A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
ANÁLISE
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Ana Clara fala para o público durante o festival do Estrelas da Casa do último dia 10
Embora até tenha uma boa repercussão nas redes sociais com memes, o Estrelas da Casa não conseguiu se provar como uma boa competição musical ou mesmo um reality show de primeira linha. A resposta talvez seja, em vez de tentar levantar o sarrafo, abaixar o nível de vez.
Muito do desempenho virtual do programa da Globo se deve à presença de Anitta. Desbocada, a cantora rende bons cortes e ainda ajuda na humanidade necessária em um reality show. Por outro lado, Junior Lima e Belo parecem contidos e amarrados nas críticas --nos mesmos moldes do The Voice Brasil.
Na TV, o que se vê não inspira muita empolgação. Os participantes se portam como artistas consolidados e se recusam a absorver os apontamentos de Anitta. Na convivência, entregam poucos barracos e não angariam simpatia do público fora dos palcos (e olha que no palco também já não são tudo isso!).
A mudança do Estrelas da Casa, de trocar cantores solo por bandas, veio após uma leva de sucessos na gringa. Na Netflix, o Montando a Banda (2025) conquistou fãs e consolidou grupos musicais que já fazem turnê ao redor do mundo com o impulso do reality --o Soulidified, por exemplo, acabou de se apresentar no Rock in Rio.
Para o programa da Globo, o sucesso com o produto final (a banda de pop ou pagode premiada com R$ 400 mil) não parece que terá o mesmo impacto.
Com o sucesso na web e a inconsistência na televisão, a Globo deveria parar de se inspirar em realities da Netflix e olhar para dentro do Brasil. O Estrelas da Casa pode ter jeito se buscar se assemelhar mais com o Idol School.
O Idol School é um reality organizado pela K.Ö. Entertainment, empresa brasileira que se inspira nos mesmos moldes do k-pop. No programa, disponibilizado no YouTube, a premissa é bem parecida com a atração comandada por Ana Clara.
O Idol School, que já teve quatro edições, faz uma sabatina de testes com artistas amadores e busca formar um novo grupo de pop. Emma, que fez parte do grupo Pop do Estrelas da Casa, chegou a disputar a primeira edição, que formou a girlband Eve.
Sem o padrão Globo de qualidade, o reality da K.Ö. tem menos armas à disposição do que a maior emissora do país para atrair talentos e produzir uma competição musical. Ainda assim, o Idol School é sucesso na web.
Além das milhares de visualizações no canal oficial no YouTube, o Idol School é xodó de criadores de conteúdo que fazem react. No canal da apresentadora Jenny Prioli, da DiaTV, o conteúdo sobre o programa soma centenas de milhares de visualizações.
O mérito do programa da K.Ö. é, justamente, não se levar tão a sério, ao contrário do que a Globo tem feito com o Estrelas da Casa. Com artistas amadores menos desenvoltos, provas mais pitorescas e uma forte comunidade na web, o Idol School diverte, justamente, pela baixa qualidade.
No Brasil, um outro programa que abraçou o "camp" fez sucesso: o Ídolos (2006-2012). O programa, que passou pela Record e pelo SBT, é lembrado até hoje por audições fracas e pelo bom humor de jurados como Supla e Fafá de Belém --que muito se assemelha ao estilo de Anitta na Globo.
No meio do caminho entre o hit da Netflix e o camp do Idol School, o Estrelas da Casa precisa melhorar como competição para figurar na nata dos programas musicais. Por outro lado, abraçar o tosco pode virar o grande trunfo da atração da Globo.
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