A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
NO CASTING
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Ana Clara durante o Estrela da Casa, em 2025; ela apresenta o reality da Globo de novo em 2026
A terceira temporada do Estrelas da Casa estreia em 25 de agosto com outra reformulação no formato: em vez de premiar um único artista, o reality vai criar uma banda de pop ou pagode. Porém, já no anúncio do elenco, é possível perceber que a Globo seguirá dando murro em ponta de faca.
Antes mesmo de o primeiro episódio da competição musical ir ao ar, já dá para notar que a emissora cometeu três erros imperdoáveis, que podem custar (mais uma vez) o sucesso da atração.
Em realities de música no Brasil afora, é muito comum que o foco seja dar oportunidades a cantores calouros. Mesmo no The Voice, em que alguns candidatos já têm estrada pavimentada e conseguem viver de música, o destaque é para personagens anônimos do grande público.
Para o Estrelas da Casa, a Globo optou pelo caminho inverso: em vez de fazer com que o público se conecte com artistas novatos, decidiu furar a fila e já emplacar gente conhecida nas bandas que irão disputar o prêmio.
Laura Schadeck, por exemplo, tem mais de 1 milhão de seguidores no Instagram, integrou o The Voice Kids (2016-2023) e já até cantou em trilhas de novelas da Globo. Ainda no grupo pop, mas entre os homens, Bruno Gadiol atuou em Malhação (1995-2020), participou do The Voice Brasil e é consolidado na indústria musical há muitos anos.
Poucos participantes dos 32 revelados pela Globo não são destaques nas redes sociais. Como a entrada no Estrelas da Casa conta com o carimbo do público, a disputa já começa desnivelada. Se a produção iria optar por artistas mais famosos, para que abrir inscrições?
Além de ter escolhido cantores "famosinhos" na web, a Globo cometeu outro erro capital na escolha dos participantes do Estrelas da Casa: quase todos têm formação apenas como artista solo.
Laura Schadeck, citada anteriormente, até chegou a participar de uma girl band, a BFF Girls. Outros participantes, como Emma, David Natel e Julianna Franco, também integraram grupos.
Como a maior parte dos participantes já tem certo nome na indústria e até consegue viver apenas disso, fica no ar se o Estrelas da Casa seria apenas um meio de obter mais visibilidade ou realmente um fim de montar uma banda.
Em entrevista recente ao Notícias da TV, a ex-Rouge Karin Hils disse que o artista que brilha solo precisa ter outras qualidades para integrar um grupo.
"Mais do que visibilidade, é preciso entender se você realmente quer construir algo coletivo. Um grupo exige muita maturidade, escuta e flexibilidade, é um exercício constante de equilíbrio entre identidade individual e projeto em comum. Quando isso está claro, a experiência pode ser muito potente e duradoura", afirmou. "O que aprendi de mais valioso --e que com certeza fundamenta a minha base artística-- é que ninguém faz nada sozinho."
Reality shows com modelos similar ao novo Estrelas da Casa, por isso, moldam o participante para uma orientação coletiva desde a formação. Exemplos não faltam, desde o Pop Star Academy - Katseye (2024), da Netflix, até mesmo o Popstars (2002-2003), que juntou o Rouge.
Ainda na esteira de realities que formam bandas, o Estrelas da Casa escolheu poucos participantes para a competição.
O Pop Star Academy, por exemplo, já sabia que formaria apenas uma banda de garotas com seis integrantes. Para isso, assistiu a vídeos de calouras do mundo todo, selecionou mais de 20 para um treinamento e, assim, iniciou o reality. O Montando a Banda (2025), também da Netflix, juntou às cegas 50 artistas para formar seis bandas de três a seis cantores.
Além dos Estados Unidos, outro país com tradição em realities musicais do gênero é a Coreia do Sul. Grupos de fama mundial como o Twice e o Stray Kids nasceram em programas de televisão. O Iz*One (2018), por exemplo, viralizou após juntar as 92 participantes em uma única apresentação.
No Brasil, o Popstars fez audição com mais de 6 mil artistas, juntou 35 semifinalistas e levou oito à final para formar o Rouge com cinco cantoras.
Para o Estrelas da Casa, ainda não se sabe como funcionará a dinâmica de formação dos grupos --se haverá um número específico, se poderão ter bandas mistas ou se os gêneros serão separados.
O que sabemos é que nem todos os 32 candidatos já apresentados vão entrar na casa. Os que avançarem formarão bandas, no plural. Dentro da amostragem de outros programas do gênero, o número é muito baixo.
Em realities musicais, há variáveis como a harmonia entre os integrantes, a convivência e objetivos artísticos similares. Mesmo que a Globo tenha feito um casting espetacular ao escalar artistas que se dariam bem numa banda, isso tem um preço: a conexão com o público. Com tudo "de mão beijada", o engajamento em torno das formações fica menor.
"O público se conecta muito quando acompanha a formação, o desenvolvimento dos candidatos desde o início. Isso cria conexão, identificação", afirmou Karin Hils ao Notícias da TV.
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