JENIFFER SETTI

Ex-atriz da Record abre produtora para criar as próprias oportunidades artísticas

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Jeniffer Setti em foto do Instagram

Jeniffer Setti em foto do Instagram; atriz abriu produtora independente para poder atuar

GIULIANNA MUNERATTO

giulianna@noticiasdatv.com

Publicado em 28/7/2025 - 16h00

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Conhecida por trabalhos em novelas bíblicas da Record, Jeniffer Setti decidiu trilhar novos caminhos na carreira. Sob o nome artístico Jey, ela se dedica à música e também à produção de filmes independentes com a própria produtora. O objetivo é claro: abrir espaço para narrativas que importam e criar as oportunidades que antes não encontrava como atriz.

"Quando eu saí da Record, em 2020, tive uma grande dificuldade de fazer novos trabalhos como atriz. Nós atores somos eternos pedintes, né? A gente vive pedindo oportunidade, e eu não estava tendo, fiquei dois anos sem atuar por falta de oportunidade", lamenta em entrevista ao Notícias da TV.

Em meio a uma pandemia que trouxe consigo uma falta gritante de oferta de trabalhos artísticos, Jey resolveu se arriscar. "Nesse momento eu falei: 'Espera aí, eu preciso criar a oportunidade'", dispara.

Ela começou com clipes musicais, mas neste ano gravou seu primeira longa-metragem, Emergentes --uma comédia que sempre sonhou fazer, mas nunca foi cogitada. "Sem oportunidade, não há mérito. Essa é minha frase preferida."

"Então a gente precisa criar oportunidade, quando você está num lugar onde ninguém te dá oportunidade, você tem que criar. Eu comecei a criar com coisas muito simples até chegar num ótimo longa-metragem de humor, e eu estou muito feliz com o resultado", celebra.

Com passagem marcante por tramas como Os Dez Mandamentos (2015), Jey conquistou uma autonomia a partir do momento em que passou a produzir além de atuar. Atualmente, ela consegue fazer parte de projetos que a movem e batem com seus próprios valores --algo que não conseguia antes, pela simples necessidade de ser vista.

"Eu estou numa fase em que, se o trabalho não for somar na minha carreira, eu não aceito mais. Eu tenho esse privilégio hoje, mas que eu não tinha uns, sei lá, uns cinco anos atrás. Eu não tinha esse privilégio, até porque o lado financeiro era importante", destaca.

"Agora, eu estou nessa de criar essas oportunidades para personagens nos quais eu ainda não pude fazer, como em Emergentes. Eu sou uma atriz comediante, e ninguém nunca tinha me dado a oportunidade de fazer uma comédia", afirma ela.

Nascida na periferia, Jeniffer quer que essas oportunidades que cria para si mesma também possam ser maiores do que imaginou. "Se nós não usarmos a nossa voz como artistas para apoiar as pequenas causas, apoiar as minorias, a gente não consegue chegar num país democrático", pondera.

Mais do que entretenimento, ela quer usar a arte como agente ativo de transformação. "Eu vejo isso como um dever nosso, como artista, divulgar sobre as causas femininas, raciais e sociais", completa.

"A arte me salvou de muitas coisas ruins e, quando você abre o leque da cultura, você começa a entender o sistema político e a fazer os jovens pensarem politicamente a partir da arte", finaliza.


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