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Marjane Satrapi: autora franco-iraniana teve trajetória marcada por luta de direitos e ida ao Oscar
Autora e cineasta franco-iraniana, Marjane Satrapi morreu nesta quinta-feira (4), aos 56 anos. A causa da morte não foi divulgada. Conhecida mundialmente por Persépolis (2007), obra autobiográfica que começou nos quadrinhos e mais tarde ganhou uma adaptação para o cinema, ela teve o filme indicado ao Oscar de melhor animação em 2008, mas acabou derrotada por Ratatouille (2007).
Nascida em Rasht, no Irã, em 22 de novembro de 1969, Satrapi construiu uma carreira marcada por reflexões sobre identidade, política e liberdade. Ela viveu parte da juventude durante as transformações provocadas pela Revolução Islâmica (1978-1979) no país e, anos depois, transformou essas experiências em material para seus trabalhos artísticos.
Em 1994, a autora se mudou para a França. Doze anos depois, obteve a nacionalidade francesa. Ao longo da carreira, tornou-se conhecida por suas críticas ao regime teocrático iraniano e por abordar temas ligados ao exílio e à vida fora de seu país de origem.
Sua obra mais famosa é Persépolis, uma história em quadrinhos autobiográfica em que relata sua infância e adolescência no Irã e a mudança para a Europa. O livro conquistou leitores em diferentes partes do mundo e ajudou a popularizar histórias em quadrinhos voltadas ao público adulto.
O sucesso da publicação levou à adaptação cinematográfica de Persépolis. O filme foi codirigido por Satrapi e Vincent Paronnaud e estreou em 2007. A animação recebeu o prêmio do júri no Festival de Cannes e se tornou um dos trabalhos mais reconhecidos da carreira da artista.
No ano seguinte, a produção foi indicada ao Oscar de melhor filme de animação. Apesar do reconhecimento da Academia, o prêmio acabou ficando com Ratatouille, animação produzida pela Disney e pela Pixar.
Ao comentar o sucesso internacional da obra, Satrapi dedicou o reconhecimento ao povo iraniano. "Mesmo que este seja um filme universal, quero dedicar este prêmio a todos os iranianos", declarou à AFP News em entrevista na época.
Ao G1, a artista explicou por que escolheu os quadrinhos para contar sua própria história. "Pode parecer irônico criar uma realidade em quadrinhos para contar a realidade do meu país, mas é isso mesmo. Eu sempre amei desenhos e descobri neles a melhor forma de contar minha história", afirmou.
Além de Persépolis, Marjane Satrapi também desenvolveu outros projetos no cinema e na literatura. Seu trabalho se tornou uma referência internacional ao abordar experiências pessoais e acontecimentos históricos por meio de uma linguagem acessível, alcançando leitores e espectadores em diferentes países.
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