A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
PAULA CARDOSO
REPRODUÇÃO/RECORD

A empresária Paula Cardoso, ex-mulher de Anderson Leonardo, em entrevista ao Domingo Espetacular
Dois anos depois da morte de Anderson Leonardo (1972-2024), o clima nos bastidores do Grupo Molejo passa longe de uma brincadeira de criança. A empresária Paula Cardoso, ex-mulher do cantor, declarou guerra aos pagodeiros para receber uma fatia maior do dinheiro arrecadado por eles.
Em entrevista ao Domingo Espetacular, da Record, ela explicou que está lutando pelos direitos de sua filha, Alice, uma das quatro herdeiras do pagodeiro. "Eu só recebo o que eles acham que é de direito mandar pra gente, pra me mandar. Eu só quero esclarecimento do que é de direito da minha filha", reclamou Paula à revista eletrônica.
"Essa prestação de contas, segundo o que eu tenho, é feita através de uma assessoria, de um escritório, de uma produtora na qual eu não tenho conhecimento. Eu só quero transparência", pediu ela.
"[Quando] Ele morreu, minha filha ia fazer quatro anos, faltavam quatro dias para a minha filha fazer quatro anos. Então minha filha conviveu muito com o pai dela", apontou a empresária, que afirmou ter cortado todos os laços com o resto do grupo. "Nós não temos nenhuma relação. Nenhuma. Nenhum tipo de contato, absolutamente nada."
Segundo Paula, Anderson Leonardo recebia uma fatia maior dos lucros do grupo por ser o vocalista e dono da marca Molejo --o que deixou de ser respeitado após sua morte. "O Anderson hoje é um mero integrante do grupo, sendo que todos eles ali sabem que a cara era o Anderson, a voz era o Anderson... E hoje nós recebemos como se o Anderson fosse um funcionário normal, uma divisão igual. E o Molejo é do Anderson", ressaltou.
A ex-mulher também afirmou que sequer é informada sobre os shows do grupo para saber se vai receber algum valor referente às apresentações --ela alega ter sido bloqueada dos perfis do Molejo nas redes. "Eu tenho que perguntar a terceiros se está tendo show, se não está. E aí as pessoas, amigos próximos, me mandam. E é assim que a gente fica sabendo."
Andrezinho, que toca surdo e assumiu os vocais após a morte do amigo, afirmou que a agenda está disponível para qualquer um. "A página do Molejo está lá para todo mundo ver. Sobre as condições de contrato, isso também se refere a advogados. Se você perguntar pra gente, eu também não tenho acesso a contrato, eles [os outros integrantes] também não", rebateu.
O músico ainda afirmou que Anderson não recebia mais por ser o dono da marca. "Não era exatamente por isso. Como ele era o cantor, como ele estava mais à frente, vamos dizer assim, foi designada a condição de ele receber um pouco mais. Como agora já é dividido num contexto normal, entre todos nós, nós resolvemos levar essa condição de todo mundo receber igual", explicou.
Ele ressaltou também que o próprio vocalista havia incentivado os outros integrantes a seguirem com o grupo depois que ele partisse. "Ele já foi passando pra gente essa determinação, esse fortalecimento de entendimento de que a gente precisava dar continuidade ao nosso trabalho, porque é o legado que construímos todos juntos."
"A gente tentou fazer de uma forma que todo mundo ficasse bem. Com o entendimento de que o trabalho, dando continuidade, favorece a todos", justificou o instrumentista e cantor ao Domingo Espetacular.
Segundo Paula, porém, pouco após a morte de Anderson Leonardo, os pagodeiros mudaram todo o acordo. "Assim que o Anderson faleceu, nós tivemos uma reunião. Nessa reunião ficou acordado que o barco seria tocado normalmente. Isso não foi feito. Quinze dias depois, nós recebemos uma notificação extrajudicial deles se desligando da empresa Molejo", lembrou.
"Partiu de lá o entendimento de que se colocaria os advogados para resolver. Então nós entendemos também que seria de bom tom nós colocarmos os nossos advogados para tentar conversar sobre as partes e tentar ficar da melhor forma possível para todo mundo", respondeu Andrezinho.
Paula afirmou que a briga por dinheiro é uma mancha no legado do ex-marido. "Para mim, é como se a memória dele tivesse sido rasgada. Só que não teve o que fazer", lamentou. "Eu quero é mais clareza nessa prestação de contas. Eu não posso ficar em dúvida, porque eu sou a voz da minha filha."
O advogado dela, Thiago Sena, informou que vai tentar resolver a situação sem levar a disputa para os tribunais. "Nós vamos buscar de uma forma amigável que a produtora forneça os dados requisitados. E, caso haja uma negativa, vamos requerer judicialmente essa transparência", cravou.
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