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ENTENDA O CASO

O que aconteceu com Klara Castanho? Atriz teve gravidez fruto de estupro exposta

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Imagem de Klara Castanho em ensaio fotográfico

Klara Castanho em ensaio fotográfico; atriz teve gravidez fruto de estupro exposta na internet

REDAÇÃO

redacao@noticiasdatv.com

Publicado em 26/6/2022 - 11h16
Atualizado em 27/6/2022 - 8h56

Klara Castanho passou a liderar os assuntos mais comentados das redes sociais desde o fim de semana devido às especulações de que ela teria engravidado e entregue o bebê à adoção. No sábado (25), a atriz revelou que foi estuprada, que descobriu a gestação na reta final e que cumpriu todos os trâmites legais para entregar a criança.

"Esse é o relato mais difícil da minha vida. Pensei que levaria essa dor e esse peso somente comigo. Sempre mantive a minha vida afetiva privada, assim, expô-la dessa maneira é algo que me apavora e remexe dores profundas e recente. No entanto, não posso silenciar ao ver pessoas conspirando e criando versões sobre uma violência repulsiva e de um trauma que sofri. Fui estuprada", desabafou Klara no Instagram.

Os rumores em torno de Klara Castanho começaram em 16 de junho, quando o jornalista Leo Dias participou do programa The Noite (SBT). Durante a entrevista com Danilo Gentili, o colunista relatou que havia vivenciado um dilema profissional nas últimas semanas sobre publicar ou não uma reportagem sobre uma atriz. Na ocasião, Dias não citou nomes nem detalhes do caso.

Na sexta (24), Antonia Fontenelle fez uma live no YouTube e afirmou que a história descrita por Leo Dias era sobre uma atriz da Globo de 21 anos que tinha engravidado, escondido a gestação e entregado a criança para a adoção após o nascimento.

A apresentadora da Jovem Pan não citou o nome de Klara, mas os detalhes apresentados por ela fizeram com que os internautas associassem a história à atriz. Assim, diversos comentários sobre o que teria motivado a ocultação da gravidez e a entrega do bebê à adoção passaram a ser especulados nas redes sociais.

Por causa disso, o nome de Klara Castanho ficou na lista dos assuntos mais comentados do Twitter durante o sábado. No período da noite, a atriz quebrou o silêncio e compartilhou com os fãs os detalhes sobre o crime sofrido.

'Foi um choque'

Segundo o relato de Klara, o estupro ocorreu durante uma viagem. "Tive muita vergonha, me senti culpada. Tive a ilusão de que se eu fingisse que isso não aconteceu, talvez eu não esquecesse, superasse. Mas não foi o que aconteceu", recordou.

Envergonhada com o caso, a atriz não registrou o crime na polícia e tomou uma pílula do dia seguinte para evitar a gravidez. Contudo, ela descobriu que a gestação na reta final deste período: "Foi um choque. Meu mundo caiu. Meu ciclo menstrual estava normal, meu corpo também. Eu não tinha ganhado peso e nem barriga. Me senti novamente violada, novamente culpada".

Eu ainda estava tentando juntar os cacos quando tive que lidar com a informação de ter um bebê. Um bebê fruto de uma violência que me destruiu como mulher. Entre o momento que eu soube da gravidez e o parto se passaram poucos dias. Era demais para processar, para aceitar e tomei a atitude que considero mais humana.

Assim, a atriz cumpriu os trâmites jurídicos e entregou o bebê à adoção após o nascimento. Porém, ela relatou ter sido violentada psicologicamente pelos profissionais da saúde que a atenderam: o médico a obrigou a escutar o coração do bebê, e uma enfermeira ameaçou que a história poderia vazar para alguns colunistas.

O marido da enfermeira, que não teve o nome divulgado, chegou a procurar por emissoras de TV para tentar vender as informações sobre Klara Castanho. Diante da negativa de jornalistas, que explicaram que a imprensa não costuma comprar informações, o homem teria se irritado.

"Quando cheguei no quarto, já havia mensagens do colunista com todas as informações. Ele só não sabia do estupro. Eu ainda estava sob o efeito da anestesia. Eu não tive tempo de processar tudo aquilo que estava vivendo, de entender, tamanha era a dor que eu estava sentindo. Eu conversei com ele, expliquei tudo o que tinha me acontecido. Ele prometeu não publicar", ressaltou.

Klara terminou o desabafo com um relato sobre a dor que sente por ter uma história tão triste e traumática revelada sem seu consentimento: "Como mulher, eu fui violentada primeiramente por um homem e, agora, sou reiteradamente violentada por outras pessoas que me julgam. Ter que me pronunciar sobre um assunto tão íntimo e doloroso me faz ter que continuar vivendo essa angústia que carrego todos os dias".

"Minha história se tornar pública não foi um desejo meu, mas espero que, ao menos, tudo o que me aconteceu sirva para que mulheres e meninas não se sintam culpadas ou envergonhadas pelas violências que elas sofrem. Entregar uma criança em adoção não é um crime, é um ato supremo de cuidado. Eu vou tentar me reconstruir e conto com a compreensão de vocês para me ajudar a manter a privacidade que o momento exige", finalizou.

Confira a publicação na íntegra:

Mensagens de apoio

Após a divulgação do relato, a atriz recebeu mensagens de apoio dos familiares e de artistas. "Estarei com vocês até o fim da minha vida", destacou Claudio Castanho, pai de Klara, ao publicar uma foto com a atriz e o filho Lucas Castanho.

"Filhota, você é muito especial, e eu estarei sempre ao seu lado. Você é maior do que qualquer um ou uma que queira se promover ou promover o ódio com seu nome. Amo você. Sinta meu abraço. Sinta-se acolhida por todos que te respeitam. É o que importa sempre, focar no respeito, amor e na justiça", escreveu Paolla Oliveira no Twitter.

"Te amo para sempre. Estou com você", reforçou Maisa Silva. "Sinto muito que você tenha passado por isso. Estou em choque e muito triste por terem feito você relembrar e reviver toda essa dor. Sinta-se acolhida! Sinta-se amada! Muita força para você e para sua família! Conta comigo para o que você precisar", comentou Sophia Abrahão.

"Klarinha, sinto muito por todo sofrimento e violências que fizeram você passar, e agora reviver. Você merece todo afeto e acolhimento. Estou aqui pra você. Estamos todas e todas que acreditam no amor e respeito. Muito amor a você", reforçou Camila Pitanga.

"Klara, não há o que falar, não há o que pensar. Só te confortar de alguma forma, da forma que podemos aqui distante. Você está se transformando numa mulher incrível e merece ser feliz. Fica bem. Estamos contigo", pontuou Fernanda Paes Leme.

Investigação

O Coren-SP (Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo) emitiu uma nota confirmando que vai apurar o vazamento de informações sobre Klara Castanho no hospital em que o parto aconteceu. Em um longo texto, o órgão afirma que envolverá o conselho de ética e que haverá investigação.

"O Coren-SP, assim como a sociedade brasileira, tomou ciência neste final de semana da situação exposta pela atriz, que menciona, em uma carta aberta, ter sido alvo de ameaça de uma enfermeira", começa a publicação, acrescentando que o fato foi confirmado por um colunista da imprensa. Não há menção ao nome de Leo Dias ou Klara Castanho em nenhum momento, embora sejam citados o bebê fruto de um estupro no caso e a doação da criança.

"Compete ao Coren-SP apurar as situações em que haja infração ética praticada por profissional de enfermagem e adotar as medidas previstas no Código de Processo Ético dos Conselhos de Enfermagem (Resolução Cofen nº 370/2010). Nesse sentido, o conselho seguirá os ritos e adotará os procedimentos necessários para a devida investigação, como ocorre em toda denúncia sobre o exercício profissional", informou.

"Assim, o Coren-SP ressalta a cautela necessária sejam tomadas as medidas corretas para a apuração dos fatos. O conselho manifesta sua solidariedade à atriz e reafirma seu compromisso cotidiano com a ética profissional da enfermagem e com a segurança da assistência prestada pela categoria", destacou o órgão.

"Tão logo venha a dispor das informações necessárias para a investigação, o Coren-SP reforça que todos os procedimentos para apuração serão devidamente realizados", dizia o comunicado.

Pouco depois, internautas começaram a reagir à publicação, afirmando que o órgão não estava fazendo mais que a obrigação. "É o mínimo que se espera. Atitudes reais precisam ser tomadas, a pessoa fragilizada, tantas outras chegam e ficam à mercê desses profissionais que não cumprem seus deveres com ética e respeito", opinou a seguidora Charlyne Lira.


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