ANÁLISE

Estrelas da Casa vira fábrica de memes, mas falha como competição séria na Globo

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Anitta no Estrelas da Casa, segurando um microfone, usando um vestido de manga longa azul-claro

Anitta no Estrelas da Casa; reality corre o risco de virar chacota sem provar seu valor na Globo

GIULIANNA MUNERATTO

giulianna@noticiasdatv.com

Publicado em 12/9/2026 - 18h00

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A Globo finalmente descobriu como fazer o público falar sobre o Estrelas da Casa: virando meme. Na terceira temporada, o reality musical ganhou repercussão nas redes sociais com as broncas de Anitta, cantorias que saíram do tom e até o choro de um participante no palco do Rock in Rio. O problema é que a atração corre o risco de se consolidar justamente pelo motivo errado: ser mais lembrada pelas situações engraçadas do que pela competição artística.

  • Entenda a análise:
  • Foco no meme: A terceira temporada do Estrelas da Casa repercute por situações cômicas, afinações ruins e broncas de Anitta, deixando a música em segundo plano.
  • Participantes de lado: As críticas sem filtro da conselheira viraram a principal atração, apagando a competição entre os grupos.
  • Falta de relevância: O reality corre o risco de virar piada nas redes em vez de revelar novos talentos.

Não há nada de errado em um reality render memes. Pelo contrário: em um momento nos quais as redes sociais são fundamentais para a sobrevivência de programas de televisão, transformar cenas em assunto é uma vantagem. O problema começa quando o público passa a acompanhar a atração para rir dela, e não para torcer pelos participantes ou descobrir novos artistas.

O Estrelas da Casa parece caminhar perigosamente nessa direção. A terceira temporada nasceu com a missão de finalmente encontrar um caminho depois de duas edições que não conseguiram se consolidar como fenômenos de audiência ou repercussão.

A Globo mudou novamente a mecânica e apostou na formação de grupos musicais, colocando a criação das bandas no centro da competição. A proposta poderia ser justamente o diferencial capaz de afastar o reality dos demais formatos de confinamento e shows de talento.

Até aqui, porém, o que mais chamou atenção não foi necessariamente a evolução dos grupos ou dos participantes, mas os momentos que furaram a bolha justamente por seu potencial de meme.

Anitta é o maior exemplo. A cantora entrou como conselheira, com liberdade para dar seus feedbacks aos competidores, e rapidamente se tornou uma das principais atrações do programa.

Suas críticas aos figurinos, suas reclamações sobre o áudio, seus comentários sobre dancinhas e outras tiradas ganharam repercussão nas redes e chegaram a ofuscar os próprios participantes.

A própria Globo percebeu esse potencial e até exibiu uma chamada que explorava justamente o "humor diferenciado" da conselheira e recuperava uma fala de Anitta em que ela questionava a qualidade do áudio da transmissão.

A estratégia faz sentido do ponto de vista de divulgação. Anitta tem personalidade forte, seus comentários naturalmente geram conversa e o programa ganha visibilidade com isso. A questão é se essa repercussão ajuda a construir a imagem que a Globo precisa para o Estrelas da Casa.

O reality não nasceu para ser um programa de humor, mas sim uma competição que alavanca cantores de diferentes gêneros. Ele precisa convencer o público de que seus participantes são, de fato, artistas em formação e que existe uma competição relevante acontecendo ali.

Depois de duas temporadas em que os vencedores sequer se transformaram em nomes lembrados pelo grande público, a terceira edição precisava criar uma relação maior entre os espectadores e os competidores.

O risco maior até agora é transformar participantes em personagens de meme em vez de artistas que despertam torcida. Um momento engraçado pode ajudar um competidor a ganhar visibilidade, mas não necessariamente cria interesse por sua carreira. 

A Globo não precisa abandonar os memes, muito menos tentar controlar a repercussão espontânea das redes. O problema seria permitir que eles se tornassem a principal identidade da atração --afinal, viralizar é diferente de construir relevância.

Se os grupos ganharem força, os participantes conquistarem torcida e a competição realmente revelar artistas com potencial para seguir carreira depois do programa, a repercussão das redes terá cumprido um papel importante.

Mas, se o grande legado da terceira temporada forem as broncas de Anitta, o "iCarly de caju", as desafinações e os momentos constrangedores, a Globo terá conseguido transformar o reality em assunto sem provar que ele merece continuar na programação.


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