'PRIVILÉGIO'

No 1º Dia dos Pais sem o pai, Ana Paula Renault denuncia machismo na sociedade

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Mulher beija bochecha de um homem careca, com olhar distante

Ana Paula Renault com o pai, Gerardo, morto às vésperas da final do BBB 26; nova visão

REDAÇÃO

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Publicado em 9/8/2026 - 18h35

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Ana Paula Renault ainda não se pronunciou sobre o fim da amizade com Milena Lages, revelado pela ex-recreadora infantil no sábado (8). Neste domingo (9), a campeã do BBB 26 preferiu discutir o machismo ao falar sobre a expectativa da sociedade sobre as funções de homens e mulheres na criação dos filhos naquele que é o seu primeiro Dia dos Pais sem Gerardo Renault, morto em abril.

"Hoje é Dia dos Pais, e talvez seja também um dia para lembrar que existem muitas formas de viver essa data. Há quem possa abraçar o pai hoje. Há quem só possa abraçar a saudade. Há quem tenha encontrado essa presença em um avô, um padrasto, dois pais ou em alguém que escolheu ficar. E há, também, tantas mães que precisaram ocupar sozinhas todos os espaços porque alguém deixou o seu espaço vazio", escreveu ela no post do Instagram.

"Ser pai é muito mais do que colocar alguém no mundo. Ser pai é permanecer no mundo dessa pessoa. É cuidar, educar, proteger, ouvir e estar. Hoje, celebro todos os homens que entenderam a grandeza dessa responsabilidade e agradeço pelo privilégio de ter tido um deles como o meu pai."

"Que um dia um pai presente deixe de ser considerado extraordinário. Porque presença não deveria ser exceção. Deveria ser parte da paternidade. Feliz Dia dos Pais a todas as histórias que essa data carrega", concluiu a jornalista.

No vídeo publicado, Ana Paula faz um longo discurso sobre a paternidade e como foi privilegiada por ter um pai presente. "A presença não deveria ser extraordinária quando se trata de um filho. Deveria ser o básico, mas não é. No Brasil, mais de 1,2 milhão de crianças foram registradas somente com o nome da mãe nos últimos anos", falou a milionária.

"O Dia das Mães é a segunda data mais importante do comércio brasileiro, atrás apenas do Natal. E talvez isso ajude a explicar uma contradição que diz muito sobre a nossa sociedade. A gente celebra muito as mães, mas também colocou sobre elas durante muito tempo quase toda a responsabilidade de cuidar. Talvez tenhamos colocado sobre essas mulheres quase tudo."

"A menina ganha uma boneca e aprende a cuidar de alguém. O menino ganha um carrinho e aprende a conduzir o próprio caminho. O que eu quero dizer aqui é que responsabilidade não tem que ter gênero. Cuidado não é coisa de mulher. Presença não é só obrigação feminina. E paternidade não pode ser resumida a pagar uma conta --isso quando paga, né?--, aparecer em uma fotografia ou 'ajudar' a mãe. Pão não ajuda a criar o filho, pai cria", discursou.

"Talvez você tenha perdido o seu. Talvez você nunca tenha conhecido o seu próprio pai. Talvez ele tenha existido, mas não tenha estado. Talvez quem tem ocupado esse lugar tenha sido um avô, um tio, um padrasto, dois pais, ou alguém que escolheu ficar. Ou talvez tenha sido a sua própria mãe, uma mulher que precisou ocupar esses espaços porque alguém deixou aquele espaço vazio", enumerou a jornalista mineira.

"Hoje também é dia de olhar para essas histórias. Eu olho para minha sabendo do tamanho do privilégio que eu tive. Esse é o meu primeiro Dia dos Pais sem o meu. Meu pai viveu 96 anos, quase um século. Meu pai viu o mundo mudar diante dos próprios olhos e nunca parou de tentar entendê-lo. Meu pai lia muito, ele queria saber o que acontecia no Brasil e fora dele. Meu pai sabia que nenhuma sociedade existe isolada e que a história, quando a gente deixa de prestar atenção nela, encontra maneiras assustadoras de se repetir", disse.

"Mas o maior ensinamento dele talvez não tenha vindo de nenhum livro. A minha mãe morreu quando eu tinha 16 anos. A minha irmã Cida tinha 12. O meu pai tinha quase 70 anos. E ele ficou. Ele ficou para criar duas meninas. Ele ficou quando a vida ficou difícil. Ficou quando ser pai deixou de ser uma palavra e virou presença diária", valorizou Ana Paula.

"Eu hoje penso muito nas meninas que não tiveram isso, nos filhos que foram, se sentiram e se sentem abandonados. Penso muito nas mães que precisaram ser mãe e pai, embora nunca devessem ter precisado ser tanto, né? E eu também penso nos homens que ficaram, nos pais que trocaram fraldas, perderam noites de sono, foram às reuniões de escola, estiveram nos hospitais, educaram, sustentaram, ouviram e acolheram. O que deveria ser o mínimo, né? O que deveria ser o natural", apontou ela.

"A vocês, pais de verdade, feliz Dia dos Pais. Ao meu pai, o meu eterno muito obrigada. Hoje eu entendo que eu tive um privilégio que jamais deveria ser privilégio: ter um pai presente deveria ser apenas o começo da nossa história. Ter um pai presente deveria apenas ser pai", concluiu Ana Paula.


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