RAINHA E VILÃ

Giselle de Prattes busca até 'livro proibido' para viver Camilla em musical de Lady Di

Carlos Costa

Mulher com roupas azuis fala ao telefone; ela tem expressão de choque

Giselle de Prattes interpreta Camilla Parker Bowles em Diana - O Musical, em cartaz em São Paulo

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 19/6/2026 - 18h00

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Para interpretar Camilla Parker Bowles no espetáculo Diana - O Musical, em cartaz em São Paulo, Giselle de Prattes precisou quebrar toda a imagem que havia construído mentalmente sobre a atual rainha da Inglaterra. A atriz contou até com a ajudinha de uma biografia rara sobre a monarca --uma obra tão controversa que foi retirada de circulação.

"Uma das minhas grandes ajudas no processo foi o livro Camilla, a Amante do Rei [de Caroline Graham, publicado originalmente em 1994]. Só que ele foi recolhido, é muito difícil de encontrar. Eu só fui conseguir comprar em um sebo depois que a gente já tinha feito quase 20 dias de ensaio", revela Giselle em entrevista exclusiva ao Notícias da TV.

Mergulhar fundo na mente da consorte do rei Charles, curiosamente, fez com que a artista modificasse sua opinião sobre a figura real que vive nos palcos. "Eu tinha uma rejeição pessoal a Camilla, mas descobri coisas que eu não sabia e que mudaram a minha visão sobre ela", confessa.

A gente tem essa visão da mulher que supostamente destruiu uma família e fez de tudo para virar rainha, mas ela conheceu o Charles antes de a Diana [1961-1997] aparecer e ainda recusou o pedido de casamento dele três vezes. Eu não fazia ideia disso!

Giselle admite que, por causa da pompa e da burocracia que envolvem a monarquia britânica, foi difícil se conectar com alguns aspectos da personagem. "Ela era da aristocracia inglesa, então a classe social da Camilla nunca foi um problema. Mas ela não era mais virgem, o que seria um escândalo para o futuro rei. É algo muito distante da nossa realidade."

"Precisei estudar essas dinâmicas da realeza, conhecer o que se passou nesse lugar íntimo que a gente nunca viu. Isso me ajudou muito a entender a personagem, dentro das limitações do espetáculo, e trazer alguma humanidade para a Camilla", conta Giselle à reportagem.

Compreender quem é Camilla e deixá-la mais humana, porém, não tira da atual rainha o posto de antagonista do musical --afinal, Diana (Sara Sarres) é a mocinha e o foco principal da história. "Eu não sou do tipo que defende minhas personagens nem tento justificá-las", resume a artista.

"A gente olha para o personagem inteiro, com seus defeitos e suas qualidades. Todo personagem é um humano, e ela é, de fato. Acho que a Camilla também foi vítima do sistema, como a Diana. Mas, se eu pudesse viver essa história, eu não teria as atitudes que ela teve. Só que, ao mesmo tempo, é difícil julgar porque a gente não estava lá pra saber tudo o que aconteceu", pondera.

"Acho que o fato de ela ter ajudado a escolher a Diana [para se casar com Charles], ainda uma menina de 17 anos, tão jovem, é uma atitude de vilã. Eu tenho uma filha de 17 anos, é uma menina, e penso: 'Coitada da Diana, cheia de sonhos, não sabia onde estava se metendo'", exemplifica.

"Mas, como a gente está falando de alguém que não matou nem cometeu nenhum crime hediondo, os conflitos ficam muito interessantes. Tudo que o espetáculo mostra aconteceu de verdade. As brigas da Diana e da Camilla ocorreram mesmo. É uma história muito interessante."

Diana - O Musical está em cartaz no Teatro Liberdade (R. São Joaquim, 129), em São Paulo, até 5 de julho. As sessões acontecem toda sexta, às 20h; sábado, às 16h e às 20h30; e domingo, às 15h e às 19h30. Os ingressos custam de R$ 25 a R$ 340 e podem ser adquiridos na plataforma Sympla.


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