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MERCADO
Beatriz Damy/Globo

Paulo Marinho, presidente da Globo, em lançamento de estação piloto de TV 3.0, aposta para 2026
A Globo publicou nesta quarta-feira (25) o seu balanço anual de 2025. O documento revela que o maior grupo de comunicação do país finalmente conseguiu faturar mais de R$ 16 bilhões, marca que não superava desde 2014, alcançando uma receita total de R$ 18,3 bilhões. Esse trunfo, contudo, só foi possível com a incorporação da Eletromidia, maior empresa de publicidade de rua no país. Sem ela, o faturamento seria de R$ 16,7 bilhões.
Em mensagem enviada aos colaboradores, o presidente da Globo, Paulo Marinho, celebrou os resultados, mas previu um 2026 "tão desafiador quanto os anos anteriores".
"O avanço dos players globais, as transformações no mercado de esportes e a chegada de novos formatos de distribuição exigem que sigamos atentos, ágeis e inovadores. Para reforçar nossa competitividade, continuaremos investindo em conteúdos estratégicos e em iniciativas que nos diferenciem e nos mantenham conectados aos brasileiros", escreveu o executivo.
Segundo Marinho, a Globo obteve "resultados financeiros importantes" em 2025 porque manteve "o foco em equilibrar disciplina de custos com novas receitas". Além da aquisição da Eletromidia e de outras duas operações de mídia exterior (out-of-home), ele destacou o lançamento da Ge TV no YouTube e o crescimento da base de assinantes do Globoplay e do Premiere, respectivamente de 33% e 32%.
O Globoplay, contudo, não contribuiu para o aumento das receitas. O que impulsionou a Globo em 2025 foram as vendas de formatos publicitários. Essa fonte cresceu 15%, de R$ 10,9 bilhões em 2024 para R$ 12,5 bilhões, e a Eletromidia foi a grande responsável pelo feito.
Isso porque, de acordo com o balanço, as receitas com publicidade da Globo cresceram apenas 3%, de R$ 16,2 bilhões para R$ 16,7 bilhões. No balanço, os dados da Globo aparecem como "controladora" e incluem TV aberta, Globoplay, canais pagos, Premiere e operações digitais como G1 e Ge TV. Os dados "consolidados" somam esses resultados com os de empresas controladas, como a Eletromidia, que recebeu um investimento de R$ 4 bilhões.
A publicidade passou a representar 68% das receitas da Globo, enquanto o dinheiro arrecadado com conteúdo e programação (venda de assinaturas de Globoplay, Premiere e canais) caiu para 29% (era 31% em 2024 e, nos tempos da Globosat, representava quase 40% das vendas). No último trimestre de 2025, a publicidade representou 72% das receitas.
As receitas com assinaturas foram de R$ 5,3 bilhões em 2025, apenas R$ 200 milhões (ou 4%) a mais do que em 2024. No quarto trimestre, houve uma queda de R$ 100 milhões em relação ao mesmo período do ano anterior. Os relatórios da Globo não informaram se foi um problema pontual do último trimestre de 2025 (atrasos no recebimento de operadoras, por exemplo) ou se é uma mudança de patamar por conta do derretimento do negócio de TV paga.
O aumento de assinantes do Globoplay não se converte em dinheiro porque a grande maioria deles são clientes da Claro, com a qual a Globo tem um acordo em que recebe um valor fixo, e a operadora oferece a plataforma de streaming de graça aos seus assinantes.

A Globo (controladora) conseguiu reduzir ainda mais seus custos administrativos e com a produção de novelas, séries e jornalismo. Foram R$ 80 milhões a menos do que em 2024 (R$ 11,465 bilhões contra R$ 11,545 bilhões).
A emissora fechou o ano com um lucro líquido de R$ 1,460 bilhão, um bom resultado, mas 27% inferior ao R$ 1,987 bilhão do ano anterior. O aumento da receita com publicidade foi neutralizado pela alta do custo com vendas e pela queda de receitas financeiras. O aumento de receita com a Eletromidia não se materializou em lucro porque houve aumento de custos com essa operação. Considerando a Eletromidia, o lucro líquido foi de R$ 1,491 bilhão.
O sólido caixa da Globo sofreu uma queda de 30% no ano passado. Em reportagem do jornal Valor Econômico, também controlado pela família Marinho, Manuel Belmar, diretor de finanças, jurídico, infraestrutura e produtos digitais da Globo, informou que isso foi consequência da antecipação do pagamento de US$ 280 milhões (R$ 1,467 bilhão na cotação de R$ 5,24) de títulos que só venceriam em 2030 e 2032.
A Globo fechou 2025 com R$ 9,53 bilhões em caixa, ante R$ 13,7 bilhões no ano anterior.
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