OPERAÇÃO MAKE UP

PF mira Mario Frias por suspeita de desvio milionário em filme de Bolsonaro

REPRODUÇÃO/YOUTUBE

Mario Frias no podcast Papo de Bolsonarista, em fundo azul, usando uma camiseta azul-marinho e falando em frente a um microfone

Mario Frias no podcast Papo de Bolsonarista; ex-ator é alvo de operação da Polícia Federal

REDAÇÃO

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Publicado em 10/9/2026 - 8h50

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O deputado federal Mario Frias (PL-SP) entrou na mira da Polícia Federal em uma operação que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos para o financiamento de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Deflagrada nesta quinta-feira (10), a ação cumpre 49 mandados de busca e apreensão e apura possíveis irregularidades no repasse de dinheiro para o longa-metragem.

Batizada de Make Up, a operação é realizada em conjunto pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU). De acordo com o G1, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão ao todo, mas não há mandados de prisão. Além de Mario Frias, a produtora do filme, Karina Gama, também é alvo da investigação.

Duas entidades de propriedade de Karina estão na mira das buscas: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC). O caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito, que tramitava inicialmente em São Paulo, foi avocado para a Corte.

Segundo a Polícia Federal, a investigação aponta para a existência de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados. O grupo teria direcionado recursos repassados a uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação de que os serviços contratados tenham sido efetivamente realizados.

A PF afirma ainda ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas relacionadas ao suposto esquema. De acordo com os investigadores, as tentativas de ocultar os desvios teriam continuado até julho deste ano.

A investigação apura suspeitas de peculato (crime praticado por funcionário público que se apropria ou desvia dinheiro, valor ou bem móvel), falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Uma auditoria realizada pela CGU também apontou indícios de desvio em uma emenda de R$ 2 milhões indicada por Mario Frias para entidades ligadas a Karina Gama.

Investigações sobre Dark Horse

O filme que conta a história de Jair Bolsonaro aparece em duas investigações atualmente conduzidas no Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito sob relatoria de Flávio Dino concentra-se no possível uso irregular de emendas parlamentares e de recursos públicos que chegaram a entidades e empresas relacionadas à produtora de Dark Horse.

Em outra frente, sob relatoria do ministro André Mendonça, o STF investiga repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a pedido de Flávio Bolsonaro (PL), e o caminho percorrido pelo dinheiro. As apurações sobre o financiamento da produção ganharam força nos últimos meses diante de informações sobre pagamentos milionários.

Em maio, o Intercept Brasil revelou mensagens e um áudio em que Flávio Bolsonaro cobrava dinheiro de Vorcaro para financiar o filme sobre o pai. Segundo a reportagem, o ex-banqueiro, que era dono do Banco Master, teria pago ao menos R$ 61 milhões em 2025.

O dinheiro teria sido transferido para um fundo nos Estados Unidos administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O ator norte-americano Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro em Dark Horse.

Delação e novos repasses

Na última quarta-feira (9), André Mendonça homologou o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Dono da Entre Investimentos, ele seria responsável por uma empresa que, a mando de Vorcaro, fez repasses destinados ao financiamento do filme.

Na colaboração premiada, assinada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto, Mineiro afirmou que era responsável por gerar dinheiro vivo para a equipe de Vorcaro. Segundo seu relato, os valores eram transportados em malas e seriam utilizados para pagamentos de propina.

O empresário também afirmou ter feito sete repasses, descritos como "subscrições de cotas", para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. Administrado por Paulo Calixto, o fundo recebeu as transferências entre janeiro e setembro de 2025.

Os pagamentos somaram US$ 12,3 milhões (R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro de 2025). Entre as transferências está uma de US$ 1,6 milhão (R$ 8,4 milhões) realizada em setembro, o que contraria a versão de Flávio Bolsonaro de que o último pagamento de Vorcaro teria ocorrido em maio de 2025.

Agora, a Polícia Federal investiga se todo o dinheiro foi efetivamente utilizado na produção de Dark Horse, como afirmam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se parte dos recursos teve outra finalidade. Entre as possibilidades investigadas está o uso de valores para bancar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.


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