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Fora da meta, Globo corta gastos e cancela festa de final de ano para salvar 2025

Montagem/Notícias da TV

Ilustração com vários logos da Globo e dados de faturamento da emissora

Dados da Globo: faturamento da emissora deve ficar cerca de R$ 700 milhões abaixo do projetado

DANIEL CASTRO

dcastro@noticiasdatv.com

Publicado em 17/11/2025 - 10h42

Apesar do sucesso comercial da reta final de Vale Tudo (2025) e de ter faturado até com a despedida de William Bonner do Jornal Nacional, a Globo não deverá bater sua meta de receita com publicidade em 2025, da ordem de R$ 10 bilhões (só a TV aberta). O faturamento da emissora deverá ficar cerca de R$ 700 milhões abaixo do projetado por suas próprias lideranças, segundo fontes do mercado ouvidas pelo Notícias da TV. A Globo admite dificuldades, comuns a todo o mercado de mídia, mas se diz otimista com os resultados finais do ano (leia abaixo).

A queda na expectativa de faturamento não quer dizer que a Globo não irá crescer (ela vai crescer, mas menos do que queria), mas tem causado uma movimentação mais forte de corte de custos nos últimos meses. As novelas da emissora estão mais pobres, com menos cenas externas e figurantes. Até as tradicionais festas de final de ano da firma, que confraternizam funcionários por áreas, foram canceladas em 2025, ano em que a emissora completou 60 anos e o Grupo Globo, 100.

As lideranças correm para cortar custos para salvar uma segunda meta, a de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que mede a geração de caixa da empresa. O Ebitda também determina a margem de lucro operacional. Se essa margem ficar abaixo de 80% da meta, ninguém receberá PLR (Participação em Lucros e Resultados). O corte de custos é para compensar a frustração com as receitas com publicidade.

Os números de 2025 divulgados até aqui são bons, porém, como apontou relatório do banco JPMorgan em setembro, houve uma "deteriorização da lucratividade", o que tem relação diretamente com o Ebitda.

No primeiro trimestre, a Globo faturou R$ 4,1 bilhões, resultado 13% superior ao do mesmo período de 2024. Esse valor inclui as receitas de TV Globo, Globoplay, canais pagos e demais operações digitais. Mas os custos e as despesas aumentaram 22%, diminuindo em 20% o Ebitda, que foi de R$ 647 milhões. Tanto as receitas quanto as despesas foram impactadas pela integração da Eletromidia (empresa de mídia exterior) e do Telecine (plataforma de filmes).

No segundo trimestre, a receita chegou a R$ 4,5 bilhões, mantendo o crescimento de 13%. No entanto, os custos mais altos com eventos ao vivo, incorporação da Eletromidia e despesas administrativas maiores reduziram o Ebitda para R$ 286 milhões. A margem caiu para 6,4%, ante 10,6% no segundo trimestre de 2024 e 15,7% no primeiro trimestre de 2025.

A área de vendas de publicidade da Globo tem sido muito pressionada para compensar a queda com receitas de assinaturas (canais pagos e Globoplay), que já representaram 43% do faturamento e hoje respondem por menos de 35%. Por isso sua meta é alta.

Segundo relatório da própria Globo, o crescimento de receitas no segundo trimestre foi impulsionado pela publicidade digital, não pela TV aberta, e por assinaturas do Premiere Play (Brasileirão). O Globoplay, apesar do crescimento de usuários e audiência, não tem apresentado alta significativa de receita de assinaturas porque seu principal acordo, com a Claro, estipula um valor fixo a ser pago pela operadora.

A Globo deve superar em 2025 pela primeira vez desde 2014 a casa dos R$ 16 bilhões, dos quais cerca de R$ 10 bilhões virão de publicidade na TV aberta. Em termos nominais, as receitas estão estagnadas há mais de dez anos. Os R$ 16,2 bilhões que a emissora faturou em 2014, atualizados pelo IPCA, o índice de inflação oficial, equivaleriam a R$ 28,6 bilhões em 31 de dezembro de 2024.

Pressão interna é exposta e causa demissão

A pressão para alcançar metas que salvem o PLR de 2025 foi exposta na semana passada por um funcionário que enviou um email a todas as lideranças da casa questionando o corte de custos e a degradação das condições de trabalho, com baixos salários e supostos desrespeitos à legislação trabalhista.

"Verdade que a festa de final de ano foi cancelada por conta desses cortes?", perguntava no email o funcionário, um diretor de TV (profissional que orienta cinegrafistas e edita ao vivo imagens captadas em estúdio). O email circulou em toda a Globo, e o profissional virou uma espécie de herói interno. Ele foi demitido.

Globo diz que vai cumprir todas as metas

Procurada pelo Notícias da TV, a Globo confirmou o cancelamento das festas de final de ano dos departamentos, mas disse que a decisão não tem a ver com receita abaixo do previsto ou corte de gastos, mas sim com os 60 anos da TV e 100 anos do grupo.

"Em razão das comemorações dos 100 anos, realizamos duas grandes celebrações agora no segundo semestre para todos os funcionários do Grupo Globo, uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo", disse a emissora em nota. Nessas duas comemorações, a Globo contratou um dia inteiro de um grande evento gastronômico apenas para seus colaboradores.

A Globo também nega os cortes e as supostas irregularidades trabalhistas apontadas pelo ex-funcionário em email: "Não é verdade que houve qualquer desvio ou corte irregular de recursos. A Globo possui canais formais e mecanismos internos de gestão para tratar as questões e insatisfações mencionadas no email do ex-funcionário, e lamentamos que ele não tenha recorrido a esses instrumentos enquanto esteve conosco."

Por fim, a emissora afirma que trabalha para alcançar todas as metas estipuladas para 2025:

Apesar de um contexto econômico desafiador ao longo do ano, a Globo apresenta resultados financeiros sólidos, que reforçam sua resiliência operacional e mantêm uma perspectiva positiva para o fechamento de 2025, com a indicação de cumprimento das metas financeiras estabelecidas.

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