Da primeira para a segunda, descartou-se a ideia de combinar música e convivência, passando a ser apenas uma "imersão". Isso gerou resultado no Ibope, e a média da edição subiu quase dois pontos, de 11,5 para 13,4 na Grande São Paulo. Para este ano, a mudança é total.

"Acho muito interessante e estou pessoalmente curioso para ver como eles vão readaptar a dinâmica do reality. Eu já amei as últimas mudanças que fizeram", complementou Gael Vicci, que também participou da edição inaugural do reality.

É simples assim mudar tudo?

Mudar o enfoque do programa de artistas solo para a formação de uma banda exige que se adapte também outra etapa importante na produção do Estrelas da Casa: o casting. O tipo de cantor que brilha solo é bem diferente daquele que funciona em uma banda.

Os ex-participantes concordam que isso é uma troca relevante na dinâmica do programa. "Eu acredito que eles devem mesclar pessoas que já têm tendência a um trabalho em equipe, mas também artistas solos, pois acho que seria parte do desafio para trabalharem em grupo", apostou Gael.

"Formar grupo não é só juntar vozes, tem que ter identidade, autenticidade e talento. Se for bem construído, pode revelar coisas incríveis. Eu acho que eles vão buscar artistas mais versáteis", afirmou Unna, que complementou:

Hoje em dia, quem é solo também precisa saber coexistir, colaborar, dividir espaço sem perder essência. Então, não acho que vai excluir quem brilha sozinho, acho que vai exigir ainda mais personalidade. Porque, em grupo, ou você se destaca com verdade ou você some.

Ainda não se sabe quais serão as dinâmicas ou os critérios de avaliação da nova cara do Estrelas da Casa. Para Unna X, o ideal seria retomar a ideia da convivência por conta das interações entre potenciais colegas de banda.

"Algo que eu traria de volta para o programa seria eles serem gravados 24 horas por dia. O que traz mais identificação, apego, amor, fãs, torcidas e mais pessoas assistindo. É o público poder, de certa forma, sentir que 'convive' e conhece verdadeiramente os participantes", pontuou.

Tendência global

O movimento de tentar criar uma banda vem em meio a uma moda no resto do mundo, de olho em fenômenos como o Katseye --girlband global inspirada no modelo do k-pop formada no Pop Star Academy-- e o Montando a Banda, reality da Netflix lançado no ano passado.

Isso sem mencionar o Rouge, grande nome do pop nacional nos anos 2000, formado no Popstars (2002-2003), que passou no SBT no início do milênio. Ou mesmo outros formatos consagrados, como o The X Factor (que já juntou bandas como One Direction, Fifth Harmony e Little Mix). 

Será que a Globo estaria tentando criar um Rouge para chamar de seu? "Talvez estejam, mas quero muito assistir para entender melhor", avaliou Gael. Para Unna, se há um momento para testar esse formato no Brasil, é agora:

Com certeza tem leitura de mercado aí. Quando você olha projetos como o Katseye ou até o Montando a Banda, dá pra ver que existe uma demanda real por grupos bem construídos. Mas o que faz dar certo não é copiar, é entender cultura, público e timing. Se a Globo fizer isso com identidade brasileira, pode vir algo muito forte. E acredito que agora é o momento de grupos surgirem. Eles têm feito sucesso no mercado internacional.

O pós-Estrela da Casa

Enquanto cambaleia no Ibope, um reality da Globo ainda tem a capacidade de mudar a vida de uma pessoa. Para Gael, o projeto foi um divisor de águas. "Graças a minha participação, consegui ter os acessos e trabalhar com as pessoas com que trabalho e convivo hoje. Então sim, ajudou e demais a formar o artista que sou hoje!", avaliou.

Além da visibilidade, Unna X destaca que a mudança veio de dentro para fora. "[O Estrela da Casa] Me colocou num lugar de exposição que eu nunca tinha vivido antes, e isso muda tudo... Visão de mercado, posicionamento, maturidade artística. Abriu portas, sim, mas principalmente abriu a minha própria cabeça e amadureci bastante de lá pra cá. Hoje, eu me sinto muito mais estratégica, confiante e dona da minha narrativa. Sei ainda mais quem sou e onde quero chegar", afirmou.

Sobre o apoio da Globo após a participação, a cantora entende que o caminho foi individual. "O que você faz com a oportunidade depois é muito sobre você também. Existe um suporte, mas não é um caminho pronto. Eu entendi rápido que precisava construir o meu pós-reality com autonomia, verdade, bastante vontade de vencer todos os dias e muita autenticidade. E foi aí que eu comecei a realmente jogar o jogo do jeito que eu acredito", explicou.

Para os próximos projetos, Gael revelou que está em fase final de produção para seu novo EP. "Mostra muito do meu amadurecimento emocional e musical, estou ansioso demais para apresentar logo a todos", adiantou.

Unna também está com um novo repertório para sair em breve nas plataformas, com um disco gravado inteiramente em português --o primeiro da sua carreira. A artista destaca as influências de pop eletrônico em uma roupagem inédita na carreira.

"Vem uma Unna X mais afiada, mais consciente do que quer comunicar. Não é só som, é uma nova experiência para mim e para quem me ouvir. Posso dizer que é uma fase de autoconhecimento, novas percepções, emoções, coisas que estavam entaladas que nunca falei e mais verdadeira comigo mesma, sem perder o pop com os elementos do eletrônico, mas com mais profundidade."


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