COMPETITIVO
REPRODUÇÃO/GLOBOPLAY

Imagem da campanha publicitária dos 10 anos do Globoplay: 'segundo lugar de audiência no streaming'
Plataforma de streaming da Globo, o Globoplay completa dez anos na próxima segunda (3) exibindo números de "gigante", como qualifica seu principal executivo. O serviço já tem 30 milhões de usuários mensais e ostenta o "maior engajamento" entre os concorrentes, com 2 horas e 9 minutos diários de consumo médio por usuário, 19 minutos a mais do que o segundo colocado na métrica.
"A gente se considera um gigante, sim. Eu diria que, em termos relativos, hoje o Globoplay, dentro do Brasil, tem uma posição quase incomparável a outros mercados que a gente acompanha, mercados maduros, de muito consumo audiovisual, e a gente se considera um gigante pronto para competir", disse Manuel Belmar, diretor de produtos digitais, finanças, jurídico e infraestrutura da Globo. Ele assumiu o Globoplay em fevereiro do ano passado.
Em encontro com jornalistas na quarta-feira (29), o Globoplay se apresentou como "o segundo lugar no streaming". Porém, isso só vale se considerarmos que o YouTube não é streaming. Segundo a Kantar Ibope, a plataforma de vídeos do Google teve 13,3% do consumo de vídeo em televisores em setembro no país, o que a coloca na disputa pelo segundo lugar da TV com a Record. O Globoplay tem "apenas" 1,4% do consumo de vídeo. Está atrás da Netflix (4,5%), mas à frente de poderosas plataformas globais como Prime Video (1%), Disney+ (0,5%) e HBO Max (0,4%).
Ou seja, o Globoplay é a maior plataforma de streaming brasileira e é competitiva contra grandes grupos internacionais. Só que a maior parte dos seus usuários, assim como o YouTube, não é pagante. A empresa não divulga números de assinantes nem de faturamento.
Segundo a Globo, a base de usuários do Globoplay cresceu 42% no ano passado e vai aumentar mais 30% neste ano. Boa parte desses usuários vem da Claro, operadora com a qual firmou um acordo em 2023 no qual o Globoplay passou a ser distribuído gratuitamente. A Claro tem cerca de 10 milhões de assinantes.
A estratégia infla a base de usuários do Globoplay, mas não aumenta as receitas diretamente com assinaturas, embora amplie a potência da plataforma como vitrine de publicidade --e exibir propagandas sempre fez parte do modelo de negócios do streaming da Globo. A Claro paga um valor fixo para a Globo.
Em um comunicado divulgado internamente no ano passado, Paulo Marinho, presidente da Globo, informou que apesar da explosão da base de usuários do Globoplay, as receitas com assinaturas de streaming e canais pagos caíram. A plataforma atinge um número expressivo de telespectadores, mas apenas uma pequena parte paga pela assinatura.
Questionado sobre o acordo com a Claro não gerar receitas adicionais por assinante, Manuel Belmar, em bom português, deu uma enrolada. "Temos uma relação com a Claro de mais de 30 anos, [ela] é um dos nossos principais parceiros de negócios, uma empresa com que a gente tem uma relação não apenas no mundo da distribuição, mas também da publicidade."
"E essa parceria histórica naturalmente observou as mudanças inerentes à transição de tecnologia e de modelos de distribuição que aconteceram no conteúdo pago. Posso dizer com muita segurança que, no final de 2023, a gente chegou a um marco. Juntas, Claro e Globo reinventaram esse modelo de empacotamento do conteúdo pago", disse.
De acordo com Belmar, o Globoplay completa dez anos saindo do vermelho. Pela primeira vez, deve fechar o quarto trimestre de 2025 no azul. E deve permanecer assim em 2026.
Responsável pela curadoria de conteúdo do Globoplay, Tatiana Costa afirma que o desafio da plataforma é crescer junto ao público jovem e masculino, já que 65% de sua audiência são mulheres com mais de 35 anos. Para manter esse mercado, vai continuar investindo em novelas, realities e comédias românticas.
Segundo a executiva, atualmente 171 produtoras estão "pensando conteúdo com o Globoplay". Em 2026, a plataforma prevê estrear uma novela original (Vidas Paralelas, um "dorama brasileiro" criado por Walcyr Carrasco), dez microdramas (novelas verticais, como você ficou sabendo antes no Notícias da TV), oito séries originais e 12 documentários.
Ao todo, estão previstas mais 40 produções originais, entre elas o documentário Sócrates Brasileiro, de Walter Salles, a terceira temporada de Os Outros e a segunda do hit Pablo & Luisão.
Para 2027, o Globoplay trabalha numa coprodução internacional com Ron Leshem (criador de Euphoria). Será uma série chamada Paranoia, com deep fakes, inteligência artificial, saúde mental e realidades virtuais. Também desenvolve Uma Mulher no Escuro, adaptação do livro homônimo de Raphael Montes (mesmo autor de Dias Perfeitos).
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