MONÓLOGO

Pai gay e mudança sobre fé norteiam nova peça de Gabriel Stauffer: 'Processo de cura'

Reprodução/Instagram

Imagem do ator Gabriel Stauffer em cena

Gabriel Stauffer escreve uma peça inspirada na história do pai, o jornalista Sérgio Wesley

MATHEUS QUEIROZ

matheus@noticiasdatv.com

Publicado em 27/7/2026 - 18h00

Fonte Preferencial

Gabriel Stauffer, ator da novela vertical O Acerto de Contas das Gêmeas Trocadas, se prepara para o projeto mais pessoal de sua carreira: um monólogo que aborda a revelação da homossexualidade do pai e a mudança de perspectiva na relação com a religião. Além de atuar, o artista está responsável pelo texto e também quer participar da produção.

O pai do ator é o jornalista Sérgio Wesley. Ele contou para os filhos que é gay depois de passar por uma cirurgia quase fatal. "É um texto difícil para mim, é muito pessoal. Mas estou muito ansioso para fazer. Vai falar sobre a trajetória de uma família que foi doutrinada dentro de uma cosmovisão específica, que é a cristã. Com essa revelação do pai, tudo se transforma", adianta Stauffer, em entrevista ao Notícias da TV.

Stauffer foi criado no meio evangélico, mas se afastou nos últimos anos. Um dos motivos, ele relata, é por não concordar com a maneira com que a homossexualidade é tratada por alguns religiosos.

"Fiz trabalho missionário no continente africano, vivi intensamente essa realidade até os 21 anos. Comecei a respirar com meus próprios pulmões, saí um pouco da casa dos meus pais, conheci outras cosmovisões e minha fé foi se modificando", completa.

A revelação da sexualidade do pai ocorreu no mesmo ano em que Stauffer participava da novela A Força do Querer (2017), coincidentemente, em uma trama sobre a comunidade LGBTQIAPN+. "Veio tudo junto no mesmo ano. Naquela época, eu ainda estava entendendo o que estava acontecendo comigo", relembra.

Claudio, personagem de Stauffer, namorava com Ivana/Ivan (Carol Duarte), que se entendeu como homem trans e viveu uma transição de gênero ao longo da trama:

Eu acho que tudo colaborou para que meu pai conseguisse dizer isso. Nunca conversei sobre isso com ele, mas estar nessa trama e me posicionar ao contrário do que muitos cristãos normalmente se colocariam pode ter dado algum conforto para ele conseguir me contar naquele momento. Tem coisas na vida que acontecem juntas para colaborar que a coisa evolua e se desenvolva.

A peça ainda não tem previsão de estreia, mas Stauffer quer colocá-la em cartaz ainda este ano. Chia Rodriguez assume a direção. O artista conta que a feitura do projeto "está sendo um processo de cura para mim e para minha família".

A gente continua junto, faz ceia de Natal, de Páscoa. Minha mãe, meu pai, o namorado do meu pai, eu e minha irmã. Todo mundo está junto, meus pais continuam amigos. O fundamentalismo não foi maior que o amor que a gente sentia um pelo outro. Entender o outro foi muito maior que qualquer dogma.

Mais lidas


Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.