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BALANÇO TRIMESTRAL
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Ana Paula Renault vence o BBB 26: pay-per-view ajudou a levantar os números do Globoplay
DANIEL CASTRO e DANIEL FARAD
Publicado em 27/5/2026 - 17h04
Atualizado em 27/5/2026 - 17h21
A Globo encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um dado bastante indigesto no seu balanço. O Globoplay ganhou assinantes, mas a área responsável pelo streaming perdeu força. Por um lado, a base de clientes da plataforma cresceu 35%, impulsionada pela boa repercussão do BBB 26 e pelo contrato com a Claro, que inclui o streaming nos pacotes da operadora. Por outro, o braço de conteúdo, programação e assinaturas caiu 2% em relação ao mesmo período do ano passado, fechando em R$ 1,3 bilhão nos números arredondados.
O Notícias da TV teve acesso aos dados divulgados em comunicado interno assinado por Paulo Marinho, diretor-executivo da Globo e neto de Roberto Marinho (1904-2003). Eles expõem uma contradição na estratégia digital da empresa: aumenta-se o alcance de sua plataforma de streaming, mas ainda não se consegue converter esse crescimento em receita na mesma proporção.
Parte dessa diferença é explicada justamente pelo acordo com a Claro. A Globo recebe um valor fixo mensal para incluir o Globoplay nos pacotes da operadora. Com isso, novos usuários podem entrar na conta de assinantes da plataforma sem representar, necessariamente, uma alta proporcional no faturamento. Em outras palavras: a base cresce, mas o dinheiro não acompanha o mesmo ritmo.
Em comunicado interno, a Globo também destacou o avanço de 40% do Premiere, outro produto pago do grupo, como reflexo da força de seu conteúdo esportivo. A emissora ainda citou a Ge TV, que já ultrapassa 16 milhões de inscritos, como exemplo de ampliação de alcance e engajamento no ambiente digital --o canal, porém, está disponível gratuitamente no YouTube.
Os números mostram que a publicidade segue sendo o grande motor financeiro da empresa. A receita publicitária cresceu 12%, passando de R$ 2,7 bilhões para R$ 3 bilhões. Com isso, os anúncios representaram 68% da receita total no trimestre, contra 65% um ano antes.
No total, a receita líquida chegou a R$ 4,4 bilhões, uma alta de 7% sobre o primeiro trimestre de 2025. O problema é que os custos e despesas subiram em ritmo mais acelerado: avançaram 14%, para R$ 3,9 bilhões.
"Esses resultados são fruto do trabalho coletivo, da nossa dedicação e da capacidade de evoluir diante dos desafios. Com responsabilidade, disciplina e compromisso com a nossa estratégia, seguimos construindo uma Globo cada vez mais múltipla e sempre com o brasileiro no centro", avalia Marinho, no e-mail.
O resultado foi uma queda de 27% no Ebitda --indicador que mede a geração de caixa da operação antes de juros, impostos e efeitos contábeis--, que passou de R$ 647 milhões para R$ 469 milhões. A Globo atribui a pressão nos custos à antecipação de investimentos e a ajustes no calendário esportivo.
A expectativa da empresa é ganhar mais tração ao longo do ano com grandes acontecimentos, como as eleições, a Copa do Mundo e o Rock in Rio. O Mundial de futebol, em especial, aparece como uma aposta para ampliar a conexão com o público e oferecer novas possibilidades comerciais aos anunciantes, em meio a um mercado cada vez mais competitivo.
"A Copa do Mundo deste ano, em especial, terá um desafio adicional. Em um ambiente cada vez mais competitivo e dinâmico, precisamos seguir nos conectando com o público através da nossa reconhecida qualidade, de novas formas de contar histórias e de experiências multiplataforma, potencializando a força do nosso ecossistema", diz Marinho, no comunicado.
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