A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
BREGUICE SEM FIM
REPRODUÇÃO/CAZÉTV

Carlo Ancelotti sentado na plateia do evento da CBF para o anúncio da convocação para a Copa
A convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo sempre teve força de evento nacional, capaz de mobilizar até quem acompanha futebol apenas ocasionalmente. Em anos de Mundial, a leitura da lista de jogadores deixa de ser um procedimento técnico e passa a ganhar contornos de espetáculo, com torcida, expectativa e debate público em torno das escolhas do treinador. Para 2026, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) decidiu reforçar esse caráter midiático e preparou uma cerimônia de grande porte, com convidados, celebridades e atrações musicais.
Enquanto boa parte do público se perguntava se Neymar iria estar na lista final ou não, a CBF aproveitou para fazer um evento corporativo e falar muito de si mesma e colocar dirigente para discursar e encher linguiça.
Nem mesmo o momento importante de valorizar o futebol feminino e a realização da Copa do Mundo da modalidade no nosso país no ano que vem pareceu natural.
Além do falatório, houve a exibição de vídeos antigos de momentos de glória da Seleção Brasileira nos Mundiais. Sempre também explorado pela Globo como uma armadilha de nostalgia para tentar cativar o público. Neste evento em específico, soou mais como enrolação. A embromação foi tamanha que a Globo precisou chamar os comerciais na performance musical do pagodeiro Dilsinho.
Depois, enfim, de uma hora de conteúdo institucional, Carlo Ancelotti finalmente anunciou a lista de jogadores. Nem isso escapou de alguns constrangimentos. Por conta da presença maciça de convidados, a cada atleta anunciado, havia uma medição de aplausos e de silêncios.
O ápice do mico foi quando o italiano falou o nome de Neymar. O alvoroço causado pelo público foi tão grande que o treinador precisou parar a convocação para que as pessoas gritassem "olê, olê, olá, Neymar, Neymar".
Apesar de termos um técnico gabaritado no comando da Seleção, o evento da CBF entregou um diagnóstico duro do futebol brasileiro. Preocupado com a performance midiática e com a galhofa, a entidade máxima do futebol brasileiro explica, mesmo sem querer, por que não ganhamos a Copa desde 2002.
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