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'PROSTITUINDO'

SBT, por favor, cancele o especial de Zezé Di Camargo; ele é um misógino desafinado

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Homem de regata preta aparece em duas imagens: em uma, pressiona o nariz com os dedos; na outra, apoia o queixo nas mãos, sério, em ambiente interno.

Zezé Di Camargo em vídeo nas redes sociais; ele afirmou que SBT está "se prostituindo"

DANIEL CASTRO

dcastro@noticiasdatv.com

Publicado em 15/12/2025 - 12h12
Atualizado em 15/12/2025 - 19h47

O cantor Zezé Di Camargo veio a público na madrugada desta segunda (15), visivelmente sonolento, pedir ao SBT o cancelamento da exibição de um especial de fim de ano gravado com ele. Para o sertanejo, o novo comando do SBT, feminino e familiar, se "prostituiu" ao paparicar o presidente Lula e o ministro do STF Alexandre de Moraes no lançamento do SBT News, canal de notícias que estreia hoje.

Zezé entrou numa onda digital de cancelamento das filhas de Silvio Santos (1930-2024), principalmente Patricia Abravanel (apresentadora, herdeira do programa do pai) e Daniela Abravanel Beyruti, presidente da emissora. Um hate totalmente esquizofrênico, contraditório, que acredita que as filhas de Silvio Santos traíram o legado do pai e se venderam a Lula e Xandão.

Pra começo de conversa, o termo "prostituição" é muito forte. Não que parte da mídia não se prostitua, mas falar isso de uma empresa dirigida por uma família de mulheres (e um genro/cunhado superpoderoso) é misoginia, é a incapacidade que alguns machos têm de aceitar a igualdade de gêneros.

Eles pensam que mulheres ricas e bonitas como Daniela e Patricia (e Rebeca, Renata e Iris) deveriam cuidar de suas mansões e ir à igreja, coisa que elas também fazem. Entretanto, com a morte de Silvio, em 2024, elas assumiram o desafio de dirigir uma das maiores empresas de comunicação do país, decadente e muitas vezes desafinada, como Zezé, mas ainda charmosa.

Para o lançamento do SBT News, o SBT convidou as principais autoridades do país, empresários, banqueiros e profissionais de comunicação para uma cerimônia em um estúdio da emissora, em Osasco, na Grande São Paulo. O presidente da República foi, assim como na inauguração da Record News, em 2007. E lá também estavam, e discursaram, o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes, representantes da direita.

O problema é que a cerimônia do SBT reuniu os dois polos antagônicos do país no dia em que o ministro Alexandre de Moraes obteve uma grande vitória, a suspensão da sua inclusão na Lei Magnitsky, que bane transgressores dos direitos humanos de relações com instituições e empresas americanas norte-americanas.

O SBT virou palco para a comemoração de Lula e Xandão, para a humilhação do bolsonarismo que tentou boicotar o Brasil articulando medidas do presidente dos EUA, Donald Trump. Foi ótimo por um lado. O SBT News foi citado até na Globo. Mas, por outro lado, bolsonaristas sentiram o golpe e reagiram nas redes sociais, alguns covardemente, atacando as filhas de Silvio Santos, que são mulheres conservadoras, evangélicas.

Diferentemente do que disse Zezé Di Camargo, a família Abravanel não se converteu ao PT ao estender tapete vermelho para Lula. Silvio Santos sempre foi governista, sempre esteve ao lado de quem está no poder.

O fundador do SBT acreditava que o departamento de Jornalismo de sua emissora deveria puxar o saco dos governantes, ou no mínimo não arrumar problemas para eles. Foi assim com o general João Figueiredo, último presidente da ditadura, com José Sarney, com Fernando Collor, com Fernando Henrique Cardoso, com Lula e com Jair Bolsonaro.

É preciso delirar em teorias da conspiração para ver no SBT News um empreendimento de esquerda. Mais do que das filhas de Silvio Santos, o SBT News é um projeto de Fábio Faria, o genro/cunhado superpoderoso, marido de Patricia Abravanel, que foi ministro das Comunicações proeminente de Bolsonaro. Nos documentos de divulgação do novo canal, Faria é creditado como "líder de implantação" do SBT News.

O SBT News é um projeto de poder, uma tentativa do SBT de obter prestígio como produtor de jornalismo, coisa que nunca teve. Aparentemente, mira na TV por assinatura, nas classes A e B, mas poderá fazer sucesso mesmo é no YouTube ou nas TVs conectadas, gratuitamente.

Além do prestígio das autoridades, o SBT News já nasce com a força de algumas marcas. Em um estúdio ao lado do que sediou a cerimônia com Lula e Alexandre de Moraes, um grande painel exibia os logotipos de JBS, EMS, Gerdau, Havan, TIM, Amil, BYD, BTG Pactual e Cedro. São empresas que têm pautas, que fazem grandes negócios com a ajuda ou interferência direta do governo.

É balela que o SBT News será um canal imparcial, como discursaram as filhas de Silvio Santos. Imparcialidade é um mito jornalístico, tão real quanto a versão de que a terra é quadrada. O canal vai ser amigável com todos os governos porque também mira as verbas de publicidade oficial.

Por fim, uma informação: depois de algumas reviravoltas, o SBT decidiu engavetar o especial de Zezé Di Camargo. Ele não irá mais ao ar na noite de quarta (17). A família Abravanel não assimilou as ofensas.


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