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Ameaça do Corinthians pode acelerar mudanças nas transmissões do Brasileirão

Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

O zagueiro Gustavo Henrique comemora gol do Corinthians em jogo da Copa Libertadores de 2026

O zagueiro Gustavo Henrique comemora gol do Corinthians: clube ameaçou implodir a FFU

DANIEL CASTRO

dcastro@noticiasdatv.com

Publicado em 28/6/2026 - 8h10

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A turbulência que tomou conta da Futebol Forte União (FFU) nos últimos dias já começa a produzir efeitos sobre o futuro da negociação dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Se for concretizada a ameaça do Corinthians de deixar a FFU, o bloco poderá implodir, e um novo modelo de negociação dos direitos de TV do Brasileirão será adotado.

Atualmente, os direitos de transmissão do principal campeonato nacional são divididos entre dois blocos econômicos: a FFU (que representa clubes como Corinthians, Botafogo e Cruzeiro) e a Libra (composta por Flamengo, São Paulo, Atlético-MG, entre outros). Enquanto a Libra fechou um acordo de exclusividade com a Globo, a FFU fragmentou seus direitos em pacotes para Globo, Record, Prime Video e CazéTV.

Na última quinta-feira (25), o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) concedeu liminar ao CSA (clube de Alagoas) proibindo a FFU de restringir a saída de clubes que compõem a instituição.

O órgão federal entendeu que "eventuais mecanismos destinados a impedir ou dificultar artificialmente a migração de clubes entre ligas concorrentes podem suscitar preocupações sob a ótica da defesa da concorrência, por reduzirem a contestabilidade do mercado e limitarem a dinâmica competitiva entre essas estruturas".

Decisão do Cade gera reação em cadeia

Na sexta (26), quatro equipes notificaram extrajudicialmente a FFU e sua principal investidora, a Sports Media Participações, exigindo mudanças imediatas na estrutura jurídica da associação. Outros dois clubes --Figueirense e Amazonas-- foram além e acionaram a Justiça.

No sábado (27), um novo elemento ampliou ainda mais a gravidade da crise: o Corinthians, principal ativo comercial da FFU e maior chamariz de patrocinadores e audiências, enviou uma notificação formal cobrando adequações e deixando claro que não permanecerá em qualquer arranjo que viole a legislação concorrencial.

No documento enviado às entidades, o clube afirma que a decisão do Cade "desperta séria preocupação quanto à compatibilidade da estrutura da FFU e dos arranjos a ela vinculados com a legislação de defesa da concorrência".

O texto reforça que o Corinthians não pode negociar seus direitos em conjunto com um ente associativo que não observe integralmente a legislação concorrencial, destacando que "a plena regularidade concorrencial é, para o clube, condição inafastável para a negociação de seus direitos".

A agremiação também cobra esclarecimentos sobre quais providências serão adotadas para adequar a estrutura às exigências do Cade e da Lei 12.529/2011, reservando-se o direito de tomar medidas adicionais para resguardar seus interesses.

A manifestação do Corinthians tem peso especial: além de ser o maior clube da FFU em alcance nacional, é também o que mais atrai patrocinadores, audiência televisiva e engajamento digital, fatores decisivos na precificação dos direitos de transmissão.

A notificação corintiana se soma às ações de Botafogo, Cruzeiro, Goiás, Operário, que já haviam cobrado:

  • Reforma objetiva das regras que limitam a saída de clubes.
  • Explicações sobre como a arquitetura do Condomínio Forte União será ajustada às preocupações do Cade.
  • Garantia de desligamento livre, conforme determinação da autarquia.

O que pode acontecer com a transmissão do Brasileirão?

Com o prazo de dez dias úteis para que a FFU apresente mudanças, o risco de debandada é real. E isso afeta diretamente o planejamento comercial do bloco. A FFU terá de apresentar rapidamente uma solução que atenda às exigências do Cade e reconquiste a confiança dos clubes. 

Com o Corinthians agora no centro da disputa, o cenário muda de patamar: a crise deixa de ser apenas uma disputa jurídica e passa a ameaçar diretamente o modelo de negócios que a FFU pretendia implementar.

Caso a FFU imploda, não haverá impacto nas transmissões do Brasileirão até 2029. Esses direitos já foram negociados por FFU e Libra, com respaldo dos respectivos clubes. O que muda é a partir de 2030.

Uma eventual implosão da FFU pode acelerar a formação de uma liga única no Brasil. No começo do ano, os clubes manifestaram o desejo de abandonar o modelo de duas ligas e pediram que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) atuasse como moderadora na criação de uma só liga. A CBF atendeu e já fez duas reuniões com todos os 40 clubes da Séries A e B.

Esse processo tende a se acelerar agora.


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