EM 2016

Ex-BBB Jordana se defende por uso de cotas raciais: 'Me identificava como parda'

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

mulher branca faz careta

A ex-BBB Jordana Morais se autodeclarou parda para um concurso público do TJDFT em 2016

REDAÇÃO

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Publicado em 16/7/2026 - 14h16

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A ex-BBB Jordana Morais voltou a se pronunciar sobre a polêmica envolvendo sua autodeclaração como parda para concorrer às cotas raciais em um concurso do TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios), realizado em 2016. O assunto voltou a ganhar repercussão nas redes sociais durante a semana, levando a advogada a publicar um longo desabafo no X.

  • Entenda a notícia:
  • Jordana voltou a comentar a polêmica sobre o uso de cotas raciais em concurso de 2016 após o assunto ressurgir nas redes sociais;
  • A ex-BBB afirmou que, na época, se identificava como parda e agiu de boa-fé;
  • Ela disse que, desde então, aprofundou seu entendimento sobre a política de cotas raciais;
  • Jordana ressaltou que não foi aprovada no concurso nem chegou a assumir cargo público;
  • A advogada negou ter cometido fraude e ressaltou que o caso não pode ser tratado automaticamente como crime.

No texto, Jordana afirmou que decidiu se manifestar antes de discutir aspectos jurídicos para compartilhar sua experiência pessoal. Ela relembrou que, à época, prestava seu primeiro concurso público e enxergava a seleção como uma oportunidade de mudar de vida.

A ex-BBB disse que nunca teve a intenção de desrespeitar a legislação ou prejudicar outras pessoas. Segundo ela, a repercussão do caso a levou a estudar mais sobre a política de cotas, ouvir especialistas e ampliar sua compreensão sobre o tema. Ela afirmou que, naquele período, entendia a questão racial principalmente pela maneira como se percebia.

Ao longo dos anos, Jordana passou a compreender que as cotas raciais têm um papel de reparação histórica voltado a pessoas afetadas pelo racismo estrutural. Ela ressaltou que essa mudança de entendimento fez com que passasse a enxergar o tema de maneira diferente.

A advogada também destacou que hoje entende que a discussão "vai muito além da forma como uma pessoa se percebe". Segundo ela, também é preciso considerar como essa pessoa é identificada socialmente e os impactos dessa identificação ao longo da vida. "Compreender isso transformou completamente a forma como eu enxergo esse tema", comentou.

Jordana disse que amadureceu sua visão sobre a política de cotas e que hoje não vê problema em reconhecer que pensa diferente de dez anos atrás. "Aprender faz parte da vida. Mudar de entendimento diante de novos conhecimentos não é contradição. É amadurecimento. O que me entristece é ver esse processo de aprendizado sendo transformado na narrativa que eu teria cometido um crime", escreveu.

Na publicação, a ex-BBB também rebateu as acusações de fraude. Ela explicou que, quando participou do concurso, acreditava se enquadrar nos critérios previstos pela legislação. "Na época, eu me identificava como uma mulher parda. Também entendia que a legislação sobre cotas raciais não se destinava apenas às pessoas pretas", afirmou.

Jordana acrescentou que fez a autodeclaração de boa-fé, baseada na interpretação que tinha sobre sua identidade racial e na própria Lei nº 12.990/2014, que reúne candidatos pretos e pardos na categoria de pessoas negras, conforme a classificação do IBGE. Ela também apontou que não foi aprovada no concurso, nunca tomou posse em cargo público e não recebeu qualquer remuneração.

Por fim, a advogada afirmou que a expressão "fraude de cotas" não corresponde a um crime previsto no Código Penal. Segundo ela, eventuais discussões sobre autodeclaração racial dependem da análise de diversos elementos legais, como a intenção de fraudar e a obtenção de vantagem indevida. "Não basta alguém discordar da autodeclaração de outra pessoa para concluir que houve crime. A própria legislação demonstra que esse tema é complexo", pontuou.


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