O TALENTOSO RIPLEY

Picolé de Avenida Brasil, João Fernandes prova maturidade em dose dupla no teatro

Luan Rabelo

Rapaz de terno tem expressão séria em um palco de teatro

João Fernandes na peça O Talentoso Ripley, em cartaz no Rio de Janeiro: dois papéis opostos

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 22/5/2026 - 18h00

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No ar em dose dupla na Globo, como o Picolé na reprise de Avenida Brasil (2012) e como o Fuad em A Nobreza do Amor, João Fernandes também encara uma jornada dobrada no teatro --ele interpreta dois papéis bem diferentes no espetáculo O Talentoso Ripley, em cartaz no Rio de Janeiro. "Eu creio ser um ator versátil, e poder fazer dois personagens na mesma peça é um presente", valoriza.

Fernandes vive tanto Freddie Miles, amigo rico de Dickie Greenleaf (Francisco Paz) que desconfia de que haja algo muito errado com Tom Ripley (Hugo Bonèmer), quanto Marc Priminger, um homem que conheceu o protagonista no passado e conhece o histórico de golpes dele.

O primeiro é um velho conhecido do público: deu as caras no filme de 1999, estrelado por Matt Damon, e também na minissérie da Netflix lançada em 2024 e que trouxe Andrew Scott como o charmoso psicopata. Já Marc é uma "novidade" que remete ao texto original de Patricia Highsmith (1921-1995).

"A peça é uma experiência, a maneira como a história está sendo conduzida é disruptiva com a original. A gente mantém a semântica do texto, mas a linguagem é totalmente diferente", explica Fernandes ao Notícias da TV.

"Por ser uma obra traduzida, a gente se atém ao que a Patricia escreveu, mas tem liberdade para falar com um público brasileiro, para trazer coisas novas. Não é mudar a história. Eu pude criar coisas no Marc que eu não consegui no Freddie, por exemplo", aponta o ator, atualmente com 27 anos.

"Na questão da interpretação, eu amo fazer os dois tipos de personagens. Adoro receber uma ordem: 'A história é essa, eu quero ver isso'. Mas, quando não tem muita coisa, é divertido entender o que dá para fazer também", conta.

Para Fernandes, a possibilidade de adaptar um texto originalmente publicado em 1955 abre margens para traçar paralelos com o que se vê hoje no mundo. "A gente consegue meio que externalizar na peça algumas coisas que têm  incomodado na sociedade", crava.

Eu separo bem os personagens, um muito cômico, um muito trágico. A gente mostra desde o início que o Tom Ripley é um baita de um mau-caráter, por exemplo. Já o Freddie tem falhas várias no caráter, é homofóbico, preconceituoso, arrogante, mas está do lado certo da moeda.

O Talentoso Ripley está em cartaz no Teatro Laura Alvim, no Rio de Janeiro, até 31 de maio. As sessões acontecem toda sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 19h, com duração de 120 minutos. Os ingressos custam entre R$ 35 e R$ 70 e podem ser adquiridos aqui.

divulgação/tv globo

João em Cordel Encantado e Avenida Brasil

Evolução pode ser vista na TV

Ao contrário de alguns artistas, João Fernandes afirma gostar de rever seus trabalhos antigos quando são reprisados --além de Avenida Brasil, atração do Vale a Pena Ver de Novo, ele também fez parte do elenco de Cordel Encantado (2011), atualmente reprisada no canal Globoplay Novelas.

"Eu assisto a tudo o que faço. É um trabalho diário de interpretação. Entendo quem tem outros métodos e outros caminhos, mas eu prefiro ver para entender aquilo de que eu gosto ou não gosto", justifica.

"Caminho das Índias [2009], por exemplo, eu acho fofíssimo assistir, mas me incomoda um pouco, acho que ali me faltavam recursos. Não que não faltem hoje, que eu já seja um ator completo (risos), mas é que eu gosto de aprender. Já Cordel é um deleite, é um personagem que eu sinto que fiz muito bem."

"Avenida Brasil é um marco, não tenho nem o que dizer! Eu acho que, na época, eu não tinha noção da grandeza que era tudo aquilo. Eu era pré-adolescente, estava me questionando em alguns pontos, era um garoto que tinha lá suas questões... Mas gosto de ver naquela versão de mim um frescor que a gente acaba perdendo com o tempo", pondera João Fernandes.


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