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'CASAMENTO VERMELHO'
Fábio Rocha/TV Globo

Manuel Belmar, principal executivo de finanças da Globo e líder do Globoplay, deve deixar o grupo
A Globo deve anunciar importantes mudanças em sua cúpula nesta sexta-feira (4). Altos executivos deverão ser dispensados, em uma reestruturação que já está sendo chamada de "Casamento Vermelho", em referência à disputa de poder dentro da própria Globo e ao sangrento nono episódio da terceira temporada da série Game of Thrones, exibido pela HBO em 2013.
O presidente da Globo, Paulo Marinho, deve confirmar em "live" nesta sexta as saídas de Manuel Belmar e Manuel Falcão. Segundo a revista Veja, Belmar foi demitido nesta quinta-feira (3). O Notícias da TV apurou que Falcão foi desligado na última terça (1º).
Oficialmente designado diretor de Produtos Digitais, Finanças, Jurídico e Infraestrutura da Globo, Belmar é na prática o vice-presidente do maior grupo de mídia do país, reportando diretamente ao presidente, Paulo Marinho, neto do fundador Roberto Marinho (1904-2003). Já Manuel Falcão é diretor de Marca e Comunicação.
Se confirmada, a saída de Manuel Belmar significará uma movimentação grande na engrenagem da Globo. Há sete anos, ele controla as finanças do grupo e, desde 2024, também o Globoplay e os canais pagos.
A Belmar tem se creditado um dos maiores equívocos da história recente da Globo. O executivo teve papel central na decisão de abrir mão da exclusividade da Copa do Mundo da Fifa. No último Mundial, para reduzir os custos de aquisição dos direitos, a Globo optou por transmitir apenas metade dos jogos.
Assim, a Globo deixou de ser protagonista e virou coadjuvante da CazéTV e do YouTube, que tiveram preferência na escolha das partidas mais interessantes. Os críticos da decisão apontam que a Globo cometeu um erro estratégico: permitiu a ascensão de um novo e forte concorrente, a CazéTV.
O Notícias da TV apurou que Belmar também não tem sido bem avaliado como executivo do Globoplay. Ele anunciou no ano passado que a plataforma de streaming finalmente havia alcançado o equilíbrio entre despesas e receitas (breakeven), mas os balanços recentes da Globo mostram que o faturamento do Globoplay estagnou. Isso indica que a operação pode ter voltado ao vermelho.
Aqui, Belmar teria cometido outro erro estratégico: ele fechou um acordo com a Claro em que a operadora passou a oferecer a plataforma de graça a seus assinantes. Em troca, a Globo recebe um percentual das vendas de assinaturas domésticas de banda larga e de pacotes de canais pagos. O problema é que o número de assinantes da Claro não está crescendo, então a receita da Globo também não aumenta.
Já Manuel Falcão, diretor de Marcas e Comunicação, tem sido criticado porque a "saúde" da marca Globo não está boa, como apontam estudos internos. Com a ascensão do bolsonarismo, emergiu também uma legião de haters da emissora entre os conservadores, e não apenas na esquerda.
Falcão tem uma relação de amizade com Paulo Marinho. Sua demissão indica que o presidente da Globo sai vivo, mas enfraquecido do "Casamento Vermelho". Isso porque as mudanças estão sendo arquitetadas por Carlos Henrique Schroder, que foi diretor-geral da Globo entre 2013 e 2019 e retornou ao grupo no ano passado, como membro do Conselho de Administração.
De acordo com fontes bem posicionadas, Schroder tem produzido ao conselho relatórios demolidores sobre os assistentes de Paulo Marinho. As mudanças na cúpula da Globo são, portanto, decisão do conselho, comandado pelos filhos de Roberto Marinho (Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto).
A reformulação deve atingir outros executivos. Pedro Garcia, responsável pela negociação de direitos esportivos, pode ser um deles. Paulo Tonet Camargo, vice-presidente de Relações Institucionais, também deve deixar o cargo.
reprodução/hbo

Catelyn (Michelle Fairley) no "Casamento Vermelho" de Game of Thrones
As (por enquanto apenas prováveis) mudanças na cúpula da Globo ganharam o apelido de "Casamento Vermelho" porque a emissora foi palco nos últimos anos de uma disputa de poder interna que foi comparada com a série Game of Thrones (2011-2019), como o Notícias da TV relevou em há dois anos, quando J.B. Oliveira, o big boss Boninho, foi demitido.
Antes de Boninho, importantes executivos deixaram a emissora, como Silvio de Abreu (diretor de teledramaturgia), Erick Bretas (que implantou o Globoplay) e Ricardo Waddington (Estúdios Globo). Nessa guerra dos tronos, saíram fortalecidos Amauri Soares (diretor-geral dos Estúdios e da TV Globo) e Manuel Belmar.
A eventual saída de Belmar, contudo, não significa que Amauri Soares foi o vencedor da guerra. Um velho protagonista voltou com tudo nessa série: Carlos Henrique Schroder.
Um dos momentos mais memoráveis e sangrentos de Game of Thrones, o "Casamento Vermelho" ocorreu no nono episódio da terceira temporada, oficialmente intitulado The Rains of Castamere, que mostrou a união de Edmure Tully (Tobias Menzies) e Roslin Frey (Alexandra Dowling).
A festa, porém, virou um enterro quando Walder Frey (David Bradley) se vingou de Robb Stark (Richard Madden) por ter quebrado um pacto de matrimônio feito entre suas casas para ficar com Talisa (Oona Chaplin); ele mandou seus homens matarem o rei e sua mulher, que estava grávida.
Também se tornaram vítimas fatais do evento Catelyn Stark (Michelle Fairley), mãe de Robb, Wendel Manderly (Oddie Braddell), Joyeuse Frey (Kelly Long) e até o lobo gigante do rei, Vento Cinzento.
Apesar de Game of Thrones já ter dado indícios de que nenhum herói estava seguro ainda na primeira temporada, quando Ned Stark (Sean Bean) foi executado, a série atingiu um novo patamar de violência e imprevisibilidade com o "Casamento Vermelho", como o episódio passou a ser conhecido, traumatizando fãs com a morte de personagens queridos do público.
Colaborou LUCIANO GUARALDO
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