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VIOLÊNCIA DE GÊNERO

'Fui atropelada': Astrid Fontenelle escancara machismo nos bastidores da TV

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Astrid Fontenelle posando com a mão no queixo, usando vestido branco, em frente a flores brancas

Astrid Fontenelle em foto do Instagram; apresentadora expôs machismo que sofreu na carreira

REDAÇÃO

redacao@noticiasdatv.com

Publicado em 8/1/2026 - 8h53

Astrid Fontenelle abriu o jogo ao relembrar episódios de misoginia que marcaram seus mais de 40 anos de carreira na televisão. Aos 64 anos, a apresentadora contou que só passou a compreender a dimensão dessas situações quando foi diretamente desrespeitada por um chefe, em um ambiente majoritariamente masculino. Ela afirmou que, no início da trajetória profissional, o termo "machismo" sequer fazia parte do vocabulário cotidiano.

Segundo Astrid, a percepção mudou após um episódio vivido nos bastidores do programa Imprensa na TV (1988). A jornalista relatou que trabalhava em uma Redação formada apenas por homens quando um dos diretores a chamou de burra pelo ponto eletrônico.

A apresentadora contou que, naquele momento, decidiu não aceitar o tratamento. "Naquele dia eu falei: 'Ninguém vai falar assim comigo. Não tem chefe que vá falar assim comigo'. Tirei o ponto do ouvido, continuei a fazer a entrevista que eu estava fazendo. Quando acabou, fui até ele e entreguei o ponto eletrônico na mão dele. Ali eu percebi o ambiente tóxico em que a gente trabalhava. Até então, eu não tinha percebido", relatou em entrevista à revista Quem.

Para Astrid, esse tipo de comportamento era comum em uma época em que mulheres eram frequentemente silenciadas ou desqualificadas profissionalmente. "Sou de um tempo em que a gente nem sabia o que era machismo. A gente era atropelada", afirmou.

Mesmo após se tornar uma referência na defesa de pautas feministas, especialmente por sua longa passagem pelo Saia Justa, do GNT, Astrid revelou que ainda enfrenta situações de violência.

Recentemente, ela foi vítima de assédio em um aeroporto, enquanto gravava o programa Chegadas e Partidas. Um homem passou a mão nela, e a apresentadora admitiu ter ficado sem reação no momento.

"Eu, que sou uma mulher de 64 anos, que tem essa pauta presente na vida, que tem 12 anos de Saia Justa falando sobre isso... Não reagi e fiquei brava comigo depois. Muita coisa ainda passa. Melhorou muito, mas a gente tem que seguir atenta e protetora uma das outras", disparou.

O episódio a fez refletir sobre como essas situações ainda acontecem, independentemente da idade ou da consciência política da vítima. Para ela, apesar dos avanços, o problema persiste e exige vigilância constante e apoio mútuo entre mulheres.

A comunicadora também falou sobre o momento de transição profissional após o fim de seu contrato com o GNT. Ela comparou a situação a um rompimento inesperado, mas avaliou a mudança como uma oportunidade para sair da zona de conforto e criar novos projetos.

"Às vezes, quando a gente toma um pé na bunda de um namorado, amiga, do patrão, pode ser a oportunidade que a gente queria para a gente ter coragem de fazer o que a gente queria fazer e não fazia porque estava na zona de conforto. Este é o meu caso", avaliou.

Animada com o futuro, Astrid afirmou estar cheia de vontade para 2026. Segundo ela, o encerramento desse ciclo abriu espaço para experimentar novas ideias e formatos. "Estou cheia de vontade para 2026. Não estou triste. Lamento pelo conteúdo que eu tinha e gostava, que era o Admiráveis Conselheiras e o Chegadas e Partidas. Mas 'bora' criar outros", finalizou.


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