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REBATEU CRÍTICAS

Juliano Cazarré diz que curso de masculinidade não impacta em feminicídios

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

um homem branco, barbado, de óculos, em um cenário com fundo em tons claros

Juliano Cazarré; o ator defendeu o próprio curso de masculinidade intitulado O Farol e a Forja

REDAÇÃO

redacao@noticiasdatv.com

Publicado em 13/5/2026 - 10h31

O ator Juliano Cazarré voltou a rebater as críticas feitas ao seu curso de masculinidade, intitulado O Farol e a Forja. Ele negou que o projeto tenha impacto nos casos de feminicídios no país. Em entrevista, o intérprete de 45 anos ressaltou que a proposta é o contrário, ou seja, mostrar que "nem todo homem é um assassino em potencial".

"Não consigo ver associação nenhuma [do curso com apologia ao feminicídio ou ódio às mulheres]. A minha vontade é juntar homens para conversar sobre nosso papel, é falar da saúde masculina, reposição hormonal, exercício, tomar sol, como a gente pode estar mais presente em casa, contar histórias para nosso filhos, como a gente pode ajudar nossas mulheres a serem mais livres para poderem sair com as amigas", declarou o artista em um debate promovido pela Globonews, na noite da terça-feira (12).

Cazarré afirmou que seu propósito no curso é ensinar para outros homens as lições que ele aplicou na própria vida, e pregar a ideia de que pessoas do sexo masculino não são "a pior coisa do mundo".

"O meu curso é só um pouco de bom senso, sabe? É só também a gente começar a falar 'a gente [homem] não é a pior coisa do mundo'. Nem todo homem é tóxico, um opressor, estuprador em potencial", disse ele.

O ator reafirmou sua crença de que o papel do homem é servir. "O homem que não sabe resolver um problema é em si um problema. Falo de homens que sirvam à esposa, à família, aos filhos, à sociedade... e homens que sirvam a Deus", completou.

A Globonews também convidou a psicanalista Vera Iaconelli para o debate, e ela foi enfática em criticar o projeto de Cazarré. Para a especialista, esse tipo de discurso é sim perigoso e pode impulsionar os casos de violência contra as mulheres.

"A gente vive numa sociedade muito adoecida, muito com burnout, com depressões, mas as mulheres, além disso, têm outro problema que são os homens que as matam, que querem governar seus corpos, que querem decidir seus futuros. Então, o que os homens fazem ou deixam de fazer nos afeta diretamente. A gente está pensando como pode lidar com essa epidemia de morte [de mulheres]. É difícil a gente pensar num homem que protege quando são os homens que nos atacam", falou a psicanalista.

Vera ainda destacou que, na realidade, os homens devem repensar o conceito de masculinidade e deixarem de se ofender por apenas ouvir as mulheres falar.

"Quando as mulheres falam: ‘Parem de nos matar’, elas não estão dizendo: ‘Parem de ser homens’. Sejam outro tipo de homem, repensem a masculinidade. Homens estão ficando muito ofendidos de ouvir mulheres. Eles pensam que tudo é uma acusação", completou.

Juliano Cazarré anunciou no mês passado o curso O Farol e a Forja. O encontro voltado para homens está previsto para ocorrer entre os dias 24, 25 e 26 de julho, em São Paulo.

A iniciativa gerou críticas da classe artística, a maior parte colegas de elenco do próprio Cazarré, mas ele agradeceu pela "publicidade gratuita", que ajudou a impulsionar as vendas do curso, cujo ingresso custa entre R$ 1,7 mil e quase R$ 6 mil.


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